Web Summit: «CMOs não conseguem acompanhar as mudanças»

A transformação digital está a acontecer a um ritmo alucinante e tecnologias como machine learning e inteligência artificial estão a mudar radicalmente algumas das indústrias mais conservadoras do mundo, que sentem necessidade de se adaptarem a estas inovações, sob pena de serem ultrapassadas. Mas o ritmo é tão acelerado que «por vezes, os CMOs não conseguem acompanhar, não se conseguem mexer ao mesmo ritmo destas mudanças», afirmou esta manhã Kristin Lemkau, chief marketing officer do JP Morgan Chase, no palco principal do Web Summit.

Numa conversa sobre o tema “Reinventing your brand in a digital era”, Kristin Lemkau defendeu que a capacidade de adaptação é o que vai permitir às marcas legacy sobreviverem nesta era da digitalização dos negócios e do marketing. Nesse sentido, lembrou, é importante que integrem nas suas estruturas novos skills e talentos digitais, como data scientists. «As marcas têm de ser autênticas. Para nós, a autenticidade começa com o propósito de ajudar as pessoas a gerirem da melhor forma o seu dinheiro», afirmou.

No mesmo tom, Barbara Martin Coppola, chief digital officer do IKEA, referiu que é essa mesma capacidade de adaptação que tem levado a empresa de mobiliário sueca a alargar o seu leque de serviços. «O ritmo de mudança está em aceleração e é muito importante acrescentar valor ao consumidor, de uma forma que seja sustentável para o ambiente e para a sociedade. O digital permite-nos criar novos modelos de negócio – é por isso que lançámos, recentemente, o serviço de aluguer de mobiliário. Temos de nos saber adaptar às necessidades dos consumidores», comentou, lembrando que a IKEA tem como objectivo ser 100% sustentável até 2030.

Num painel com duas gestoras de topo, o tema da igualdade de género foi também debatido. Barbara Martin Coppola revelou que começou a sua carreira no sector da tecnologia, que é dominado por homens. «Na IKEA, fui agradavelmente surpreendida: 49% dos gestores e 54% dos colaboradores são mulheres. Queremos estabelecer o padrão no mundo empresarial», assegurou.

A CMO do JP Morgan Chase referiu que o «sector das finanças também não é um exemplo ao nível da igualdade», mas sublinhou que «a questão agora não é a neutralidade de género. Prefiro dizer que estamos na era da sisterhood [irmandade], em que as mulheres se podem ajudar entre elas e olhar umas pelas outras.»

Texto de Daniel Almeida

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