As redações do grupo Trust in News (TiN), responsável por títulos como Visão, Caras e Exame, entraram em greve por tempo indeterminado. A decisão surge após dois anos marcados por atrasos salariais, despedimentos encobertos e promessas não cumpridas.
Sem perspetivas de resolução e com cortes que já afetam diretamente a qualidade editorial – com revistas a chegar às bancas em versões bastante reduzidas –, os profissionais decidiram parar. A greve é vista como uma forma de protesto, mas também de alerta: está em risco a viabilidade de algumas das marcas editoriais mais reconhecidas do panorama nacional.
Este não é apenas um problema interno da TiN. É uma questão estrutural que levanta sérias preocupações sobre o futuro do jornalismo em Portugal, a sustentabilidade dos media independentes e a diversidade editorial – valores fundamentais num ecossistema de comunicação saudável.
Na próxima quinta-feira, dia 3 de julho, às 18h00, é lançado um apelo nacional à solidariedade: profissionais de comunicação e jornalismo são convidados a parar durante alguns minutos – o tempo de um café – e a manifestar o seu apoio aos colegas da TiN. Um gesto simbólico, mas com peso, que visa dar visibilidade a uma luta que é, cada vez mais, transversal ao setor.
Num momento em que tantas marcas dependem de conteúdos de qualidade e de informação credível, esta greve é também um sinal de alarme para anunciantes, agências e plataformas: o futuro da comunicação começa nas redações. E sem condições para produzir bom jornalismo, perdem todos – leitores, marcas e democracia.














