7 em 10 portugueses recorrem ao SNS para prevenir a sua saúde

SaúdeNotícias
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02/06/2026
10:03
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A despesa com o Serviço Nacional de Saúde (SNS), que subiu 9,1% em 2025, e a redução da acessibilidade contribuíram para um agravamento da pressão financeira sobre o SNS, refere a edição deste ano do Índice de Sustentabilidade em Saúde, promovido pela NOVA IMS e a biofarmacêutica AbbVie. Ainda assim, o relatório conclui que há bons indicadores para o sector, nomeadamente ao nível da prevenção.

Em 2025, o Índice de Sustentabilidade em Saúde fixou-se nos 59,3 pontos, numa escala de 0 a 100, reflectindo uma evolução negativa no SNS. Ainda assim, as entidades responsáveis pelo estudo ressalvam que a introdução de uma nova componente, dedicada à prevenção, leva a que os resultados não sejam “directamente comparáveis” com os anos anteriores. Esta vertente junta-se assim às que já eram tidas em conta para avaliar a sustentabilidade do SNS, como a acessibilidade, qualidade (técnica e percepcionada), capacidade e resposta assistencial.

Não obstante essa ressalva, lê-se no relatório que “apesar de algumas dimensões apresentarem resultados positivos, persistem fragilidades importantes, sobretudo ao nível da acessibilidade e sustentabilidade financeira”. Para a deterioração do índice contribuiu, além da subida da despesa, o aumento do stock da dívida vencida (+31%), uma ligeira redução da capacidade assistencial (-1,1%), uma redução “sem expressão significativa” da qualidade técnica (65,4 em 2025 vs. 66,7 em 2024) e a diminuição da acessibilidade técnica do SNS (de 51 pontos em 2024 para 47,6 em 2025), mantendo-se esta como “uma das dimensões mais frágeis do sistema”.

No que diz respeito à nova componente, a capacidade preventiva, os dados revelam que 73% dos portugueses dizem ter realizado acções preventivas no último ano, sobretudo análises (67,8%), consultas de rotina no SNS (61,7%) e exames de diagnóstico (50,6%). O índice de capacidade preventiva situa-se nos 64,7 pontos na escala 0-100.

Além disso, a eficácia, satisfação e confiança no SNS mantêm-se estáveis: a avaliação global da eficácia do SNS situa-se nos 69,9 pontos, com destaque para o impacto positivo na qualidade de vida e estado de saúde dos portugueses, que “continuam a avaliar bem a qualidade dos cuidados, em especial os profissionais de saúde e a informação que recebem.”

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Também a confiança nos cuidados de saúde recebidos evoluiu positivamente, tal como a satisfação dos utentes como o atendimento de urgência, sendo os tempos de espera identificados como o principal ponto fraco.

Além destas conclusões, o relatório refere que o impacto do SNS na produtividade é muito significativo: os cuidados prestados no ano passado permitiram evitar, em média, o equivalente a 11,1 dias perdidos em produtividade. No total, somando o contributo económico directo do SNS em termos de absentismo e produtividade, o retorno económico para a economia é estimado em 10,2 mil milhões de euros. Desde forma, o relatório conclui que “o SNS vale muito mais do que os cuidados que presta, sendo importante o seu papel na promoção do bem-estar da população e na geração de valor económico para o País”.

«Os resultados deste ano mostram que a sustentabilidade do SNS não pode ser avaliada apenas pela despesa ou pela capacidade de resposta. O índice situa-se nos 59,3 pontos, num contexto em que persistem fragilidades relevantes no acesso e uma pressão financeira acrescida, mas também em que os portugueses reconhecem o impacto positivo do SNS na sua saúde, qualidade de vida e produtividade. A grande mensagem é que o futuro do SNS exige uma abordagem integrada: reforçar a prevenção, melhorar o acesso, investir na inovação e garantir que os recursos disponíveis se traduzem em ganhos efectivos para os cidadãos e para o País”, sublinha Pedro Simões Coelho, professor da NOVA IMS e autor do estudo.

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