Opinião de Luis Neves, Head of Communications International Dialogue Centre – KAICIID
A forma como encontramos e digerimos informação sofreu a mudança mais significativa desde o nascimento da Internet.
Atualmente, entre 60% e 83% das pesquisas não resultam em cliques num site. No entanto, os utilizadores que clicam a partir de plataformas de IA demonstram uma conversão 4,4 vezes superior à do tráfego de pesquisa orgânica tradicional, o que revela uma intenção de compra mais elevada, de acordo com um estudo de 2025 da Semrush.
Em vez de irmos ao Google, ou a outro motor de pesquisa, explorar uma lista de links na esperança de que um deles contenha a informação que procuramos, estamos a recorrer a ferramentas como o ChatGPT ou o Google AI Overviews para resumir o que queremos saber e obter uma resposta única, directa e completa.
Durante anos, desde a década de 90 e a massificação do uso da Internet, nós, marketeers e profissionais de comunicação — os Don Drapers modernos — trabalhámos para desenhar copy mais coesa e garantir que éramos os primeiros na longa e louca corrida do algoritmo da Google.
Estávamos à mercê de uma análise que, embora muito semelhante a uma função matemática, equilibrava palavras-chave, relevância, autoridade e posicionamento no texto de forma quase holística. Acabávamos por lutar por espaço num ecossistema em permanente alteração: primeiro com a inclusão do Google Maps nos resultados, depois com os Google Ads, que por si só acrescentaram uma nova frente à batalha por sermos o primeiro resultado.
No entanto, em 2024, a Google lançou a sua experiência de IA generativa na pesquisa, a 14 de maio, com o nome Search Generative Experience, ou SGE, que mais tarde passou por um rebranding para AI Overviews. Sensivelmente um ano depois, em maio de 2025, a empresa detida pela Alphabet Inc. alargou o acesso ao AI Overviews a mais de 200 países e territórios, lançando também um Modo de IA conversacional semelhante ao de outras plataformas.
Sim, eu sei. O SEO não está morto. De todo. Ainda tem um papel, mas já não é o mesmo. Está a sofrer aquilo que muitos de nós, nas áreas do Marketing e da Comunicação, passamos com alguma frequência: está a adaptar-se e a crescer.
Na realidade, o SEO está a atravessar uma crise de identidade. Como um homem nos seus 30 anos que se inscreve numa maratona ou decide fazer o seu primeiro IRONMAN sem saber
bem ao que vai. Do outro lado, sai alguém diferente. Com o conhecimento adquirido, sim, mas muito diferente. Do outro lado está um atleta amador, mais ágil, mais preparado e condecorado com novos títulos: AEO e GEO.
AEO, Answer Engine Optimization, e GEO, Generative Engine Optimization, são a evolução natural do SEO tradicional. O objectivo principal deixou de ser apenas garantir um clique, porque muitas vezes esse clique já não existe. Passou a ser tornar o seu conteúdo a fonte de referência utilizada por motores de busca conversacionais e por ferramentas de IA, como o ChatGPT, Gemini ou Perplexity.
Comecei por dizer: “The SEO King is Dead — Long Live the AI King.”
De acordo com a tradição inglesa, a lei de sucessão determina que a transferência da soberania é instantânea. O herdeiro torna-se monarca no exacto momento em que o seu antecessor sucumbe.
É isto que quero deixar bem claro. A pesquisa de conteúdos através de IA já está aqui. E precisamos de acelerar o passo e começar a pensar nisto desde o início.
Neste momento, temos de criar conteúdos e escrever de forma clara, simples e estruturada, para que possam ser facilmente compreendidos, avaliados e utilizados por modelos de IA. A verdade é que as estratégias de conteúdo estão a obrigar-nos a escrever não apenas para pessoas, mas também, e cada vez mais, para Claude, ChatGPT, Gemini ou Perplexity.
A revolução que estamos a viver exige que acompanhemos a forma como os modelos de IA evoluem e como apresentam conteúdo. E isso só pode ser feito usando esses modelos, trabalhando com eles diariamente e estruturando os nossos conteúdos em função dos novos padrões de pesquisa, pergunta e resposta que a IA está a criar.












