Soy un perdedor

Publicidade à  Lupa
Marketeer
01/06/2025
11:02
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Por Andreia Ribeiro, Creative director da Fuel

No outro dia apanhei a minha filha adolescente a ouvir Beck. Eu sei, há coisas piores. Ora, fiz o que qualquer mãe no seu pleno juízo faria: comecei a cantar a música bem alto, coisa que, todos sabemos, as filhas adolescentes adoram que as mães façam. Mas calha que os 2 minutos e meio em que ela esteve bem-disposta nesse mês foram aqueles e vai daí, ela começa a cantar comigo. Eu deveria ter suspeitado logo que algo de muito errado estava prestes a acontecer.

A música era “Loser” e eu sabia-a de cor – como qualquer pessoa que enfrentou a adolescência nos anos 90 saberia – mas ela não. Então, decide ligar aquela função do Spotify que deixa ver a letra conforme a música vai avançando e quando chegámos ao refrão… o meu mundo ruiu.

Sinto-me na obrigação de avisar o leitor que o mesmo lhe pode suceder, caso decida prosseguir com a leitura deste texto.

As palavras que apareceram no ecrã foram as seguintes:

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“Soy un perdedor

I’m a loser baby, so why don’t you kill me?”

Arranquei o telefone das mãos dela. Puxei para trás.

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“Soy un perdedor.”

Gritei. Puxei para trás.

“Soy un perdedor.”

Não sei se estão tão chocados como eu, ou se por acaso já sabiam desta informação dramática, mas a letra não é algo como: “So, walk out the door, I’m a loser baby…”

“Soy un perdedor.” Mas que raio.

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Fiz printscreen e espalhei a palavra por todos os grupos de WhatsApp a que tinha acesso. Comecei a receber mensagens de choque vindas dos quatro cantos do mundo.

E o que tem esta história a ver com publicidade, perguntam vocês e o pessoal da Marketeer que encomendou este texto para integrar uma rubrica chamada Publicidade à lupa?

Vamos a isso.

Aposto que alguns marketeers leram isto e pensaram: deviam ter feito um focus group.

Já os criativos, riram.

Porque sabem que há um elemento na equação da criação que não se pode controlar: o consumidor.

Seja o consumidor de arte, de música, de literatura e, sim, até de campanhas. Porque o que é uma campanha senão uma mistura perfeita de todos os anteriores, em forma de ideia criativa?

Nunca vamos conseguir controlar o que os consumidores fazem com a criatividade que lhes servimos.

É inútil testar em laboratório o ser vivo e mutante que é uma ideia criativa. Simplesmente, não é possível. Porque haverá sempre uma variável independente e impossível de ser manipulada pelo pesquisador: a magia que acontece no mundo lá fora, depois das pessoas tomarem posse do objecto criado.

Resta-nos fazer o nosso melhor e trabalhar em conjunto para criar algo único, relevante e fresco.

E depois, walk out the door.

Artigo publicado na edição n.º 346 de Maio de 2025




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