Identidades icónicas como a Nike ou a Apple alcançaram o seu estatuto não perseguindo todas as tendências, mas defendendo algo claro e inabalável. Fundações estratégicas enraizadas na autenticidade e clareza permanecem essenciais para construir confiança e reconhecimento ao longo do tempo.
Mas é aqui que chegamos a um paradoxo central na construção de marcas: ao mesmo tempo que as marcas requerem consistência para construir valor e fomentar a lealdade, a cultura contemporânea recompensa a reinvenção constante a valoriza o efeito surpresa!
“Uma marca estática arrisca-se à irrelevância; uma marca que persegue todas as tendências perde a sua identidade. Com a IA a democratizar a criação de conteúdo, é mais fácil do que nunca gerar recursos alinhados com a marca em escala, mas igualmente fácil para essas ideias se perderem no ruído.”
Bernardo Neves, Head of Design da VML Branding em Portugal
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Eis como prosperar no mundo generativo e utilizar a IA como ferramenta para a construção de marcas duradouras e prósperas, segundo a VML Branding:
#1. Manter o propósito, com um tom fresco.
As marcas duradouras esclarecem aquilo que defendem e permitem que essa essência oriente cada decisão criativa. O seu núcleo permanece estável, enquanto as suas expressões evoluem com os tempos. As ferramentas de IA podem ajudar a explorar novos formatos e manter as mensagens frescas, mas sempre filtradas através da lente fundamental da identidade da marca.
#2. Realidade primeiro.
Num feed de conteúdo generativo e narrativas dramatizadas, a autenticidade torna-se numa moeda rara e valiosa – um clichê que nunca foi tão verdadeiro! As histórias não precisam de embelezamento ou espetáculo; a sua honestidade e capacidade de identificação são o que as torna memoráveis. Aquilo que outrora era “desejável” é agora um fator essencial para as marcas explorarem. E uma tarefa árdua sobre como mostrar que isto é mesmo real…
#3. Curadoria é mestria.
A abundância de opções geradas por IA exige curadoria especializada e uma cultura visual desenvolvida para elevar as marcas, selecionando, refinando e amplificando as ideias que se alinham com a intenção estratégica, garantindo coerência e evitando a sobrecarga generativa.
#4. Distinção e memória.
Em vez de reagir a cada tendência passageira, as marcas que vingam concentram-se em criar momentos distintivos, visuais únicos ou experiências que se tornam parte da memória cultural e distinguem a marca dos seus concorrentes.
#5. Construir rituais, não apenas conteúdo.
As marcas duradouras integram-se na vida quotidiana através de rituais e significados partilhados, tornando-se mais do que apenas uma presença no feed; tornam-se hábitos, tradições e pontos de referência para o consumidor.
#6. IA é relevância, ofício humano é ressonância!
A IA melhora a agilidade e capacidade de resposta, mas a intuição e experiência humanas permanecem cruciais para criar histórias e símbolos que ressoem emocional e culturalmente.
Como pode a IA tornar-se numa ferramenta para elevar a autenticidade, criatividade e significado, em vez de apenas amplificar o ruído? O futuro do branding será moldado por aqueles que aproveitam a tecnologia com intenção e ofício, usando a IA não como um atalho, mas como um catalisador para construir marcas que verdadeiramente perduram; com designers e estrategas a atuarem como curadores, escolhendo as melhores ideias.
Navegar a tensão entre consistência e adaptabilidade, curadoria e criação, novidade e significado é o novo desafio para o design de marca. Num mundo onde tudo é novo, as marcas duradouras distinguem-se através da autenticidade, ressonância e ofício propositado. Estas são qualidades que nenhum algoritmo alguma vez conseguirá replicar!














