Diversidade e inclusão, uma realidade prática

Por Ana Gravato, directora Comunicação Interna da Saint-Gobain Portugal

Se a diversidade e a inclusão são temas cada vez mais abordados e para os quais as sociedades estão cada vez mais mobilizadas e sensibilizadas, nunca como hoje foi tão importante criar ambientes empresariais verdadeiramente inclusivos, que celebrem a identidade e unicidade de cada um, para assegurar o crescimento e o bem-estar de todos.

A diversidade é muito mais do que um conceito abstracto. É um somatório de vivências particulares, que geram diferentes universos, únicos, ricos e dinâmicos. A Carta Portuguesa Para a Diversidade, define este conceito como “o reconhecimento, o respeito e a valorização da(s) diferença(s) entre as pessoas, incluindo particularmente as diferenças relativas ao sexo, identidade de género, orientação sexual, etnia, religião, credo, território de origem, cultura, língua, nacionalidade, naturalidade, ascendência, idade, orientação política, ideológica ou social, estado civil, situação familiar, situação económica, estado de saúde, deficiência, estilo pessoal e formação”.

Assim sendo, a diversidade é uma realidade tangível, que pode ser incentivada através de acções concretas e sustentadas. Promover a diversidade e a inclusão é encontrar pontes de encontro nas diferenças, um fenómeno capaz de gerar organizações e sociedades mais prósperas, colaborativas e inovadoras.

Conseguir “importar” e aprender com as diferenças nas organizações, aproveitando as existentes no seio de cada uma e integrando-as no dia-dia-dia, contribui, sem dúvida, para uma riqueza maior das empresas, que se reflecte nas respectivas pessoas, políticas e práticas.

De acordo com a consultora DDI, empresas com níveis de diversidade acima da média possuem oito vezes mais probabilidade de integrar o top 10% das organizações com melhor desempenho. Isto significa que quanto mais se promove o igual acesso a oportunidades e se celebra a identidade de cada indivíduo, mais o todo onde se integra cresce e prospera.

Ao criarem ambientes propícios à expressão do talento individual, através do respeito pela diferença, e ao criarem condições para que esse talento se manifeste, bem como condições de igualdade no acesso a ferramentas e oportunidades, as empresas tornam-se verdadeiros hubs de crescimento e inovação, levando à criação de melhores condições socioeconómicas, gerando um ciclo verdadeiramente virtuoso de evolução.

É fundamental que as organizações desenvolvam uma estratégia integrada, assente em princípios e objectivos concretos, a partir dos quais possam ser desenhadas, implementadas e monitorizadas medidas concretas.

A comunicação interna, de mãos dadas com os valores da empresa e respectivas políticas de RH, desempenha aqui um papel fundamental, ao unir todos os quadrantes da companhia nesse objectivo comum, e ao permitir identificar novos desafios que possam surgir, como, por exemplo, a desigualdade no acesso às novas tecnologias de informação e comunicação, fortemente acentuada pelo crescente investimento das empresas nestas plataformas para fins de formação e comunicação, e pelo teletrabalho imposto pela pandemia de Covid-19.

Testemunho diariamente o impacto positivo da promoção de uma cultura laboral inclusiva, baseada em objectivos específicos, tanto no seio da empresa como nas comunidades onde ela se integra.

Além de nos comprometermos com uma política de tolerância zero à discriminação e com a promoção da diversidade em todas as suas formas (diversidade de género, mas também de nacionalidades, origem social, educação, percurso profissional, diversidade geracional ou incapacitação), desenvolvemos e colocamos em prática no nosso quotidiano inúmeras acções no âmbito da Diversidade e Inclusão, como a presença destas temáticas nas nossas mais variadas ferramentas/canais de comunicação interna, o lançamento de um Guia para a Diversidade e Inclusão e a formação/sensibilização para temas como unconscious bias e DIPE – Diversidade, Inclusão, Pertença e Equidade. Para além de todas estas iniciativas criamos ainda um indicador de diversidade global para monitorizar, de forma tangível, os efeitos das políticas.

Ver além das diferenças significa olhar de frente para o potencial, para o talento e para as potencialidades que cada indivíduo e a sua experiência única integram, o que vai muito além do que os envolve ou aparentemente os carateriza. Investir no potencial é investir no futuro.

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