“O programa ‘Stand Up’ é central na missão da nossa marca”, Candice Lamoine, General Manager da L’Oréal Paris Espanha & Portugal

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Sandra M. Pinto
04/05/2026
11:20
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Sandra M. Pinto
04/05/2026
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A L’Oréal Paris reforça em Portugal o seu compromisso no combate ao assédio em espaços públicos com o lançamento da campanha “Missed Opportunities”, integrada no programa global Stand Up, desenvolvido em parceria com a ONG Right To Be. A iniciativa surge na sequência de um estudo da IPSOS que evidencia a elevada prevalência de assédio no país e o impacto direto que este fenómeno tem na vida quotidiana das mulheres.

Por Sandra M. Pinto

Para compreender os objetivos da campanha, os dados que a sustentam e a estratégia da marca para promover mudança comportamental, falámos com Candice Lamoine, General Manager da L’Oréal Paris Espanha & Portugal, que explica como a marca pretende transformar sensibilização em ação concreta através de formação e ferramentas de intervenção segura.

O que motivou a L’Oréal Paris a lançar a campanha “Missed Opportunities” em Portugal?
A decisão foi motivada pela grave realidade revelada pelo nosso estudo: a situação em Portugal é, em alguns aspetos, mais crítica do que a média global. Enquanto 75% das mulheres a nível mundial já sofreram assédio de rua, em Portugal, esse número chega aos 80%. Ainda mais alarmante é o facto de 51% das mulheres portuguesas terem sofrido assédio só no último ano, um valor significativamente superior à média global de 39%. Através da campanha Missed Opportunities [Oportunidades Perdidas], a L’Oréal Paris quer dar visibilidade ao custo invisível deste comportamento e reafirmar o nosso compromisso com o programa Stand Up (em parceria com a ONG Right To Be), garantindo que as mulheres possam ocupar o seu lugar por direito nos espaços públicos.

De que forma esta iniciativa se integra no programa global Stand Up contra o assédio em espaços públicos?
O Stand Up é o nosso programa global a longo prazo, lançado em 2020, que já formou mais de 4,5 milhões de pessoas em todo o mundo. A campanha Missed Opportunities é o pilar temático deste ano. Esta desloca o foco da conversa de “apenas sofrer assédio” para as “consequências do assédio”. Integra-se no nosso objetivo global de chegar aos 5,5 milhões de pessoas formadas na metodologia dos 5D até ao final de 2026, fornecendo ferramentas concretas para combater um problema que continua a ser subestimado.

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Porque escolheram o conceito de “oportunidades perdidas” como foco central da campanha?
Escolhemos este conceito porque o assédio de rua é muito mais do que um momento passageiro de desconforto; atua como uma barreira estrutural que restringe a liberdade e a autoestima da mulher. O nosso estudo em Portugal revelou uma realidade impactante: 43% das mulheres já recusaram eventos sociais, 20% oportunidades de formação e 21% oportunidades profissionais por medo; um valor que se situa ligeiramente acima da média global de 49%. Ao centrar a campanha nas Missed Opportunities [Oportunidades Perdidas], a L’Oréal Paris pretende destacar como o assédio força as mulheres a adotarem comportamentos que evitam exposição social, prejudicando a sua capacidade de ‘traçar o seu destino’. Através do programa Stand Up, queremos mudar esta narrativa, garantindo que o medo deixa de ser um obstáculo ao potencial das mulheres ou ao seu lugar de direito nos espaços públicos.

O estudo da IPSOS revela que 80% das mulheres em Portugal já sofreram assédio público. Estes dados surpreenderam a marca?
Embora já soubéssemos que o assédio de rua é um problema global, os dados referentes a Portugal são particularmente impactantes. Constatar que 80% das mulheres já foram vítimas (em comparação com os 75% a nível global) e que a prevalência recente (nos últimos 12 meses) se situa 12 pontos percentuais acima da média global (51% vs. 39%) funcionou como um verdadeiro apelo à ação. Isto confirma que o programa Stand Up é mais necessário do que nunca em Portugal, para mudar mentalidades e disponibilizar formação em segurança.

Como explicam que o assédio seja a principal preocupação das mulheres em Portugal, acima de outras questões como a igualdade salarial?
Em Portugal, 50% das mulheres identificam o assédio sexual como o problema mais grave que enfrentam, um valor superior à média global de 49%. Este tema surge à frente da própria igualdade salarial (39%). Isto explica-se pelo impacto imediato na integridade física e mental (que afeta 54% das vítimas). Se uma mulher não se sente segura no simples ato de caminhar para o trabalho ou para a escola, a sua capacidade de atingir objetivos profissionais ou de exigir igualdade salarial fica fundamentalmente comprometida. A segurança é a base do empoderamento feminino, e é por essa razão que o programa Stand Up é central na missão da nossa marca.

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Que leitura fazem do impacto particularmente elevado entre mulheres com menos de 35 anos?
As mulheres mais jovens são os principais alvos. Em Portugal, uns impressionantes 89% das mulheres com menos de 35 anos já sofreram assédio ao longo da vida, e 96% relatam que isso tem um impacto direto nas suas vidas (em comparação com 83% da população feminina portuguesa em geral). Esta é a geração que perde mais oportunidades (62% recusam oportunidades devido ao medo). Isto reforça a nossa urgência em levar a formação Stand Up às universidades e às plataformas digitais, onde este público é mais ativo.

De que forma o medo do assédio condiciona a vida diária, as escolhas e as oportunidades das mulheres?
O medo leva a um estado de vigilância constante. Em Portugal, 74% das mulheres evitam determinados locais e 73% evitam ficar na rua até tarde. Além disso, 63% adaptam o seu vestuário e aparência para ‘evitar problemas’. Estas não são meras escolhas; são estratégias de sobrevivência que resultam em Missed Opportunities [Oportunidades Perdidas]. Através do L’Oréal Paris Stand Up, queremos passar de uma cultura de “evitar” para uma cultura de ‘intervenção e apoio’.

Porque é que tantas pessoas que testemunham assédio não intervêm, apesar da intenção declarada de o fazer?
Existe um enorme desfasamento entre a intenção e a ação. Embora 89% das pessoas em Portugal afirmem que interviriam em casos graves, apenas 63% das que testemunharam um incidente o fizeram efetivamente. O estudo mostra que as barreiras são claras: 85% temem que o agressor se torne violento e 90% concordam que há falta de formação sobre como intervir em segurança. É exatamente esta ‘lacuna de literacia’ que o programa Stand Up pretende colmatar.

Que tipo de formação ou ferramentas o programa Stand Up oferece para incentivar a intervenção segura de testemunhas?
O “coração” do Stand Up é a metodologia dos 5D, desenvolvida em parceria com a04ONG Right To Be: Distrair (desviar a atenção do agressor para proteger a vítima), Delegar (pedir ajuda a alguém próximo ou a uma figura de autoridade), Documentar (registar de forma segura o que está a acontecer), Dirigir (intervir diretamente, sempre que seja seguro fazê-lo) e Dialogar (apoiar a vítima e fazê-la sentir-se segura e amparada). Trata-se de cinco ferramentas simples, seguras e eficazes que permitem às testemunhas intervir sem se colocarem necessariamente em perigo. Em Portugal, 28% das pessoas que não intervieram afirmaram que ‘não sabiam o que fazer’. A metodologia dos 5D colmata precisamente essa falta de conhecimento.

Como pretende a L’Oréal Paris garantir que esta campanha tem impacto real e não se limita apenas à sensibilização?
O impacto mede-se através da formação: atualmente, 30% das pessoas em Portugal conhecem o programa Stand Up (um valor ligeiramente abaixo da média global de 34%). No entanto, 88% manifestam vontade de realizar esta mesma formação. Estamos a concentrar os nossos esforços em tornar a formação dos 5D acessível a todas as pessoas em Portugal, garantindo que a campanha Missed Opportunities [Oportunidades Perdidas] resulte numa sociedade mais preparada e que deixe de ignorar o assédio.

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