A Bloomer Events aposta em activações imersivas e estratégicas nos festivais de música para se aproximar do público
O contacto entre marcas e consumidores tem vindo a evoluir de forma significativa nos últimos anos, sobretudo no contexto dos festivais de música, onde as experiências de marca assumem um papel cada vez mais central. Em entrevista à Marketeer, Joana Grácio, CEO da Bloomer Events, explica como a marca se está a preparar para responder a esta evolução, apostando na criação de activações mais estratégicas, relevantes e memoráveis para o público.
Os festivais de música transformaram-se em plataformas privilegiadas de contacto entre marcas e consumidores. Como é que a Bloomer Events olha para esta evolução do marketing experiencial em Portugal e como se tem adaptado?
Os festivais de música deixaram de ser apenas momentos de entretenimento para se tornarem verdadeiros ecossistemas de relacionamento entre marcas e pessoas. Hoje, os consumidores procuram experiências autênticas, relevantes e alinhadas com os seus valores, e os festivais oferecem um contexto único para essa ligação acontecer de forma natural.
Na Bloomer temos acompanhado esta evolução de perto, adaptámo-nos e passámos de uma lógica de execução para uma abordagem cada vez mais estratégica, onde cada activação é desenhada para responder a objectivos concretos de marca, seja notoriedade, engagement, experimentação de produto ou construção de afinidade emocional. O foco já não está apenas na presença, mas no impacto e na relevância da experiência criada.
Hoje, já não basta “estar presente” num festival: é preciso criar experiências memoráveis. O que distingue uma activação de marca realmente impactante num ambiente tão competitivo e saturado de estímulos?
Uma activação impactante é aquela que consegue criar uma ligação emocional genuína com o público. Num contexto onde existem dezenas de marcas a competir pela atenção dos festivaleiros, o factor diferenciador está na capacidade de oferecer algo útil, surpreendente ou emocionalmente relevante.
As experiências mais eficazes são aquelas que fazem sentido naquele contexto específico, respeitam a identidade da marca e acrescentam valor à jornada do participante. Quando uma activação consegue ser memorável sem parecer intrusiva, aumenta significativamente a probabilidade de gerar afinidade e recordação positiva.
Que tendências mais significativas estão a marcar as activações de marca nos festivais de Verão – é mais tecnologia, gamificação, personalização, sustentabilidade ou conteúdo para redes sociais?
Diria que a grande tendência é a combinação inteligente de vários destes elementos, até porque a tecnologia continua a desempenhar um papel importante, mas já não é um fim em si mesma; a sustentabilidade deixou de ser um elemento opcional. Aquilo que vemos actualmente é uma crescente procura por experiências personalizadas, participativas e alinhadas com os valores dos consumidores.
A autenticidade tornou-se uma exigência dos consumidores, sobretudo por parte das gerações mais jovens. Como podem as marcas evitar activações “forçadas” e criar ligações genuínas com os festivaleiros?
A autenticidade nasce da coerência. Quando existe alinhamento entre aquilo que a marca comunica, o que representa e a experiência que oferece, a ligação ganha vida de forma natural e a verdade é que os consumidores mais jovens são particularmente atentos a mensagens artificiais ou oportunistas.
Por isso, as marcas devem compreender verdadeiramente o contexto cultural dos festivais e criar experiências que acrescentem valor. Mais do que falar para as pessoas, é importante criar oportunidades para as ouvir e para interagir.
Quais são os principais erros que as marcas continuam a cometer quando investem em presença em festivais de música?
Um dos erros mais comuns é encarar a presença num festival apenas como uma oportunidade de visibilidade. Investir num espaço fisicamente atractivo, mas sem uma estratégia clara de interacção. Outro erro frequente é replicar formatos sem considerar as especificidades do público ou do evento. Cada festival tem uma identidade própria e exige abordagens distintas.
Este artigo faz parte do Caderno Especial “As Marcas na Música e os Festivais Verão” da edição de Julho (n.º 360) da Marketeer.












