Chegou a hora! | O grande momento aproxima-se

Sofia Serrano | Médica especialista em Ginecologia e Obstetrícia e blogger em Café, Canela & Chocolate (http://cafecanelachocolate.sapo.pt)

Depois de nove meses ou 40 semanas de espera, aproxima-se o grande momento: aquele em que vamos conhecer, finalmente, o nosso bebé

O aproximar da data prevista para o nascimento traz consigo um misto de emoções e dúvidas: será que vai correr tudo bem? Será como imaginamos? Será um parto fácil e rápido? Ou terá de ser cesariana? Será na data prevista?

O importante é respirar fundo, ter a mala preparada para quando for para a maternidade e seguir os conselhos do seu médico ou enfermeiro – e ler todas as nossas dicas importantes!

Preparação para o parto

É uma boa ideia frequentar algumas aulas de preparação para o parto, para sabermos o que esperar deste momento, reduzir a ansiedade e aprender dicas para respirar ou fazer força para ajudar no nascimento. Geralmente os cursos de preparação para o parto ocorrem a partir das 24-28 semanas de gravidez e envolvem também o pai, para que ambos os progenitores possam sentir-se apoiados nos desafios da parentalidade.

Conhecer a maternidade

Também é importante visitar a maternidade onde se planeia ter o parto, para estar confortável com o espaço físico e ter algum contacto com a equipa que a irá receber, para além de poder confirmar a lista do essencial a levar. A mala para a maternidade deve estar pronta a partir das 32/34 semanas, porque há alguns bebés apressados! Ter um plano de parto ajuda a maioria das grávidas a sentir-se mais confortável – e uma lista das músicas preferidas para ouvir durante o tempo de espera até ao nascimento pode ser uma excelente ideia!

Os diferentes tipos de parto

Está demonstrado que o parto “normal”, ou seja, o parto vaginal, é o mais benéfico, quer para o bebé, quer para a mãe, e permite um contacto pele com pele imediato, muito importante para o estabelecimento da ligação mãe-bebé. Neste tipo de parto, o bebé atravessa o canal de parto e vagina, recebendo bactérias maternas benéficas, que vão ser fundamentais para a composição da flora intestinal e que vão influenciar a sua saúde no futuro. Para a mãe, a recuperação é mais rápida e é mais fácil que ocorra a subida do leite, existindo um menor risco de complicações, como infecção ou hemorragia. Verifica-se também que, após um parto normal, é mais fácil o estabelecimento da amamentação.

Outros casos

Nalguns casos, por motivos variados, como, por exemplo, a exaustão materna, e para evitar situações de risco, quer para a mãe, quer para o bebé, pode ser preciso dar uma ajuda no nascimento, através do uso de fórceps ou ventosa – o chamado parto “instrumentado”. É mais provável que neste tipo de parto seja necessário realizar a chamada “episiotomia”, um corte no períneo para facilitar a saída do bebé.

O parto instrumentado tem mais riscos que o parto normal: para a mãe, risco de lacerações a nível vaginal e um risco de incontinência; para o bebé, um risco mínimo de hematomas e de lesão do nervo facial.

Em algumas situações, a escolha mais acertada para o nascimento será a cesariana. Neste tipo de parto, realiza-se uma cirurgia, ou seja, um corte no abdómen materno e no útero, para permitir que o bebé nasça por essa via. É o parto com mais risco para a mãe, em particular de hemorragia e infecção, e com uma recuperação mais lenta e demorada, visto tratar-se de uma cirurgia. Sabe-se que neste tipo de parto, não existe a colonização do bebé com as “bactérias boas”, que os nascidos de parto normal adquirem.

No entanto, em muitas situações é a melhor opção para mãe e filho, como nos casos de sofrimento fetal, quando o bebé é muito grande para a bacia da mãe, ou em muitos casos de bebés pélvicos (os que estão “sentados”), entre outros motivos. A decisão do tipo de parto é sempre feita pela equipa médica presente, que decidirá o melhor para mãe e filho.

Independentemente do tipo de parto, este é um momento de grande emoção para os pais. O nascimento do nosso bebé é um momento simplesmente inesquecível – e é só o início do grande desafio da parentalidade!

Como perceber que a hora está a chegar

Estima-se que somente 20% dos bebés nasçam na data prevista, por isso, o início do trabalho de parto pode ocorrer mais cedo ou após as 40 semanas.

Há alguns sinais que mostram que o nascimento pode estar para breve:

_ rotura da bolsa com saída de líquido amniótico;

_ contracções regulares (por exemplo, de 10 em 10 minutos durante uma hora);

_ saída do “rolhão mucoso” – uma pequena perda de sangue associada a um material gelatinoso.

Perante os sinais referidos, deve dirigir-se à urgência do seu hospital ou maternidade para confirmar se de facto se aproxima a hora do parto. Geralmente, é feito um exame designado CTG (cardiotocografia) para perceber se há contracções regulares e bem-estar fetal, e, se necessário, será avaliada a dilatação do colo do útero – o chamado “toque”.

Se existir dilatação e contracções regulares, ou bolsa rota, é muito provável que a futura mãe fique internada. Noutros casos, pode tratar-se de um “falso trabalho de parto” e ainda ser possível ir para casa.

Na maioria das maternidades, se o início do trabalho de parto não ocorrer até às 41 semanas, propõe-se à grávida o internamento nesta data, para indução do trabalho de parto.

Quando a grávida está na fase activa do trabalho de parto, geralmente quando ultrapassa os três centímetros de dilatação, e não tendo contra-indicações para tal, pode escolher fazer analgesia epidural – uma “picada” nas costas, que permite colocar um catéter por onde se injectam substâncias que vão permitir minimizar a dor das contracções.

Artigo publicado na revista Kids Marketeer nº3 de Março de 2018.

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