TVs portuguesas recorrem a redes sociais como fonte?

As redes sociais ocupam um lugar pouco relevante nas redacções das televisões portuguesas enquanto fonte noticiosa. A conclusão é de um estudo realizado pela Comunicar-se em parceria com a Faculdade de Letras da Universidade do Porto, no qual participaram a RTP, SIC, TVI, Porto Canal e CMTV.

Por serem vistos como fontes pouco credíveis e sem prestígio, os conteúdos publicados nas redes sociais não têm grande espaço de antena. “Embora os jornalistas possam supervisionar com frequência as informações que circulam no Facebook, Twitter e YouTube, devido ao lugar que estas plataformas ocupam na vida dos indivíduos e, enquanto veiculadoras de informação serem capazes de gerar mobilizações e conversações que podem ser de interesse jornalístico, as fontes tradicionais mantêm um lugar privilegiado no processo noticioso”, indica o mesmo estudo.

Ainda assim, apesar de as redes sociais não serem muito utilizadas, o Facebook é a plataforma a que os jornalistas dos canais de televisão inquiridos mais recorrem. Somente no caso da SIC se verifica a mesma percentagem de utilização do Facebook e Twitter (45%), sendo que o Porto Canal e a CMTV não utilizam a rede social do passarinho azul em qualquer circunstância.

O YouTube também não é, de todo, utilizado pela SIC e TVI. Já a RTP, Porto Canal e CMTV mostram recorrer à plataforma de vídeo da Google em 5, 19 e 14%, respectivamente.

Quanto ao uso que os inquiridos dariam a uma temática interessante observada nas redes sociais, 95% dos jornalistas da RTP refere procurar contactar a fonte e fazer contraditório. A mesma opção é apontada por 80% dos inquiridos da SIC, 62% da TVI e 88% do Porto Canal. A CMTV, por seu turno, usaria, na sua maioria, o conteúdo publicado na plataforma para redigir a notícia, citando a fonte.

O mesmo estudo procurou saber se os inquiridos já tinham publicado notícias com base em informações encontradas nas redes sociais que tivessem, posteriormente, sido desmentidas: 82% disse que tal nunca tinha acontecido e 18% afirmou que sim. Do sim, 20% corresponde a jornalistas da SIC, 25% do Porto Canal e 71% da CMTV. Os inquiridos da TVI e RTP garantem nunca ter passado por uma situação destas.

Por fim, o estudo indica que fontes oficiais estatais e fontes documentais/investigação são as principais fontes noticiosas utilizadas na construção de peças jornalísticas. Seguem-se os press releases, contactos pessoais e fontes oficiais não estatais.

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