Os trabalhos dos marketeers

ricardo-florencio Ricardo Florêncio

Director Editorial Marketeer

Editorial publicado na edição de Junho de 2013 da revista Marketeer

Vivemos hoje em dia um conjunto de paradoxos, incongruências, dir-se-ia mesmo quase nonsense.

Um mundo cada vez mais global, mas em que as pessoas são cada vez mais individuais, em que é tudo à escala mundial, tudo plural, mas cada vez mais apelando ao singular, em que a comunicação é planetária, mas ao mesmo tempo, e cada vez mais, one-to-one. Em que as empresas investem milhões, biliões, para contar histórias, mas as pessoas querem fazer parte da história; em que os critérios de segmentação mudam todos os dias, por grupos de interesses, por opiniões, por convicções, por serem a favor de algo, por serem contra algo, e a partir daí globalizam e generalizam os seus gostos e consumos. Em que todas as pessoas têm pressa, em que é tudo a uma velocidade alucinante, mas as pessoas querem ter mais tempo para as suas escolhas, e querem que as empresas lhes dediquem mais tempo; em que se procura tudo o que é novo, tudo o que é novidade, tudo aquilo que ainda nem sequer existe, mas simultaneamente gosta-se e consome-se os “good old times”.

Um tempo em que as “máquinas” desempenham um papel cada vez mais diário e fundamental, de eficiência, mas em que exigimos que as empresas e marcas sejam cada vez mais humanas.

E é ao Marketing, no seu conceito mais umbrella, que cabe esta gestão. Desde o search, o research, o marketing intelligence, o desenho de tendências, de estratégias, o cruzamento de dados, a todos os Ps, ao PR, com a comunicação social, shareholders, stakeholders, parceiros, público interno, opinion-makers, clientes, até ao customer responsiveness, comunicação, publicidade, activações, eventos, gestão da marca… tudo são ferramentas geridas pelos marketeers, que assumem cada vez mais um papel charneira no mundo actual da Gestão.

É aos marketeers que cabe esta gestão de expectativas, de ansiedades, de criar desejos, criar receitas, de orientar as suas empresas para o mercado, para os clientes, para os actuais e para os futuros, para resultados sustentáveis e sustentados, e não para maquinações de números.

E por isso muitas empresas optaram, há anos, por colocar marketeers na sua liderança, como presidentes ou como CEOs.

Lá fora é comum e prática de sucesso há largos anos. Em Portugal também já existem vários, e excelentes exemplos. Espera-se agora a sua generalização.

 

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