A corrida das empresas à IA pode estar a esbarrar num velho problema: a cloud

IA nas MarcasLinkedin
Marketeer
19/08/2026
16:59
IA nas MarcasLinkedinNotícias
Marketeer
19/08/2026
16:59
A corrida das empresas à IA pode estar a esbarrar num velho problema: a cloud

Partilhar

A inteligência artificial está a acelerar mas as infraestruturas tecnológicas das empresas nem sempre acompanham o ritmo. É esta uma das principais conclusões do novo estudo global da NTT DATA, “Cloud-led innovation in the era of AI: The new rules for driving value with cloud”, que identifica um fosso entre a ambição das organizações para a IA e a sua capacidade de execução sustentada pela cloud.

Escolha a Marketeer como fonte preferida no Google Escolher ›

O estudo, que reúne respostas de mais de 2.300 decisores seniores de 33 países e 13 setores, mostra que apenas 14% das organizações se encontram no nível mais elevado de maturidade na cloud. São as chamadas organizações “cloud evolved”, que combinam uma adoção avançada da tecnologia com impacto efetivo no negócio.

O cenário torna-se particularmente relevante à medida que a IA deixa de ser encarada apenas como uma tecnologia experimental e passa a integrar processos, produtos e modelos operacionais. Para a NTT DATA, a cloud deixou de ser essencialmente uma camada de infraestrutura para assumir um papel de “camada de execução” da IA.

Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade

E é precisamente aqui que surge o problema: 99% das organizações dizem que a IA está a aumentar a sua necessidade de investimento em cloud, mas 88% consideram que os atuais níveis de investimento colocam em risco iniciativas de IA, projetos cloud-native e esforços de modernização.

A contradição é ainda mais evidente quando se olha para a satisfação das empresas, pois embora a cloud seja considerada fundamental para a inovação, apenas 49% estão plenamente satisfeitas com o seu contributo para a inovação. Já a satisfação com o progresso da modernização das tecnologias de informação fica nos 44%.

“Este estudo confirma um ponto crítico: não é a ambição em torno da IA que está a falhar, mas sim a capacidade de execução sustentada pela cloud. As organizações que lideram são aquelas que estão a modernizar aplicações, simplificar arquiteturas e tratar a cloud como uma plataforma estratégica para gerar valor de negócio e não apenas como infraestrutura”, refere Pedro Cruz, partner & head of Infrastructure Services da NTT DATA Portugal, citado em nota de divulgação do estudo.

Continue a ler após a publicidade

Leia também: “Menos barreiras significam menos abandono”: o desafio que as marcas ainda estão a ignorar

A própria NTT DATA considera que a diferença entre organizações mais maduras e as restantes é significativa. As empresas classificadas como cloud evolved têm uma probabilidade quase 2,5 vezes superior de apresentar um crescimento de receita acima de 10% e mais do dobro da probabilidade de operar com margens de pelo menos 15%.

O investimento é, por isso, apenas uma parte da equação. O que está em causa é a capacidade de transformar a cloud numa plataforma para gerar valor de negócio. Um dos principais obstáculos identificados pelo estudo está precisamente naquilo que muitas organizações já têm instalado: aplicações e plataformas de dados legadas. Metade das empresas inquiridas afirma que estes sistemas estão a impedir ou limitar a inovação associada à cloud.

Continue a ler após a publicidade

A arquitetura cloud também está a tornar-se mais complexa, sendo que, em vez de uma escolha entre cloud pública ou infraestrutura própria, as organizações estão a combinar modelos públicos, privados, híbridos e soberanos, em função de necessidades de segurança, privacidade, conformidade e desempenho.

Esta multiplicação de ambientes aumenta também a dificuldade de gestão, com 57% das organizações a identificarem a gestão dos custos da cloud como um desafio, enquanto cresce a expectativa de recurso a plataformas cloud totalmente geridas. O estudo aponta para uma triplicação da utilização deste tipo de plataformas.

A segurança surge, neste contexto, como a principal prioridade de investimento em cloud, mas também aqui existe uma diferença clara entre as empresas mais maduras e as restantes: 68% dos líderes cloud evolved dizem estar muito confiantes na segurança dos seus ambientes, contra apenas 36% das restantes organizações.

As seis regras para transformar a cloud num motor de valor, segundo a NTT Data

  1. As estratégias de cloud e IA devem ser desenvolvidas em conjunto: a procura por IA está a aumentar, mas o alinhamento continua desigual. Os CAIO têm uma probabilidade 22% superior à dos CIO e CTO de afirmar que a IA aumenta as necessidades de investimento em cloud. Além disso, a IA é apontada como a principal lacuna de competências em cloud.
  2. As escolhas de arquitetura cloud determinarão o sucesso ou o fracasso: com as opções de implementação em cloud a influenciarem diretamente os resultados, as organizações estão a adotar cada vez mais uma combinação de modelos de cloud pública, privada, híbrida e soberana. Quase todas esperam crescimento da cloud privada e prevê-se que a adoção de cloud soberana cresça 50% em dois anos.
  3. Repensar a forma como se gera valor de negócio com aplicações modernas: apesar do consenso generalizado de que a cloud deve impulsionar a inovação, metade afirma que aplicações e plataformas de dados legadas estão a travá-la. A modernização é a principal prioridade para os próximos dois anos.
  4. Uma abordagem assente em plataformas já não é opcional: à medida que os investimentos estagnam e os ambientes se tornam mais complexos, mais de metade refere desafios na gestão de custos da cloud e as organizações esperam um aumento de três vezes nas plataformas cloud totalmente geridas.
  5. Redefinir os KPIs da transformação cloud: embora a IA seja fundamental para ajudar as organizações a passar de métricas técnicas para métricas de negócio nas iniciativas cloud, a sua adoção continua desigual. 47% dos líderes em cloud utilizaram IA no seu último projeto de migração para a cloud, em comparação com 35% dos restantes.
  6. Tornar a cloud segura, com foco nos fundamentos: a segurança é a principal prioridade de investimento em cloud, mas a confiança continua desigual: 68% dos líderes estão muito confiantes, contra 36% dos restantes. Os líderes têm também uma probabilidade muito maior de definir funções e responsabilidades claras, apoiadas por auditorias regulares, reforçando a importância dos fundamentos à medida que os ecossistemas tecnológicos se tornam mais complexos.

“O marketing deve deixar de funcionar como uma ‘fábrica de campanhas’ e evoluir para uma verdadeira função de inteligência do cliente”




Subscrever newsletter



Notícias Relacionadas

Ver Mais