Canções de amor e vinho

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«A arte, a música e o vinho têm muita coisa parecida, no plano negativo e no positivo. » Dirk Niepoort é homem de convicções e sabe que há projectos que abrem portas para o mundo. O “Wine Album” pode ser um deles, tanto mais que chama a si o melhor de dois mundos: um winemaker que gosta de música, precisamente Dirk Niepoort; e um músico – Pierre Aderne – apreciador de vinho!

«Já nos conhecemos há muito tempo. Um dia, na Quinta de Nápoles, enquanto bebíamos um Vinho do Porto, falei ao Pierre de um projecto que já tinha há algum tempo chamado Nat’Cool. Sem lhe explicar muito, o Pierre percebeu tudo. Só me disse que tínhamos que acrescentar uma musiquinha…», recorda Dirk. A verdade é que à primeira música juntaram-se vários músicos e uma semana depois da primeira conversa e copo, partiam todos para Nova Iorque, 12 no total. Pela cidade que nunca dorme deixaram- -se ficar ao longo de duas semanas, sempre em comunidade e onde verbos como compor, cozinhar, cantar, abrir garrafas e gravar – com Hector Castillo, vencedor de oito Grammys – foram fazendo a rotina. «Fiz de sommelier, de cozinheiro… foi uma das semanas mais bonitas da minha vida», lembra com emoção Dirk Niepoort.

Já em Lisboa haveriam então de finalizar o álbum, que não é mais que «uma colecção de canções de amor e de vinho», como lhe chama Pierre Aderne, e de que Dirk é um verdadeiro cúmplice.

O álbum acaba por ser o primeiro resultante da tertúlia musical Rua das Pretas, reuniões semanais por onde já passaram mais de 140 músicos e de 4000 pessoas. Aqui, há dois fios que se tecem e cruzam: o vinho e a música. Só para se ter uma ideia, em apenas um ano foram abertas mais de 1700 garrafas de amigos winemakers como Luís Cerdeira (Soalheiro), Tiago Dias da Silva (Quinta Maria Izabel), Miguel Louro Filho (Apelido), Francisco Bento dos Santos (Monte Doiro), Julia Kemper, Rita Nabeiro (Adega Mayor), Fernando Coelho (Quinta dos Tourais), António Maçanita e, claro, Dirk Niepoort. Do “Wine Album” fazem parte 10 músicas inéditas que passeiam por bossas, fadinhos, folk e jazz, para além do tema revisitado, “Vinho do Porto”, de Carlos Paião.

É um álbum sem correcções, feito como o vinho que Dirk gosta, ao natural. Porque, como lembra, «há pequenos erros que não são defeitos, são virtudes». O menos é mais. Como nos vinhos que assina. Por isso, para acompanhar melodias e faixas, foram produzidos vários vinhos, entre eles, um Verde branco, um tinto da Bairrada, um do Douro, vinhos estes que o produtor quis que se inserissem no seu conceito Nat’Cool, o mais puros possível.

Se este pode ser o primeiro projecto de um conjunto mais alargado? «Acho que sim», diz Dirk. «Mas se me perguntarem qual é o significado disto tudo, não sei explicar bem, não há uma razão muito clara. Mas sei que pode levar a cultura portuguesa – seja uma fadista ou uma guitarra portuguesa – lá para fora, com vinho. Metade das músicas foram criadas à volta de uma mesa. Este álbum e este projecto também transmitem isso, o que se vive à volta de uma mesa, o ambiente de partilha…», refere ainda.

Movimento sem maquilhagem

Pelo meio de tudo há então o ponto de partida, o projecto Nat’Cool de Dirk. «É um conceito. Hoje chamo-lhe movimento, em que o menos é mais, em que faço vinhos que não são maquilhados, nem feitos com técnicas exageradas. De preferência sem serem filtrados e sem leveduras», vai expondo, com a certeza – mais uma vez – de quem gostava que este movimento não fosse nacional, mas mundial, com o nascimento em Portugal. Por isso, a ideia é abri-lo a bons produtores que adiram a esta filosofia, tanto cá como fora. «O vinho Verde Rua das Pretas é um bom exemplo. Dá gosto beber, não é sulfuroso, mas é difícil fazer e tive que ir aprender com os velhotes…», conta a rir.

Este é, de resto, o vinho que desde há três anos sonha que venha a ser bebido em Berlim, Londres ou Noruega. E como Dirk desde sempre defendeu, “Tu podes, assim tu queiras”, aqui chegou. Claro que sabe que, para já, é um projecto português. Lá caminhará, para o estatuto de mundial. Mas, isso, demorará o seu tempo e cuidado. «Não tenho esse tempo, neste momento, mas vai acontecer…»

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