Opinião de Rui Sales Rodrigues, diretor de marketing da Kyndryl Portugal
Com o Campeonato do Mundo a acontecer, há algo que se vai tornando evidente jogo após jogo: talento individual faz a diferença, mas raramente é suficiente por si só. As equipas que vão mais longe são, na sua maioria, aquelas que conseguem funcionar melhor como um todo, com coordenação, co-criação, entendimento e uma ideia clara de como jogar em conjunto.
Durante muito tempo, olhámos para o mercado de forma relativamente linear: construir uma proposta forte, diferenciarmo-nos e competir. Esse modelo continua válido, mas já não reflete na totalidade o que estamos a ver.
Os desafios que as organizações enfrentam hoje são mais exigentes, mais interdependentes e menos tolerantes a abordagens isoladas, sobretudo num contexto onde os avanços tecnológicos como a cloud, os dados e a inteligência artificial passaram a ser componentes críticas do negócio. Isso acabou por alterar, de maneira estrutural, a forma como o valor é criado.
Muitas das soluções que chegam ao mercado são, na prática, o resultado de várias capacidades combinadas, refletindo a crescente complexidade dos desafios atuais.
Essa realidade coloca também uma pressão diferente do lado de quem decide. A questão já não é apenas o que comprar, mas com quem trabalhar. A escolha de parceiros tornou-se uma decisão estratégica, com impacto direto na especialização, na eficiência da execução e na forma como se gere o risco, especialmente quando estão em causa sistemas críticos, onde segurança, resiliência e continuidade do negócio são inegociáveis.
Neste contexto, o valor passa cada vez mais pelo ecossistema que se consegue mobilizar.
Durante anos, as parcerias foram vistas sobretudo como um canal ou uma forma de ganhar escala. Hoje, estão cada vez mais na origem das soluções. Trabalhar em conjunto deixou de ser alinhar iniciativas e passou a significar construir ofertas integradas, do desenho à execução.
É precisamente isso que muitas organizações procuram: parceiros que ajudem a simplificar a complexidade, acelerar decisões e garantir maior previsibilidade, particularmente quando combinam novas tecnologias com ambientes críticos de operação.
O marketing também não ficou à margem desta transformação. Hoje está mais próximo das decisões de negócio, ajudando a definir como se vai ao mercado, com quem e com que oferta de valor, especialmente quando as propostas já não são feitas de forma isolada.
Emerge uma evidência: o crescimento deixou de depender apenas do que cada organização consegue fazer isoladamente e passou a depender da forma como consegue trabalhar com outras, e do valor que daí resulta.
E, tal como no futebol, é a força da equipa e da parceria que faz a diferença na hora de chutar à baliza e marcar golo.












