Muitos portugueses partem ou trituram comprimidos sem pensar, acreditando que “não faz mal nenhum”. Mas os especialistas alertam que esta prática pode alterar o efeito do medicamento e, em alguns casos, multiplicar os riscos para a saúde.
O problema está no próprio design dos comprimidos. Cada medicamento contém princípios ativos — a substância que produz o efeito terapêutico — e muitas vezes está concebido para ser libertado num ponto específico do trato gastrointestinal ou de forma controlada ao longo do tempo. Partir ou triturar o comprimido altera esta engenharia, podendo reduzir a eficácia, causar picos de concentração perigosos ou irritar o estômago.
Os medicamentos dividem-se, de forma geral, em duas categorias: libertação imediata e libertação modificada. Os primeiros podem ser partidos sem problemas na maioria dos casos, enquanto os de libertação modificada, incluindo cápsulas gastrorresistentes e de libertação prolongada, dependem da sua forma física para funcionar corretamente. Exemplos incluem o omeprazol, o esomeprazol, o ácido acetilsalicílico (Adiro) ou o diclofenac. Partir ou triturar estes comprimidos pode libertar todo o princípio ativo de uma só vez, tornando o efeito imprevisível e, por vezes, perigoso.
Há exceções, como certas cápsulas de omeprazol ou esomeprazol que podem ser abertas e dissolvidas em água, mas sempre conforme indicado no folheto informativo, sem esmagar os grânulos.
Quando engolir um comprimido é difícil, a recomendação é procurar alternativas: xaropes, soluções orais, gotas, saquetas, formas sublinguais ou retais, ou mesmo fórmulas magistralmente preparadas em farmácias. Perguntar ao farmacêutico qual a melhor opção é sempre a escolha mais segura.














