O Otro caminho que faltava

O Grupo Otro nasceu em 2005, arrancando com um negócio dedicado à perfumaria. Dois anos depois, criou a Private Tayloring, de vestuário, e cinco anos depois seria a vez de abrir um departamento de arquitectura e design. No final do ano passado, decidiu alimentar o público que perfumava e vestia, abrindo o seu primeiro restaurante, o Otro.

Com a criatividade gastronómica do chef Vítor Sobral, o espaço, situado na zona da Avenida da Liberdade, em Lisboa, dá destaque à gastronomia portuguesa, sendo complementada com alguns toques de ingredientes de todo o mundo.

Intimista, com música de fundo perfeitamente equilibrada para proporcionar boas conversas, a sala destaca-se por tons escuros, que conferem uma sensação de conforto e bem-estar. E nada melhor que apreciar o espaço enquanto se desfruta de um whisky sour, o ponto de partida desta experiência gastronómica.

Hugo Banha, fundador do grupo Otro, procurou Vítor Sobral por considerar tratar-se do maior especialista em gastronomia portuguesa. A sofisticada ementa aposta em produtos nacionais, preparados de forma que respeitem os ingredientes.

Essa aposta traduziu-se perfeitamente no primeiro prato. Camarão salteado com vinho branco, malagueta verde e lima. Poucos ingredientes, simples, saboroso. Seguiu-se um Atum fresco de escabeche, com maracujá, espargos e farofa de orégãos. Se neste caso o número de ingredientes aumentou, o sabor também não ficou atrás, com um atum perfeitamente mal passado que tão bem conjugava com os outros ingredientes.

Apostando na partilha, pudemos provar vários pratos, para que a curiosidade também fosse saciada. Assim sendo, foi possível apreciar dois dos três pratos de bacalhau da ementa.

O primeiro foi o Bacalhau fresco confitado com foie gras, puré de batata e trufas. Uma vez mais, assiste-se à introdução de ingredientes internacionais que tão bem casam com o “português” bacalhau. Com lascas suculentas, um puré sedoso e equilibrado, não faltou vontade em provar o próximo prato.

Eis a vez do Bacalhau fresco em panko, creme de laranja, coco e couve chinesa. Apesar de se tratar da mesma proteína, é impossível comparar. Uma fritura leve e crocante, tão bem conjugada com o coco tostado.

Faltava uma ida à carne e a escolha recaiu nas Bochechas de porco preto com creme de shiitake, beringela e vinagrete de legumes assados. A carne desfazia-se na boca, o puré era incrivelmente rico de sabores e os legumes vinham acrescentar uma nova textura para elevar (se é que ainda era preciso) este prato.

Para terminar, o conceito de partilha voltou para a mesa. Creme queimado com champanhe e fava tonka, bolo de queijo com caramelo salgado e amêndoas e mousse de chocolate com pistácio e cacau torrado encerraram da melhor forma esta viagem por Portugal com paragens no estrangeiro.

No final, a música, que começara suave, já se fazia escutar com maior intensidade. É que o Otro conta com música ao vivo em determinados dias, posicionando-se como um restaurante onde não se janta apenas, ficando também para beber um copo e ouvir um DJ.

É, sem dúvida, uma ode à gastronomia portuguesa, com sabores requintados, tal como o seu espaço. Proporciona uma viagem sensorial, desde a visão ao olfacto (há perfumes da marca nas casas de banho para experimentar), sem esquecer a audição. E, o mais importante, o paladar, o sentido que sai mais privilegiado do Otro, ficando com água na boca já a pensar numa próxima visita.

Texto de Rafael Paiva Reis

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