NICS: Criatividade felina

O trabalho de Ricardo Araújo Pereira e Miguel Góis tem vindo a ser apreciado ao longo dos anos, com especial destaque para os Gato Fedorento. Agora, decidiram aplicar a criatividade ao serviço das marcas, criando a agência de publicidade Nome Inglês Com Style (NICS).

A NICS assume-se como uma agência multidisciplinar, composta por uma equipa focada em impulsionar o alcance da comunicação dos seus clientes, recorrendo a diversas plataformas e seguindo um determinado framework. Acredita que os consumidores estão saturados de mensagens, e que pensar fora da box já não basta… até porque afirma que já nem box têm.

O primeiro cliente angariado foi a Dr. Bayard, tendo, recentemente, conquistado a conta da Bet.pt. Tendo os “gatos” como directores criativos, a NICS é composta também por Tiago Gama Rocha, estratega, Gustavo Magalhães, gestor de projectos, e João Rito, produtor executivo/realizador.

Para encarar o mercado, a agência aposta na utilização de uma linguagem verdadeira e diferente da que se utiliza no sector publicitário, sendo a chave para o sucesso da agência, juntamente com ideias irreverentes e próximas, que façam sentido na linguagem digital.

O que levou dois humoristas a criarem uma agência de publicidade? E como fazer que se destaque no mercado?

Ricardo Araújo Pereira: A motivação foi a mesma de todas as outras coisas que temos feito: pensámos que talvez pudesse ser divertido. A primeira coisa a fazer era arranjar um modo de nos distinguirmos num meio em que quase todas as agências têm um Nome Inglês Com Style. Julgamos que isso foi plenamente conseguido.

O que distingue a NICS de outras agências de publicidade?

RAP: Não sei o que acontece nas outras agências. Nesta, nós estamos mais interessados na criatividade do que no resto. Não temos jeito para o aparato técnico. O primeiro cliente da NICS foi a Dr. Bayard.

Como angariaram este projecto?

João Rito: Queríamos que o nosso primeiro cliente fosse uma marca 100% portuguesa. Uma marca com história, que estivesse na cabeça dos portugueses. Depois de uma análise ao mercado, percebemos que a Dr. Bayard encaixava perfeitamente no que estávamos à procura. Entrámos em contacto directamente com o Daniel Matias, director de Marketing da marca, e o resto do processo foi muito fácil.

Desde então, que outros projectos já foram angariados?

MG: Fomos escolhidos pela Bet.pt para sermos a sua agência para o ano de 2019, tendo desenvolvido a última campanha televisiva e para plataformas digitais.

 

De que forma têm procurado chegar a novos clientes?

Tiago Gama Rocha: Telefone, e-mail e, não raras vezes, redes sociais. No entanto, estamos a pensar adoptar as saídas regulares ao LUX.

JR: Mas fazemos tudo isto com muita calma. Somos uma pequena agência/produtora e, enquanto pudermos, preferimos que assim se mantenha.

Tendo em conta o background dos directores criativos, serão principalmente procurados para campanhas de humor? Ou alargarão o processo criativo?

RAP: Essa é, digamos, a nossa especialidade. No entanto, estamos preparados para provocar no público outras emoções menos profundas do que o riso. Nomeadamente com recurso a histórias ternas, que envolvam crianças e cães.

O Miguel Góis e o Ricardo Araújo Pereira trabalharam juntos vários anos na elaboração de guiões e sketches. Essa sinergia permite ter uma visão mais alinhada dos conceitos criativos para os clientes?

Miguel Góis: Uma coisa que estamos a notar nas abordagens que nos fazem é que o mercado está sedento de agências que forneçam conteúdos de qualidade. Já se percebeu que a dificuldade em conquistar a atenção do consumidor faz com que a qualidade do texto seja, actualmente, um critério diferenciador entre agências. Sentimos que, salvo uma excepção ou outra, é nesse campo que está a maior lacuna das agências portuguesas e esperamos poder contribuir para minorar esse problema, com a nossa experiência.

Que balanço fazem dos primeiros meses de actividade da agência?

JR: Estou cheio de nódoas negras.

TGR: Os primeiros meses foram essenciais para encontrar a melhor forma de trabalhar em equipa, entender o mercado da criatividade, e conquistar os primeiros clientes.

Os percursos do Ricardo Araújo Pereira e Miguel Góis são conhecidos. Qual o background dos elementos Tiago Gama Rocha, Gustavo Magalhães e João Rito?

TGR: Sou especialista em conteúdos interactivos, automação e personalização de experiências digitais. Gosto de inspirar as futuras gerações, o que se reflecte tanto na carreira de docente na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, como na minha carreira de formador na Academia de Software. O meu doutoramento em Media Digitais pelo Programa UT Austin | Portugal fez de mim um creative technologist, tendo desde então fundado vários projectos colaborativos como Emergence Hackathon, Hideki e Openfield Creative Lab.

O Gustavo é investigador na área de media digitais, tendo colaborado em instituições como a Universidade do Texas, em Austin, o Grupo do Banco Mundial, o Code for America, o GovLab e o Center for Open Data Enterprise. A sua especialização em dados abertos já o levou como consultor a colaborar no desenvolvimento de estratégias de dados com governos de países tão diversos quanto Moçambique, Portugal, Gana e o Estado da Palestina.

JR: Eu sou quem materializa as campanhas que esta malta idealiza. São 10 anos a trabalhar como realizador e produtor executivo. Tive alguns projectos onde era sócio e por isso mesmo aprendi a “montar o circo”. Nos anos que estive na Garage, dediquei-me exclusivamente à realização. Ver aquela equipa a trabalhar devia fazer parte da experiência de qualquer realizador.

Tendo em conta que os fundadores têm outras actividades profissionais, o volume de trabalho da NICS estará sempre dependente da disponibilidade dos directores criativos? Ou seja, equacionam vir a dedicar a maioria do seu tempo a este projecto? Ou farão apenas trabalhos pontuais?

MG: Gostávamos imenso de dizer que temos um plano. Mas, na verdade, nunca tivemos. Quando começámos os Gato Fedorento na SIC Radical, a única coisa que queríamos era fazer um programa com as ideias que tínhamos e que não cabiam em mais nenhum projecto televisivo para os quais escrevíamos na altura. O resto aconteceu sem nós o termos antecipado. O que sabemos é que, por agora, a dupla criativa da Nome Inglês Com Style sou eu e o Ricardo, e tem dado perfeitamente para as encomendas.

Suponho que, mais cedo ou mais tarde, teremos que contratar outros criativos e, em certos projectos, remetermo-nos para o papel de directores criativos, mas ainda não se vislumbra esse cenário, nem nada que se pareça.

Quais os principais objectivos da NICS para este ano?

JR: Os objectivos não mudaram — “ajudar a vender todos os produtos que as marcas que os contratarem tiverem no armazém”.
TGR: Ter uma linguagem verdadeira e diferente do que a Publicidade faz atualmente, com ideias irreverentes e próximas, que façam sentido na linguagem digital e na forma como as pessoas consomem conteúdos atualmente. Não queremos ser chatos, nem impor ideias. Não queremos ser invasivos. Queremos envolver, fazer com que as pessoas prestem atenção, e se divirtam acima de tudo. Acho que isso traz uma grande valia para a [nics], essa naturalidade, essa comicidade.

 

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