O que pensam os portugueses sobre Portugal?

Para 46% dos portugueses, o turismo, a educação e a formação deveriam ser as grandes apostas de investimento para o futuro de Portugal. Contudo, a visão não é tão coesa quando a questão é analisada por faixas etárias: os mais velhos acreditam que seria melhor investir na agricultura, pecuária e comércio ao passo que os mais jovens apontam para as energias renováveis e novas tecnologias.

Os dados são do “Primeiro Grande Inquérito sobre Sustentabilidade em Portugal”, apresentado pela Missão Continente com coordenação do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. O estudo versa sobre áreas tão diferentes como ambiente, consumo, alimentação e voluntariado:

Ambiente

O estudo indica ainda diferenças geracionais quando o tema é ambiente, já que os portugueses mais velhos apontam a escassez de água e excesso de lixo produzido como o principal problema, enquanto os mais jovens parecem mais preocupados com as alterações climáticas e despovoamento do interior. Em termos gerais, 45,8% acredita que os incêndios florestais são o problema mais grave que o País enfrenta.

Políticas públicas

O mesmo estudo, realizado entre Abril e Maio deste ano em Portugal Continental e Ilhas, revela que os portugueses dão mais destaque às áreas sociais, como a educação e a saúde, e ainda a segurança pública, quando o tema é políticas públicas.

Sustentabilidade

73% dos portugueses já ouviu falar de sustentabilidade e é nas gerações mais velhas que se encontram as pessoas que não conhecem o termo. Quanto às dimensões mais conhecidas, vencem a económica e a ambiental, ficando de fora a social e a de governança.

Consumo

A crise alterou o perfil de consumo, fazendo com que o tipo “consumidor livre-escolha” domine. Este tipo de consumidor valoriza ter à sua disposição um vasto leque de bens e serviços, fazendo com que 68% dos inquiridos opte pelo hipermercado para realizar as suas compras – onde há mais opções. Contudo, regista-se outra tendência: as feiras e mercados que permitem comprar directamente ao produtor e adquirir produtos biológicos estão a ganhar importância. As compras alimentares na Internet são realizadas por 10% dos portugueses.

O “Primeiro Grande Inquérito sobre Sustentabilidade em Portugal” deixa ainda saber que surgiu um outro tipo de perfil pós-crise, o “consumidor constrangido”. Este está principalmente preocupado em gerir poupanças, sendo que 39% procurar comprar artigos em promoção, 35% procura os produtos mais baratos, 31% frequenta menos restaurantes e 30% compra produtos de marca própria. As marmitas no trabalho (14%) e o cultivo próprio de legumes (11%) também são alternativas.

Na hora de comprar, os portugueses estão também preocupados com a frescura e preço justo (86%), prazo de validade (79%) e origem nacional (63%).

Preocupações alimentares

O clima pós-crise mudou também as preocupações dos consumidores com 77% dos portugueses a referir em primeiro lugar o desperdício alimentar, 76% a indicar a contaminação por bactérias como a salmonela e 74% a apontar para o potencial cancerígeno das carnes processadas. Existe ainda a preocupação com a presença de organismos geneticamente modificados (72%).

Para combater o desperdício alimentar, as soluções apontadas são: informação mais clara sobre prazos de validade (53%); clarificação dos diferentes prazos de validades existentes (41%); receitas para aprovisionamento dos excessos (39%); dicas sobre as formas de conservação; e armazenagem dos produtos (38%).

Poupança

Caso o orçamento familiar aumentasse, o investimento de 46% dos portugueses seria em poupanças, logo seguidas pelas férias, cuidados de saúde, habitação e compra ou reparação do automóvel.

Associativismo e voluntariado

30% dos inquiridos afirma ser membro associado de uma organização não lucrativa e pouco mais de 22% realiza trabalho voluntário no mesmo tipo de locais. Saúde, assistência social, cultura, educação e recreio são as áreas mais procuradas.

Lazer

Com a crise, os restaurantes, espectáculos e ginásios foram colocados de lado. Em contrapartida, refere o estudo, as actividades gratuitas de lazer assumiram um papel compensatório no quotidiano dos portugueses como é o caso de passeios em jardins públicos, jardinagem e trabalho em hortas.

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