Por paragens do Soão

É dos que gosta de experiências gastronómicas, sabores e temperos asiáticos e grandes viagens que fiquem na memória? Sim, são muitos predicados e um cruzamento intenso. Mas tudo se consegue num canto com recanto, onde nos sentimos transportar para outras latitudes assim que passamos a porta da entrada: no Soão, o restaurante pan-asiático que o Grupo SeaMe abriu há já um bom par de meses no bairro de Alvalade, em Lisboa.

Quando se anunciou a abertura, houve quem questionasse a ousadia. Mas o mundo é dos audazes e o chef Luís Cardoso tem vindo a provar que é possível, ainda, fazer diferente e bem, numa oferta que combina diferentes cozinhas orientais.

Se ainda não fez esta viagem? Acompanhe-nos então.

Ainda cá fora, percebe-se que se vai passar “a fronteira”. A fachada de vidro decorada e as portas de madeira remetem desde logo para outras paragens. Já lá dentro, a sensação confirma-se: aterramos num outro continente, com outros aromas – da Índia, China, Japão ou Vietname – e um diferente ritmo, tudo servido em dois pisos que se querem complementares.

Se está em jeito descontraído ou com menos tempo, deixe-se ficar pelo piso de entrada. É aqui que se apresenta a verdadeira taberna asiática desdobrada entre 30 lugares e um balcão de sushi e grelhador robata. É por aqui, também, que se demora o chef executivo Luís Cardoso, que vai encantando quem se senta ao balcão com a sua cadência de corte e tempero e forma de confeccionar alguns pratos. No ar, há perfume a especiarias e sons, muitos sons entre a cozinha e as mesas. Pode achar que está num qualquer bairro de outras paragens. Mas não, está mesmo em plena Lisboa.

Há barris de sakés e um aquário de onde saem as lagostas, os camarões e os lavagantes para as criações do chef. E, depois, há um sem fim de propostas, entre as samosas da Índia, o pad thai da Tailândia, a salada de papaia verde e os dim sum da China. E, claro, não sendo este apenas um restaurante japonês, há sushi e sashimi com diferentes propostas de gunkans, nigiris e makis.

Pode provar, ou deixar-se ficar.

Mas se tem tempo e quer uma experiência mais tranquila, então o convite é para descer um piso. E voltar a entrar em novo mundo. Aqui, no piso inferior, o ambiente é outro, ditado pelo silêncio e moldado pelas quatro salas privadas – Kimono, Bambu, Seda e Veludo -, cada uma com seis lugares. A experiência é intimista e a refeição chega devagar. No nosso caso, pecou apenas pela falta de aconselhamento de quem recebeu, já que perante uma carta alargada e profusamente polvilhada por criações exóticas, é bom uma ou outra dica e recomendação!

O nosso conselho? Tente provar de tudo um pouco. O que nos foi chegando à mesa não tinha reparo a fazer, fosse na frescura dos ingredientes, no modo de confecção ou na combinação de sabores.
Sim, vale muito a pena fazer a viagem até ao Soão!

Nota: O Soão está aberto diariamente para almoços e jantares, de segunda a quinta-feira das 12h30 às 15h30 e das 19h30 às 23h00; sexta-feira das 12h30 às 15h30 e das 19h30 à meia-noite; sábado das 12h30 à meia-noite, e domingo das 12h30 às 23h00.

Texto de M.ª João Vieira Pinto

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