“Comprar uma marca não significa abdicar da estratégia; significa encurtar uma parte importante do caminho”, Sérgio Duarte, CEO da Brands Capital

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Sandra M. Pinto
12/06/2026
10:52
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Sandra M. Pinto
12/06/2026
10:52

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Durante muito tempo, criar uma marca foi visto como o primeiro passo natural de qualquer negócio, mas também como um dos processos mais lentos e complexos do seu arranque. Entre validações legais, identidade visual, domínios digitais e decisões estratégicas, o tempo de lançamento de um projeto podia facilmente prolongar-se durante meses. É precisamente para responder a essa realidade que nasce a Brands&Go, uma plataforma da Brands Capital que propõe uma abordagem diferente ao mercado da propriedade intelectual: em vez de partir do zero, disponibiliza marcas já estruturadas e prontas a serem utilizadas, acelerando o caminho entre a ideia e a execução.

Por Sandra M. Pinto

Nesta entrevista, Sérgio Duarte, CEO da Brands Capital, universo ao qual pertence a Brands Capital, explica como surgiu este conceito, de que forma está a transformar a forma como se criam e transacionam marcas em Portugal e qual o potencial de um mercado onde nomes, identidades e domínios passam a ser encarados como verdadeiros ativos económicos.

O que levou à criação da Brands&Go e como se diferencia de outras soluções de registo e compra de marcas?
A Brands&Go nasceu da perceção de que criar uma marca ainda é um processo demorado e complicado. Entre encontrar um nome disponível, perceber se a marca pode ser registada, tratar da identidade visual, garantir o domínio e esperar pelos processos legais, muitas vezes passam-se meses até um projeto conseguir arrancar.
Quisemos simplificar esse caminho. A Brands&Go disponibiliza marcas que já estão estruturadas e prontas a usar, muitas delas já com logótipo, domínio e identidade visual associados. No fundo, a ideia é reduzir a burocracia, ganhar tempo e permitir que empresas e empreendedores se possam focar mais no negócio e menos em todo o processo de criação da marca.
Não estamos só a ajudar alguém a começar um processo de registo, estamos a criar um verdadeiro marketplace de ativos de marca. Ou seja, em vez de partir sempre de uma folha em branco, o comprador pode escolher uma marca que já foi pensada, trabalhada e estruturada, muitas vezes já com identidade própria e potencial de utilização comercial. A plataforma aproxima quem tem ativos de propriedade intelectual que não está a utilizar e quem quer lançar ou acelerar um negócio sem ter de começar tudo do zero.

Na sua opinião, vale mais a pena criar uma marca do zero ou adquirir uma marca já existente? Porquê?
Depende muito do objetivo, do timing e da fase em que o projeto está. Criar uma marca do zero faz sentido quando existe uma visão muito específica e quando a empresa quer construir tudo de forma altamente personalizada desde o início. Mas isso exige tempo, recursos e um processo que pode ser bastante exigente.
Por outro lado, adquirir uma marca já existente pode ser uma solução muito mais rápida e eficiente para quem quer acelerar a entrada no mercado. A grande vantagem é ganhar tempo e reduzir alguma da incerteza associada ao processo. Muitas vezes já existe um nome validado, um domínio disponível, uma identidade construída e uma base pronta a trabalhar.
Comprar uma marca não significa abdicar da estratégia. Significa encurtar uma parte importante do caminho e poupar tempo e energia para o crescimento do negócio.

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Que tipos de ativos podem ser comprados ou vendidos na plataforma e qual tem sido a procura mais forte até agora?
Na Brands&Go podem ser comprados e vendidos vários tipos de ativos ligados à construção de uma marca. Há soluções mais simples, que incluem apenas o naming, e outras mais completas, que podem juntar identidade visual, domínio digital e até marcas já registadas. A ideia é precisamente adaptar as soluções às necessidades específicas de cada projeto e ao nível de maturidade de cada negócio.
Temos já uma grande diversidade de setores representados na plataforma, desde turismo e hotelaria até restauração, bebidas, software, saúde, marketing, imobiliário, eventos ou produtos alimentares.
Naturalmente, aquilo que gera mais interesse são os ativos que conseguem resolver várias necessidades ao mesmo tempo: um nome forte, uma identidade visual, e potencial de aplicação comercial imediata. Setores como turismo, serviços digitais, alimentação, bebidas, saúde ou negócios locais acabam por ter uma procura muito grande porque são áreas onde a rapidez de lançamento e a diferenciação da marca fazem mesmo diferença.

Que fatores tornam uma marca valiosa no mercado atualmente?
O valor de uma marca resulta de uma combinação entre proteção, diferenciação e capacidade de gerar negócio. Uma marca torna-se mais valiosa quando tem um nome memorável, fácil de pronunciar, distintivo, juridicamente defensável e ajustado a uma categoria com procura. O domínio digital, quando incluído, também pesa muito, porque a presença online faz parte da identidade comercial.
Além disso, uma marca vale mais quando transmite confiança, tem potencial de expansão e pode ser aplicada em diferentes canais, desde o comércio eletrónico às redes sociais, passando por embalagens, publicidade e parcerias. No mercado atual, o valor não está só no nome, está na capacidade de transformar esse nome num ativo comercial escalável.

Qual é o papel da identidade de marca na hora de escolher uma marca já existente para aquisição?
A identidade de marca acaba por ter um papel muito importante porque é o primeiro contacto emocional e visual entre um projeto e o mercado. Quando alguém compra uma marca que já existe, não está só a comprar um nome está a comprar um posicionamento, uma imagem e uma perceção. Um bom nome, um logótipo bem trabalhado e uma identidade visual consistente ajudam logo a perceber se aquela marca faz sentido para o público, para o setor e para o tipo de negócio que se quer desenvolver. Uma boa identidade facilita muito o arranque. Reduz o esforço inicial de comunicação, torna mais simples apresentar o projeto a clientes, parceiros ou investidores e dá uma base mais sólida para começar a trabalhar a presença digital, campanhas e materiais comerciais.

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Quantos ativos com potencial comercial permanecem atualmente sem utilização em Portugal?
Não existem números oficiais para os ativos de marca com potencial comercial que não estão a ser utilizados em Portugal, mas são muitos. Só em 2024, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial registou mais de 21 mil pedidos de marcas. Este número mostra que existe uma enorme dinâmica na criação de marcas, mas também mostra outra coisa. Mostra que muitos desses pedidos ou não avançaram ou mudaram de direção, pelo que existe um número significativo de ativos com potencial que ficam simplesmente parados.
A Brands&Go viu em tudo isto uma oportunidade. A ideia é dar visibilidade e liquidez a esses ativos, permitindo que marcas que hoje estão adormecidas possam ganhar uma vida nova através de outros projetos e de outros negócios.

Como vê o mercado nacional de propriedade intelectual e marcas registadas? Há espaço para crescimento neste setor?
Vemos o mercado português de propriedade intelectual como um mercado em crescimento, mas ainda pouco explorado. As empresas e os empreendedores já estão mais conscientes da importância de proteger marcas, nomes, domínios e ativos digitais. Os dados do Instituto Nacional da Propriedade Industrial confirmam isso mesmo. Em 2024, os pedidos de marcas e outros sinais distintivos do comércio cresceram quase 3% face ao ano anterior. Existe, ainda, muito espaço para uma evolução na forma como estes ativos são valorizados do ponto de vista económico. Em Portugal, muitas vezes as marcas continuam a ser vistas sobretudo como um registo administrativo, quando na verdade podem e devem ser vistas verdadeiros ativos, que se podem vender, comprar e licenciar.

Como funciona o processo de registo e transação de marcas na plataforma para compradores e vendedores?
Para o comprador, o processo é bastante simples e funciona como um marketplace especializado. A pessoa pode explorar as marcas disponíveis, ver a descrição de cada uma e perceber o que está incluído em cada pacote, seja o naming, a identidade visual, o domínio ou outros elementos associados. Depois escolhe a marca que melhor se encaixa no seu projeto e, após a compra, recebe todos os direitos incluídos. Quando existe domínio associado, também é tratado o processo de transferência.
Do lado do vendedor, o funcionamento também é muito simples. O registo dos ativos na plataforma é gratuito e só existe comissão quando a transação se concretiza. Isto ajuda a reduzir barreiras à entrada e incentiva quem tem marcas, domínios ou identidades visuais sem utilização a colocá-los no mercado.

Há algum critério de avaliação ou curadoria para garantir a qualidade e segurança das marcas listadas?
Sim, existe. Cada marca tem de ser apresentada de forma clara e transparente para não haver dúvidas e o comprador saber exatamente o que está a comprar. Isto porque os conteúdos variam bastante. Há casos em que incluem apenas o naming, outros em que incluem identidade visual, domínio ou mais ainda. A plataforma utiliza também métodos de pagamento certificados e seguros, o que garante a proteção dos dados e da transação. E há também outro ponto importante, cada marca é vendida apenas uma vez, o que assegura exclusividade total depois da compra.

Que feedback têm recebido dos utilizadores desde o lançamento da plataforma?
Temos tido um feedback muito positivo, sobretudo pela clareza da oferta e pela rapidez do processo. Do lado dos compradores, a principal vantagem está em poderem aceder a marcas já prontas, comparar opções e perceber logo o que está incluído em cada uma. Isso torna a decisão muito mais simples e direta. Para os vendedores, a plataforma permite dar uma nova vida a marcas, domínios ou identidades que estavam parados, transformando-os em ativos com verdadeiro potencial de venda.
Ao mesmo tempo, este tipo de marketplace também acaba por ter um efeito interessante de educação do mercado. Muitas pessoas começam por olhar para uma marca apenas como um nome, mas acabam por perceber que estão, na verdade, perante um ativo de propriedade intelectual com valor económico real. E esse talvez seja um dos impactos mais relevantes deste modelo.






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