Tecnologia como propaganda: Coreia do Norte apresenta smartphones de “marca própria”

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Marketeer
10/05/2026
13:00
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A Coreia do Norte colocou a tecnologia no centro da sua estratégia de comunicação externa ao apresentar novos smartphones de “marca própria” durante uma feira internacional em Pyongyang. A iniciativa, mais do que um avanço tecnológico evidente, funciona como instrumento de posicionamento político, económico e até simbólico.

Foi durante a 24.ª edição da Pyongyang Spring International Trade Fair – o maior evento comercial do país – que o regime norte-coreano exibiu modelos como o Jindallae, promovido como um smartphone moderno e acessível para a população. A presença de empresas e visitantes estrangeiros sinaliza uma tentativa de abertura controlada, ainda que enquadrada num contexto de forte isolamento internacional e sanções económicas.

Apesar da narrativa oficial, especialistas mantêm reservas quanto à real capacidade industrial do país para produzir tecnologia de consumo competitiva, tendo em conta que a base manufatureira norte-coreana é considerada envelhecida, e há indícios de que muitos destes dispositivos resultam de hardware produzido na China posteriormente reconfigurado e rebatizado para o mercado interno, refere a France24.

Mais do que inovação, o valor destes smartphones reside no seu papel dentro de um ecossistema altamente controlado uma vez que, ao contrário do resto do mundo, a maioria dos utilizadores não tem acesso à internet global, operando antes numa intranet nacional altamente restrita. Estes dispositivos não só limitam o acesso à informação como podem também funcionar como ferramentas de vigilância, com relatos de funcionalidades que capturam dados de utilização para monitorização pelas autoridades.

Ainda assim, o mercado interno tem vindo a crescer, com dados recentes a apontarem para milhões de subscrições móveis no país, o que reflete uma adoção progressiva da tecnologia, sobretudo em centros urbanos como Pyongyang. Este crescimento é acompanhado por uma diversificação de marcas locais – como Arirang ou Phurunhanal – que reforçam a narrativa de autossuficiência tecnológica promovida pelo regime.

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