Dar forma ao impossível

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07/09/2026
08:31
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Dar forma ao impossível

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Entre conteúdos, eventos e experiências imersivas, mantém-se uma constante na Hello Movement: a vontade de fazer sempre melhor

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Há mais de uma década que a Hello Movement desenvolve conteúdos visuais para eventos, activações e experiências, acompanhando de perto a evolução tecnológica que tem transformado o sector audiovisual. Em entrevista à Marketeer, Ricardo Guerra, fundador da Hello Movement, fala sobre o percurso da empresa ao longo destes anos, marcado por desafios constantes, projectos ambiciosos e uma procura contínua por novas formas de criar e inovar. Mais recentemente, a aposta na inteligência artificial, nomeadamente na IA generativa, veio reforçar a capacidade criativa e produtiva da equipa, permitindo elevar o nível de entrega dos trabalhos e explorar novas possibilidades visuais. Um percurso feito de adaptação, experimentação e da vontade de transformar cada novo desafio dos clientes numa oportunidade para criar algo diferente.

A Hello Movement trabalha há mais de uma década na criação de conteúdos visuais para eventos e activações. Como nasceu o projecto e de que forma evoluiu ao longo destes anos?

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A Hello Movement nasceu da forma mais honesta possível: da necessidade. Como freelancer, chegou um ponto em que os pedidos superavam a minha capacidade de resposta e eu não estava disposto a deixar nenhum projecto mal feito. Comecei a reunir freelancers com quem já tinha trabalhado e em quem confiava, e, quase sem darmos conta, de forma completamente orgânica, nasceu a Hello Movement. Não houve PowerPoint estratégico, nem plano de negócios a cinco anos. Houve trabalho, confiança e a vontade de fazer sempre melhor.

Trabalham num universo muito exigente, marcado por timings apertados e pedidos de última hora. O que distingue a produção de conteúdos para eventos corporate de outras áreas do audiovisual?

É um universo exigente, rápido e, convenhamos, ligeiramente caótico. E é exactamente isso que o torna fascinante. A grande diferença para o Broadcast, área onde trabalhei anteriormente, é a velocidade com que tudo pode mudar. Em televisão ou cinema, o guião é sagrado. O que fica acordado em pré-produção é seguido com uma rigidez quase religiosa.

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Nos eventos, a verdade de hoje pode estar completamente obsoleta amanhã de manhã. Estamos permanentemente no limiar do risco, a trabalhar com tecnologias emergentes, a criar projectos que nunca existiram antes. É desafiante? Sem dúvida. É aliciante? Absolutamente.

Há uma ideia de que, nos eventos, tudo tem de acontecer “imediatamente” e sem margem para erro. Como se gere esta pressão constante sem comprometer a criatividade?

Gere-se com muita calma e uma dose saudável de adrenalina. Pessoalmente, gosto de sair da minha zona de conforto. Gosto de agarrar os projectos que outros classificam como “impossíveis”. Ao longo dos anos, consegui transmitir esse espírito à equipa, o que cria uma mistura curiosa de tensão e entusiasmo quando nos apresentam os projectos mais desafiantes. Confesso que já me apanhei com o ritmo cardíaco bastante acelerado no meio de um briefing de agência, mas é precisamente aí que acontece a magia. O risco traz prazer e o prazer resulta em trabalho de que nos orgulhamos.

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Ao longo do percurso da Hello Movement, quais foram os desafios mais improváveis ou aparentemente impossíveis que acabaram por conseguir concretizar?

Desde o início que fomos abençoados com projectos desafiantes. Os primeiros mapeamentos 360º no MEO Arena, onde os computadores entravam em colapso perante as dimensões do ecrã. Depois vieram ecrãs tridimensionais com resoluções de 35K, onde tínhamos de criar ilusões de paralaxe sem nunca o termos feito, sem manuais, sem escola. Multiecrãs com sincronismo e interactividade em resoluções megalómanas.

Na Hello Movement, dia sem sentir um colapso nervoso a olhar para o monitor não é dia. Mas se a equipa estiver coesa e a relação com o cliente for saudável, qualquer desafio é apenas mais um que ainda não foi superado.

As marcas procuram cada vez mais experiências imersivas e impactantes. Sentem que o público corporate está mais exigente ao nível da componente visual dos eventos?

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Garantidamente. Somos diariamente bombardeados com reels, stories e conteúdos do melhor que existe em todo o mundo e isso tem um efeito natural nas expectativas de clientes e marcas. O nível de referência subiu e os briefings que recebemos reflectem isso. Exigência crescente? Sim. Problema? De todo. Na nossa perspectiva, é esse o caminho.

A inteligência artificial generativa veio transformar profundamente as áreas da imagem e do vídeo. Quando começaram a perceber que esta tecnologia iria mudar o vosso dia-a-dia?

Há cerca de um ano e meio, ficou claro que ignorar esta tecnologia seria um erro estratégico. A pergunta deixou de ser “se” e passou a ser “como”. Decidi investir num número considerável de horas em formação especializada e posso dizer, sem hesitação, que foi um dos melhores investimentos que fiz. A IA generativa tornou-se uma ferramenta genuinamente útil no nosso processo criativo e produtivo.

De que forma a IA generativa alterou os processos criativos e de produção dentro da Hello Movement?

Alterou praticamente tudo. Desde a forma como recebemos e interpretamos os briefings dos clientes, até à forma como maquetizamos ideias e entregamos o produto final. É uma faca de dois gumes: usada sem critério, pode ser uma armadilha sedutora de mediocridade instantânea. A IA generativa quando usada com intenção e curadoria, é uma enorme mais-valia. O segredo está em não nos deixarmos hipnotizar pela promessa dos “vídeos com um clique” e perceber que a tecnologia serve quem sabe o que quer.

A sensação é que a IA tornou possível criar praticamente qualquer ideia visual. Essa realidade permitiu aumentar também as expectativas e os pedidos por parte dos clientes?

Absolutamente. Mas é importante gerir essa percepção com honestidade. Quando conjugamos mais de 20 anos de experiência em pós-produção com ferramentas generativas de alto nível, “tudo é possível” deixa de ser uma figura de estilo, passando a ser uma realidade. O que não é real é a ideia de que basta um clique. As coisas continuam a exigir preparação, tempo e know-how.

Como eu costumo dizer: há três anos, numa semana de trabalho conseguias uma actriz filmada em chroma num cenário futurista. Hoje, com a IA generativa, tens essa mesma actriz num cenário cinematográfico, hiper-realista, com efeitos especiais dignos de Hollywood. A ambição mudou. O trabalho, esse, continua a ser trabalho.

Num contexto em que a tecnologia evolui quase diariamente, como se equilibra o lado humano e criativo com as novas ferramentas de IA?

De forma muito simples: o humano controla e faz a curadoria. A IA produz. Sem intenção, sem direcção, sem alguém que saiba exactamente o que quer, a IA generativa é uma ferramenta pouco útil, ou pior, perigosamente genérica. Os processos automatizados para gerar vídeos em série, alimentar feeds e gerar likes produzem, quase invariavelmente, conteúdos que não interessam a ninguém. É preciso um maestro a comandar a orquestra. Caso contrário, fica o barulho.

Que tipo de experiências acreditam que vamos começar a ver nos próximos anos e que hoje ainda parecem difíceis de imaginar?

Muito vai mudar e muito já está a mudar. Das coisas mais imediatas, como as traduções simultâneas, dobragens automáticas e maquetizações ultra-rápidas e foto-realistas, até cenários mais ambiciosos que estão a chegar a passos largos: universos criados inteiramente com IA que funcionam como simulações de mundos existentes; serviços de streaming capazes de gerar conteúdo personalizado a partir de um simples pedido do utilizador.

Mas o que me entusiasma verdadeiramente é a IA generativa em tempo real, em modelos multimodais, ou seja, sistemas com os quais podemos conversar, orientar, corrigir, em diálogo contínuo, até chegarmos exactamente ao que imaginávamos. Isso vai mudar tudo.

Este artigo faz parte da edição de Agosto (n.º 361) da Marketeer.






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