O recuo silencioso das marcas no Pride

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17/08/2026
21:02
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O recuo silencioso das marcas no Pride

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O Pride de 2026 tem menos marcas à vista do que há alguns anos, mas os números não descrevem uma simples retirada. Em Nova Iorque, o número de parceiros até aumentou. O que diminuiu foi o dinheiro e, sobretudo, a vontade de associar publicamente a marca ao evento. As organizações estão a compensar com angariação junto de particulares e de pequenos negócios locais.

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Mais parceiros, menos verba

Segundo a Campaign US, o NYC Pride garantiu este ano mais de 90 parceiros, acima dos 77 de 2025 e dos 70 de 2024. Chris Piedmont, responsável de meios da organização, nota porém que o valor do financiamento continua a descer.

A forma do apoio também mudou, tendo vários patrocinadores de longa data em categorias de topo, entre os quais a Garnier e a Mastercard, retirado a marca dos materiais públicos ou reduzido significativamente a sua visibilidade. Outros, como a Deutsche Bank, o Yahoo e a Target, apoiam por vias que não implicam presença de marca, o que pode significar fornecer água num evento em vez de patrocinar um carro alegórico, por exemplo.

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De onde vem a cautela

A publicação enquadra o movimento numa sequência que começa antes de 2026. Já três anos antes tinha havido boicotes de consumidores conservadores a marcas como a Target e Bud Light, sendo que a partir de 2025, com o regresso de Donald Trump à Casa Branca, entraram em vigor políticas que limitam iniciativas de diversidade e inclusão, o que criou exposição financeira para empresas com contratos públicos.

E o efeito é mensurável nos índices do setor. O Corporate Equality Index da Human Rights Campaign registou menos submissões este ano, incluindo uma queda de 65% entre as empresas da Fortune 500, muitas delas fornecedoras do Estado federal.

Jonathan Lovitz, responsável de campanhas e comunicação da Human Rights Campaign, sustenta que esta queda não indica abandono de políticas inclusivas, mas uma reavaliação da forma como os compromissos são documentados e comunicados publicamente. “Toda a gente reconhece que as empresas estão a navegar um momento sem precedentes”, afirma, descrevendo a dificuldade de operar entre consumidores que exigem transparência e forças que exigem conformidade.

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As grandes celebrações do Pride funcionam como organizações sem fins lucrativos e praticamente não recebem financiamento público. Os custos de estrutura, licenças, segurança, limpeza e infraestrutura de base eram tradicionalmente cobertos através de verbas empresariais e de patrocínios.

Com essas verbas em queda, o NYC Pride tem vindo a apostar cada vez numa estratégia de  angariação individual e de pequenos negócios locais de proprietários LGBTQ+ para preencher lacunas.

Do lado das marcas que mantiveram investimento, a tendência passa por descentralizar, com campanhas nacionais a atraírem contestação política concentrada, enquanto a ação local permite chegar às comunidades por via de voluntariado e de eventos regionais sem desencadear polarização à escala do país.

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A Lime lançou a campanha “Pride in Motion” em mais de 21 cidades, com veículos decorados e parcerias com organizações locais, por exemplo. Já a Levi Strauss manteve a coleção anual, este ano dedicada à comunidade motociclista LGBTQ+, com apoio financeiro a organizações do setor, e continua a patrocinar desfiles em São Francisco, Amesterdão, Paris, Varsóvia e Cidade do México.






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