A batalha pelo carrinho de compras dos portugueses ganhou intensidade na primeira metade de 2026. Pingo Doce e Lidl reforçaram a sua posição no retalho alimentar, enquanto o Continente conseguiu estabilizar depois de um início de ano mais pressionado e a Mercadona continuou a conquistar novos compradores. Os dados da Worldpanel by Numerator mostram, assim, um mercado em que as insígnias seguem estratégias diferentes para ganhar relevância junto de consumidores cada vez mais racionais e repartidos por vários operadores.
O Pingo Doce manteve a trajetória de crescimento registada no arranque do ano, apoiado sobretudo pelas suas dinâmicas promocionais e pela capacidade de aumentar o valor das cestas de compra. Ou seja, mais do que depender exclusivamente da captação de novos clientes, a insígnia tem conseguido reforçar o valor associado a cada ocasião de compra.
O Lidl seguiu uma trajetória igualmente positiva, com ganhos de quota suportados por um aumento da frequência de compra e da intensidade da relação com os seus clientes. A evolução surge também acompanhada por uma alteração no sortido, com uma maior abertura às marcas de fabricante, alargando a proposta da insígnia para diferentes missões de compra.
No caso do Continente, o primeiro semestre ficou marcado por uma evolução mais estável. Depois de uma tendência de perda no primeiro trimestre, a insígnia conseguiu travar esse movimento e consolidar a sua posição ao longo do segundo trimestre.
Já a Mercadona continua a escrever uma história diferente. A cadeia espanhola mantém a expansão da sua base de compradores, beneficiando da abertura de novas lojas em território nacional, num aumento de penetração que, contudo, ainda não se traduz de forma proporcional em ganhos de quota de mercado.
“O mercado português continua a caracterizar-se por uma forte intensidade competitiva, em que já não basta atrair novos compradores para crescer. As insígnias que conseguem aumentar a frequência de visita, reforçar o valor da cesta e consolidar a relação com os consumidores são as que melhor conseguem sustentar ganhos de quota”, afirma Marta Santos, country manager da Worldpanel by Numerator Portugal, citada em comunicado.
Vários caminhos para chegar ao mesmo consumidor
Os resultados dos primeiros seis meses do ano evidenciam, assim, que não existe uma única fórmula para crescer no retalho alimentar. Enquanto algumas insígnias procuram aumentar o valor gasto em cada ida às compras, outras apostam em fazer com que os consumidores regressem mais vezes às lojas.
A lógica é particularmente relevante num mercado em que o consumidor distribui cada vez mais as suas compras por diferentes operadores, escolhendo a insígnia em função da missão de compra e da proposta de valor apresentada em cada momento.
“O consumidor português continua muito racional nas suas decisões e distribui cada vez mais as compras por diferentes insígnias, em função da missão de compra e da proposta de valor. Este contexto obriga os retalhistas a competir simultaneamente em preço, conveniência, sortido, fidelização e experiência, tornando o mercado mais dinâmico e exigente”, explica Marta Santos.
O Lidl surge, neste contexto, com uma evolução particularmente interessante também ao nível do sortido, com a maior abertura às marcas de fabricante a acompanhar o reforço da sua posição no mercado e sinaliza uma tentativa de responder a um leque mais amplo de necessidades dos consumidores, sem abandonar a proposta de valor que caracteriza a insígnia.
Segundo trimestre confirma tendências
Os resultados entre abril e junho não alteraram substancialmente o desenho do primeiro semestre, com o Lidl e Pingo Doce a terem mantido a trajetória de crescimento, embora o ritmo de ganho do Pingo Doce tenha começado a abrandar face ao primeiro trimestre.
Já o Continente consolidou a estabilização da sua posição, enquanto a Mercadona continuou a aumentar a sua penetração junto dos consumidores. A expansão da cadeia espanhola, no entanto, continua a refletir-se mais claramente na dimensão da sua base de compradores do que na quota de mercado.
Os dados da Worldpanel by Numerator dizem respeito às primeiras 24 semanas de 2026, entre 25 de janeiro e 14 de junho, e comparam o comportamento do mercado português de bens de grande consumo para consumo dentro do lar com o período homólogo de 2025.












