Treino de Core: muito mais do que abdominais

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01/04/2026
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Treino de Core: muito mais do que abdominais

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Opinião de Gonçalo Santos, Personal Trainer Holmes Place Palácio Sottomayor

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Quando se fala em treino de core, muitas pessoas pensam imediatamente em abdominais tradicionais, como crunches ou sit-ups. Durante anos, o treino de core foi vendido como sinónimo de “abdominais definidos” e para isso seria necessário utilizar estes exercícios clichê de forma regular. Imagens de six-pack dominaram campanhas de fitness, criando a ideia de que um core forte se mede apenas pela aparência. No entanto, esta ideia está longe da realidade e pode até ser contraproducente.

Hoje, num contexto em que se fala cada vez mais de performance, produtividade e, principalmente, bem-estar no trabalho e no quotidiano, o core assume um papel muito mais relevante do que aquele que tradicionalmente lhe foi atribuído. Mais do que estética, o core é funcionalidade! O core não é apenas o reto abdominal (o tal músculo que dá a aparência six-pack). Trata-se de um sistema complexo que integra músculos profundos e superficiais, incluindo o transverso do abdómen, oblíquos, multífidos, eretores da coluna, diafragma e pavimento pélvico. Este conjunto funciona como uma unidade responsável por estabilizar a coluna e permitir a transferência eficiente de força entre a parte superior e inferior do corpo. Na prática, é o centro de controlo do movimento e isso tem implicações diretas no dia-a-dia, especialmente para quem passa horas sentado, trabalha ao computador ou vive sob elevados níveis de stress.

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Um core eficiente melhora a postura, reduz dores lombares e aumenta a capacidade de executar tarefas com menor esforço. Em contexto profissional, isto traduz-se em algo simples: mais conforto, mais energia e melhor rendimento ao longo do dia. Curiosamente, o principal papel do core não é produzir movimento, mas resistir a ele. Este conceito — muitas vezes ignorado — é fundamental. Um core bem treinado impede movimentos desnecessários da coluna, protegendo o corpo e tornando cada gesto mais eficiente. É aqui que o treino tradicional de abdominais começa a perder relevância. Exercícios como crunches e sit-ups focam-se sobretudo na flexão da coluna, algo

que raramente acontece de forma repetitiva na vida real. Além disso, quando executados sem controlo, podem aumentar a pressão sobre a zona lombar. Não quer isto dizer, de todo, que não possamos ou não devamos realizar estes exercícios. No entanto, tal como o título do artigo indica, vai para além do treino clássico.

Alguns exemplos eficazes de treino de core incluem pranchas (plank), bird-dog, dead bug, pallof press e exercícios com instabilidade, como o uso de bolas suíças, bolas medicinais, elásticos ou plataformas instáveis. Estes exercícios promovem a ativação dos músculos profundos e melhoram a coordenação neuromuscular. Além disso, o treino deve incluir diferentes padrões de movimento, como anti-extensão, anti-rotação e anti-flexão lateral, para garantir um desenvolvimento equilibrado. Outro fator muitas vezes negligenciado é a respiração. O diafragma desempenha um papel central na estabilidade do core, ao regular a pressão intra-abdominal. Quando a respiração é eficiente, o corpo ganha uma espécie de “cintura interna” que protege a coluna e melhora o controlo do movimento.

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Quando não é, surgem compensações, tensão e perda de eficiência. Num mundo onde o stress é constante e a respiração tende a ser superficial, este detalhe ganha ainda mais importância. Um dos tipos de treino que engloba todo este tipo de relação exercício-respiração de forma extraordinária é o Pilates. Um core forte não serve apenas para “parecer bem”, serve para viver melhor. Mesmo num contexto competitivo, onde o desempenho individual faz a diferença, cuidar do corpo deixa de ser um luxo e passa a ser uma estratégia. E o core, enquanto centro de estabilidade e controlo, está no centro dessa equação.

Quando se realizam exercícios que, à primeira vista, parecem trabalhar outros grupos musculares, como um agachamento, um supino plano ou um press de ombro, o core tem um papel fundamental na estabilização da coluna e do tronco. Principalmente, quando estamos a falar de um nível de competição alto e cargas externas elevadas. Para profissionais do fitness, é fundamental educar os alunos sobre a verdadeira função do core. Em vez de focar apenas na estética abdominal, o objetivo deve ser melhorar a funcionalidade, prevenir lesões e aumentar o desempenho global. Um core forte traduz-se em melhor equilíbrio, maior eficiência nos movimentos e menor risco de dores lombares.

Concluindo, treino de core vai muito além dos abdominais. Trata-se de desenvolver um sistema integrado de estabilidade e controlo, essencial para a saúde e performance (independentemente do nível). Ao adotar uma abordagem mais completa e funcional, é possível obter resultados mais eficazes e duradouros, tanto no contexto desportivo como na vida quotidiana. No final, a mensagem é simples: treinar o core não é fazer abdominais. É desenvolver um sistema que suporta tudo o resto.

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