Louvre fecha portas devido a protesto de funcionários exaustos com sobrelotação

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Marketeer com Lusa
16/06/2025
17:37
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Louvre fecha portas devido a protesto de funcionários exaustos com sobrelotação

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O Louvre, o museu mais visitado do mundo, manteve hoje as portas fechadas, por decisão dos próprios funcionários, que denunciam o colapso interno da instituição.

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Ainda assim, o momento pareceu ir além de um simples protesto laboral, pois o Louvre tornou-se um símbolo do fenómeno do excesso de turismo global, esmagado pela sua própria popularidade.

Enquanto destinos turísticos como Veneza ou a Acrópole lutam para limitar multidões, o museu mais icónico do mundo enfrenta o seu próprio ponto de rutura, descreve a agência de notícias AP.

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A greve espontânea eclodiu durante uma reunião interna, quando vigilantes de sala, funcionários de bilheteira e seguranças se recusaram a assumir os seus postos, em protesto contra multidões incontroláveis, falta crónica de pessoal e aquilo que um sindicato descreveu como “condições de trabalho insustentáveis.”

“É o lamento da Mona Lisa aqui fora”, disse o norte-americano Kevin Ward, de 62 anos, um dos milhares de visitantes retidos em filas imóveis sob a pirâmide de vidro do arquiteto I.M. Pei, acrescentando: “Milhares de pessoas à espera, sem comunicação, sem explicações. Acho que até ela precisa de um dia de folga”.

O encerramento do Museu do Louvre ao público é um acontecimento raro, tendo acontecido apenas durante guerras, na pandemia e em algumas greves — incluindo paralisações espontâneas devido à sobrelotação em 2019 e preocupações com a segurança em 2013.

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Mas raramente o cenário foi tão confuso: turistas a encherem a praça, bilhetes na mão, sem qualquer explicação clara para o encerramento súbito do museu.

A perturbação surgiu poucos meses depois de o presidente Emmanuel Macron ter apresentado um plano ambicioso a longo prazo, para salvar o Louvre dos problemas que agora se manifestam, como infiltrações, variações perigosas de temperatura, infraestruturas obsoletas e um número de visitantes muito acima da capacidade do museu.

Para os trabalhadores no terreno, esse futuro prometido parece distante.

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“Não podemos esperar seis anos por ajuda, pois as nossas equipas estão sob pressão agora. Não se trata apenas da arte — trata-se das pessoas que a protegem”, afirmou Sarah Sefian, do sindicato CGT-Culture.

No centro de tudo está a Mona Lisa, o retrato do século XVI que atrai multidões. Cerca de 20 mil pessoas por dia apertam-se na Salle des États, a maior sala do museu, apenas para tirar uma ‘selfie’ com a enigmática figura de Leonardo da Vinci, protegida por vidro, numa cena que é frequentemente ruidosa, caótica e tão densa que muitos mal olham para as obras-primas que a rodeiam, como as de Ticiano e Veronese, amplamente ignoradas.

“Não se vê uma pintura. Veem-se telemóveis. Veem-se cotovelos. Sente-se o calor. E depois, empurram-te para fora”, contou Ji-Hyun Park, de 28 anos, que viajou de Seul para Paris.

O plano de renovação de Macron, batizado como “Nova Renascença do Louvre”, promete resolver o problema, atribuindo a Mona Lisa uma sala própria, acessível com bilhetes e com hora marcada, estando também prevista, até 2031, uma nova entrada junto ao rio Sena para aliviar a pressão sobre a entrada principal, que fica sob a pirâmide.

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“As condições de exibição, explicação e apresentação estarão à altura do que a Mona Lisa merece”, afirmou Macron, em janeiro.

No ano passado, o Louvre recebeu 8,7 milhões de visitantes, mais do dobro daquilo para que foi projetado.

Mesmo com um limite diário de 30 mil visitantes, os funcionários dizem que a experiência se tornou uma prova de resistência diária, com poucas zonas de descanso, casas de banho insuficientes e o calor de verão amplificado pelo efeito estufa da pirâmide de vidro.

Num memorando interno divulgado à imprensa, a presidente do Louvre, Laurence des Cars, alertou que partes do edifício “já não são estanques”, que as flutuações de temperatura colocam em risco obras inestimáveis, e que até as necessidades básicas dos visitantes — alimentação, casas de banho, sinalética — estão muito aquém dos padrões internacionais, tendo descrito a experiência como “uma provação física”.

“O que começou como uma sessão de informação mensal transformou-se numa manifestação coletiva de exasperação”, disse Sarah Sefian, acrescentando que as negociações entre os trabalhadores e a direção começaram às 10:30 e prolongaram-se pela tarde.

O plano de renovação total — com um custo previsto de 700 a 800 milhões de euros — deverá ser financiado através de bilheteira, doações privadas, fundos estatais e licenças da filial do Louvre em Abu Dhabi, sendo que o preço dos bilhetes para turistas fora da União Europeia deverá aumentar ainda este ano.

Contudo, os trabalhadores alertam que as suas necessidades são mais urgentes do que qualquer plano a dez anos, e ao contrário de outros marcos parisienses, como a catedral de Notre-Dame ou o Centro Pompidou, ambos a receber obras de restauro financiadas pelo governo, o Louvre continua num impasse — nem totalmente financiado, nem plenamente funcional.






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