PT quer liderar com MEO

zeinalbava_Com a convergência fixo / móvel a Portugal Telecom acredita que estão reunidas as condições para que o MEO seja líder. Zeinal Bava acredita que a capacidade de trabalhar PC, móvel e televisão é algo que a concorrência não sabe e não vai conseguir fazer.

A nova coqueluche da Portugal Telecom é a 4ª geração móvel, assente na tecnologia LTE (Long Term Evolution). A 4G permitirá usufruir de maiores débitos de transferência de dados e de maior eficiência no acesso a serviços de banda larga móvel que se aproximará da largura de banda presente na rede fixa. Este foi o ponto de partida para uma entrevista com Zeinal Bava, CEO da Portugal Telecom.

Actualmente, a PT tem mais de 51% do seu negócio fora de Portugal e perspectiva vir a atingir os 66% até 2011. O que, nas palavras de Zeinal Bava, «indicia que é uma verdadeira multinacional portuguesa». A empresa está presente em 14 países, onde se destacam o Brasil e países africanos. Actua no fixo, no móvel, na televisão, na internet, na voz e nas tecnologias de informação.

O que é que o 4G fará pelas comunicações que não se consegue com o 3G?

Vai melhorar a experiência do consumidor. Isto significa que quem quer utilizar o seu móvel para aceder à internet, quem quer usá-lo para poder ver televisão em alta definição ou conteúdos em 3D, quem quer interligar-se com a sua comunidade para fazer jogos online usando o seu telemóvel, vai ter uma experiência muito superior àquela que tem hoje. Estamos a falar acima de tudo de disponibilizar uma tecnologia para prestar melhor serviço aos nossos consumidores. E, cada vez mais, uma qualidade de serviço que não permita distinguir se ele está a usar o móvel, o PC ou a tv. Ou seja, a experiência que ele vier a ter vai ser cada vez mais semelhante, convergente, independentemente do equipamento.

Recentemente foi eleito melhor CEO da Europa no sector das telecomunicações, pela Institutional Investor, entidade norte-americana que nomeia os melhores executivos a nível mundial. O que representa esta distinção para si e para a PT?

Acima de tudo representa para a PT um reconhecimento do mercado que as opções tecnológicas que fizemos e a coragem com que investimos e abraçámos muitos desses investimentos são reconhecidos e valorizados pelo mercado. Agradeço sempre ao nosso Conselho de Administração pelo apoio que tem dado à Comissão Executiva e à PT toda porque de facto temos feito propostas arrojadas, agressivas e do ponto de vista da tecnologia corajosas. Esse apoio tem-nos permitido dar passos de gigante na oferta de serviços inovadores em Portugal e no Brasil. Portugal é o terceiro país com maior penetração de banda larga móvel na Europa. É o terceiro país de maior penetração de fibra óptica na Europa. Portugal foi o país que mais construiu casas com fibra óptica na Europa em 2009. No Brasil investimos em terceira geração em 650 municípios. Cobrimos 70% da população brasileira que são 190 milhões de pessoas com 3G e 3,5G. Acho que isto é reconhecido pelo mercado. O facto de estarmos a transformar o nosso modelo de negócio, contrariando as tendências seculares do sector, é reconhecido pelo mercado. Estamos a crescer no fixo, estamos a crescer no móvel, estamos a crescer em Portugal e no Brasil. Isso são sinais reconfortantes para o mercado que a nossa indústria pode efectivamente crescer. Aqueles que acreditavam que a nossa indústria ia implodir em termos de receitas e ia continuar a verificar uma queda de receitas contínua no fixo hoje está a questionar se o caminho para fazer essa transformação não é uma aposta clara em televisão e triple Play que é o que nós fizemos. Não podemos deixar que a dimensão do nosso país seja desmotivadora. Podemos fazer coisas fantásticas em Portugal e fazer de Portugal uma montra interessantíssima para muitos outros países, muitas outras empresas, de como é que se pode fazer bem. Acho que a PT, por exemplo no Meo, tem um excelente exemplo disto, no 3G no Brasil, outro excelente exemplo. E é isso que temos que continuar a fazer.

Apesar dos gestores portugueses serem bem vistos a nível internacional há muitas críticas internamente como as que têm sido feitas aos prémios de alguns gestores portugueses. Os portugueses não percebem a importância dos gestores?

Sobre essa matéria não vou falar porque o Presidente do Conselho de Administração da Portugal Telecom já falou e já explicou também que isto é uma decisão da Assembleia Geral, de uma comissão de vencimentos com o apoio dos accionistas. O que o dr. Henrique Granadeiro disse corresponde a tudo aquilo que eu disse. O que nós, como equipa executiva e como profissionais, temos que garantir é que os accionistas sintam que quando alocamos capital, quando decidimos investir damos retorno. E damos retorno acima da média. Um dos nossos cinco objectivos estratégicos é estar no quartil superior em tudo o que fazemos. Queremos estar entre os melhores da Europa. Sempre, em tudo o que fazemos. Esse é o mandato que temos. Temos que crescer e temos que crescer com rentabilidade.

Acha que de alguma forma a imagem da PT está a ser abalada pelas comissões de inquérito, pelo caso TVI e pelas acusações a Rui Pedro Soares?

A imagem da PT tem que ser definida em cima daquilo que fazemos das nossas marcas comerciais: TMN, Meo, Vivo. Nesse aspecto posso dizer que a Portugal Telecom tem o luxo de poder dizer que as duas marcas de maior sucesso no mercado de consumo em Portugal são da PT, que é o Meo e a TMN. A Portugal Telecom tem o luxo de poder dizer que a marca líder na área das telecomunicações no Brasil também é da PT, que é a Vivo. Por isso penso que acima de tudo os profissionais da PT têm que continuar focados na execução operacional para entregar resultados, para poderem continuar a merecer a confiança dos nossos accionistas, para poder ter capital para, então, poder continuar a investir, e continuar a crescer. É através desse crescimento, com 2/3 do negócio fora de Portugal, que podemos dar sustentabilidade a um projecto de base empresarial português.

Por Maria João Lima

 PARA LER O ARTIGO NA INTEGRA CONSULTE A EDIÇÃO IMPRESSA Nº166

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