O que é Functionall?

tw-logo4-375x1841Os bens e serviços especialmente concebidos para os mercados emergentes muitas vezes integram uma ou mais das seguintes características: número pequeno e/ou limitado de características, para manter o preço baixo; artigos mais simples ou fáceis de usar, para os consumidores com pouca experiência; eficiência em termos energéticos (ou que não usam energias tradicionais) e/ou facilidade de reparação e/ou com redução de desperdícios; são robustos, já que alguns são usados em condições severas; bem concebidos (a democratização do design é um fenómeno global); e são criados para ajudar os seus proprietários a obter rendimentos ou para permitir aos seus utilizadores a criação de sistemas de autogestão.

Existem algumas razões por que estes produtos se tornam do interesse de consumidores que vivem em economias mais prósperas:

– Barato | O “barato” é rei, por causa da recessão (menos 12

poder de compra) e por causa da mudança do consumismo para a frugalidade e praticabilidade como novos símbolos de estatuto;

– Simplicidade e conveniência | O pequeno/simples (e barato!) também está em alta graças aos estilos de vida transitórios (mais experiências em doses mais pequenas e acessíveis) e a necessidade contínua de mais conveniência e simplicidade. É provável que várias inovações Functionall tenham sucesso em áreas metropolitanas prósperas (Urbany!) onde os estilos de vida transitórios e ocupados são a norma;

– Design | A supramencionada “democratização do design” significa que até os consumidores mais exigentes e experientes ficarão satisfeitos com produtos de países e marcas que anteriormente não eram conhecidas por terem padrões altos de qualidade e design;

– Sustentabilidade | Tudo o que use menos ou nenhuma energia tradicional, ou que cause menos desperdícios, ou que tenha uma maior esperança de vida, combinará bem com os consumidores conscientes do (eco) estatuto.

O Functionall não envolve apenas todos os consumidores, envolve também todas as marcas. As marcas de sociedades de consumo estabelecidas e as marcas de nações emergentes vão criar inúmeras inovações Functionall.

Eis uma selecção de distinções Functionall que estão actualmente a caminho: algumas já ganharam popularidade pelo mundo fora, outras estão apenas à espera de passar dos “emergentes” para “todos”.

Computadores

  • O Classmate PC, que foi concebido pela fabricante de chips Intel, é um “netbook” de baixo custo vendido por todo o mundo, muitas vezes colocado em embalagens novas e vendido por vendedores locais. A terceira geração do aparelho foi revelada em Junho de 2009, com o objectivo de satisfazer necessidades educacionais em todo o mundo.
  • O Cherrypal Africa é um miniportátil de 18 centímetros concebido para os países em desenvolvimento e vendido por… 70 euros. A empresa compra materiais em excesso e componentes com desconto para manter o preço baixo, o que significa que o site só promete as especificações mínimas.
  • Em Dezembro de 2009, o One Laptop per Child revelou os desenhos do XO 3. O computador, que basicamente é uma folha de plástico flexível, com tecnologia “touch screen”, deve ser lançado em 2012. Os custos devem ficar abaixo dos 70 euros, tornando-o acessível para os consumidores ricos e pobres.

Comida e bebida

  • A marca Maggi de massas instantâneas da Nestlé foi lançada pela primeira vez em mercados emergentes como a Índia e o Paquistão. A marca expandiu-se desde então para sociedades de consumo mais maduras, começando com a Austrália e a Nova Zelândia em 2008, onde é comercializada como um alimento saudável e barato.
  • A “joint-venture” da Danone, uma gigante dos lacticínios, com o Grameen Bank, do Bangladesh, quer oferecer lacticínios nutritivos às populações esfomeadas do Bangladesh, ao construir até 50 microfábricas locais até 2016. As experiências da Danone no Bangladesh levaram ao lançamento em França, em 2008, do Ecopack, a primeira linha de iogurtes de custo baixo.

    Imobiliário

    • Em Abril de 2009, a Tata Housing anunciou planos para construir 1300 apartamentos pequenos nas redondezas de Mumbai, vendendo-os a um preço mínimo de 5.600 euros. A área útil dos apartamentos miniatura estará entre os 20 e os 35 metros quadrados. Quando o esquema foi aberto às reservas em Mumbai em Maio de 2009, mais de sete mil clientes fizeram fila para pagar a taxa de reserva inicial.

    Hospitalidade

    • A India Hotels Company construiu 21 Ginger Hotels em toda a Índia e tem planos para construir mais 50 dentro dos próximos três a quatro anos. O hotel tem como objectivo fornecer o melhor serviço básico a viajantes, a preços muito acessíveis, com os quartos a custar entre os 15 e os 46 euros.
    • A Tune Hotels mantém os custos baixos ao usar um sistema de reserva “self-service”, minimizando os colaboradores e usando um sistema “pague-enquanto-usa” para várias comodidades, como o ar condicionado. A cadeia gere actualmente cinco hotéis na Malásia e Indonésia, mas espera expandir-se a 150 hotéis por todo o mundo em 2012.
    • No segundo trimestre deste ano, a Air Arabia planeia abrir um hotel de 300 quartos no Aeroporto Internacional de Sharjah. O hotel servirá os interesses dos viajantes de negócios e hóspedes individuais que passam pelos EAU, oferecendo comodidades como um ginásio, piscina, wi-fi e salas de reuniões.

    Microcrédito

    • A Grameen Foundation ajuda os mais pobres (principalmente as mulheres) a melhorar as suas vidas e a escapar à pobreza através do acesso ao microcrédito em 23 países de todo o mundo. Mas também tem uma subsidiária nos EUA chamada Project Enterprise. Desde 2008 que a Grameen recolheu 1700 clientes na cidade de Nova Iorque e em Junho de 2009 abriu um segundo ramo em Omaha, no Nebraska.
    • Uma iniciativa semelhante, a plataforma online de microcrédito Kiva também expandiu as suas operações para o mundo “desenvolvido”: fez uma parceria com a Accion USA, uma instituição de microcrédito que funciona em 48 estados dos EUA, e com o Opportunity Fund, uma instituição comunitária de desenvolvimento financeiro de San Jose, na Califórnia.

    Automóveis

    • A série Logan, de automóveis de baixo custo produzida pela subsidiária Dacia da Renault, na Roménia, tem ultrapassado as vendas gerais de automóveis nos principais mercados europeus ao apelar a consumidores com orçamentos. A série foi inicialmente desenvolvida para os mercados emergentes, usando peças simples para manter os custos de manutenção baixos, mas teve sucesso graças às preocupações económicas dos consumidores da Europa Ocidental.
    • Depois da badalada apresentação do Tata Nano na Índia (um automóvel pequeno e acessível para as “massas”), todos os olhos estão agora postos no Tata Nano Europa. A Tata planeia oferecer o Nano Europa a partir de 2011 e nos EUA por volta de 2013. O seu preço rondará provavelmente os 8 mil euros.Entretanto, a Renault-Nissan revelou que a sua parceria com a Bajaj Auto resultará no modelo ULC em 2012, a um custo que será «mais baixo do que qualquer automóvel feito hoje em dia na Índia», de acordo com o CEO Carlos Ghosn.

      Jogos

      • A Zeebo é a consola de jogos de baixo custo para consumidores dos mercados em desenvolvimento. Os jogos são descarregados através de uma ligação sem fios 3G e a consola utiliza apenas 1 watt de energia. A Zeebo começou a ser vendida no Brasil e no México em 2009, a cerca de 140 euros. A consola deve ser lançada este ano na Índia e em 2011 na China.

      Electrodomésticos

      • Pronto para lançamento em Março de 2010, a indiana Godrej anunciou o frigorífico mais barato do mundo, o Chotukool. Com 7,8 quilos de peso, o frigorífico usa um chip de arrefecimento e uma ventoinha com um isolamento sofisticado, o que significa que o electrodoméstico usa metade da energia de um aparelho convencional e também pode ter uma bateria. A um preço de 49 euros, o Chotukool também custa 35% menos do que o frigorífico mais barato actualmente disponível.

      Telemóveis/pagamentos

      • O Nokia Money é um novo serviço financeiro móvel que permite aos consumidores enviar dinheiro para outra pessoa, usando apenas o número de telemóvel da pessoa, assim como pagar aos comerciantes bens e serviços, pagar as contas ou recarregar os seus cartões SIM pré-pagos. A Nokia está a desenvolver uma ampla rede de agentes Nokia Money, onde os consumidores podem depositar dinheiro ou retirar dinheiro das suas contas. O serviço deve avançar gradualmente em mercados seleccionados no início de 2010. Também vale a pena estar com atenção ao SmartMoney nas Filipinas, e ao Safaricom M-PESA, Zain Zap e MTN Mobile Money em África.

      Calçado

      • A adidas anunciou planos para produzir ténis de 1 euro para milhões de consumidores que, de outra forma, não teriam dinheiro para comprar calçado. A produção piloto deve começar este ano no Bangladesh, com o design final ainda por confirmar.

      Vale a pena prestar atenção a alguns produtos que ajudam os consumidores das nações emergentes a, antes de mais, poupar dinheiro em utilitários, ao mesmo tempo que oferecem aos consumidores das sociedades de consumo mais maduras uma oportunidade para terem vidas mais sustentáveis. Este é um casamento curioso entre a pobreza e uma “vida significativa” que, mesmo assim, fornece os bens.

      • Com o objectivo de substituir as lâmpadas de querosene de luz mais difusa, a lanterna solar Kiran fornece até oito horas de luz após um dia a carregar a luz solar. Durável e resistente à água, a lanterna Kiran foi concebida tendo em conta pesquisas feitas na Índia rural. Está disponível por 7 euros e é acessível para todos os que têm rendimentos baixos.
      • Em Junho de 2009, a marca sueca de mobiliário e lifestyle IKEA lançou um candeeiro funcional chamado Sunnan, que usa células solares para transformar a luz solar em energia eléctrica. O produto está à venda por 14 euros e por cada unidade vendida nas lojas IKEA de todo o mundo, outra unidade é doada à UNICEF para dar às crianças em campos de refugiados, ou em vilas de áreas remotas que não têm electricidade.
      • A Philips desenvolveu uma gama de soluções de iluminação para consumidores sem acesso à electricidade. A minilanterna solar Uday oferece 4 a 5 horas de luz com um carregamento de luz solar e o Dynamo Multi LED é uma lanterna que oferece 17 minutos de luz depois de dois minutos a dar a uma manivela.

        Telemóveis

        • Em Junho do ano passado, a Samsung Índia lançou o Solar Guru, que oferece cinco a 10 minutos de conversa por cada hora de carregamento solar. Apesar do telemóvel de 42 euros ter sido concebido para as nações em desenvolvimento, que possuem fornecimentos eléctricos instáveis, foi lançado em grande escala na Ásia, Europa e América Latina.
        • O Timbuk2, a empresa de malas multifuncionais, concebeu um saco em colaboração com a Pop!Tech e a Portable Light, com painéis fotovoltaicos para capturar a energia solar, um carregador USB interno para aparelhos eléctricos e uma lanterna para visão nocturna.

        A mala Flap foi concebida para ser usada nas nações em desenvolvimento onde a luz portátil é rara e dispendiosa, mas sem dúvida que apelará aos consumidores eco-conscientes de todo o mundo.

        Purificadores

        • Os purificadores devem ganhar um lugar de maior destaque na luta contra a água poluída e contra a água engarrafada, nos mercados emergentes e maduros.
        • Em Dezembro de 2009, a Tata anunciou o lançamento do Swach, um filtro e purificador de água que consegue água potável através da utilização de cinzas normais. O purificador portátil não exige água corrente ou electricidade, o que faz com que seja particularmente útil para todos os que têm rendimentos baixos e que vivem em zonas rurais do mundo.
        • O Pureit é um sistema de purificação de água portátil a pilhas desenvolvido pela Hindustan Unilever. O sistema, que custa 31 euros, é vendido através de uma rede de 45 mil mulheres que demonstram o produto nas suas casas e o vendem em vilas locais.
        • O Waterward é um purificador de água a luz solar desenvolvido ao longo de 12 anos para usar os raios do sol para purificar água contaminada. Um único painel fornece 2 a 4 litros de água potável todos os dias e estão disponíveis conjuntos maiores para as necessidades comerciais e comunitárias.
        • Lançada nos EUA em 2009, a Hydros Bottle é uma garrafa de água reutilizável que filtra a água à medida que esta é consumida. A garrafa de 700 ml contém um filtro integrado para purificar a água para todos os que vivem em países em desenvolvimento, ou para as pessoas cuja água corrente é particularmente alta em metais pesados e toxinas como o arsénio, partículas de cloro e cádmio. Cada garrafa com o seu primeiro filtro custa 18 euros, os filtros de substituição custam 4 euros e duram até 3 meses.

        Ciclismo

        • A Worldbike fabrica e distribui bicicletas de baixo custo, feitas para aguentar grandes cargas, terrenos difíceis e um tempo severo. Foram então feitas não só para serem acessíveis, mas também para terem manutenção e reparação local. Através de parcerias com agências internacionais e locais, empresas privadas, fundações e ONG, a Worldbike ajuda a obter financiamento, microcrédito, para a compra de bicicletas e suplementa as vendas com o apoio de fundos e de doações privadas, contudo, como a empresa revelou recentemente no Twitter: «A mesma bicicleta de carga que entregamos na África rural chama a atenção nas ruas de Chicago, por isso a Cargo Bike 2010 para o mercado norte-americano está a ser configurada neste preciso momento.»

        O Functionall está obviamente ligado a uma das maiores macrotendências do nosso tempo (a globalização) e como uma subtendência fornece um bom ponto de partida para a inovação.

        O tipo de inovação que é inspiradora, que gera dinheiro e que é uma mudança positiva.

        Quem poderia pedir mais?

        Por isso é preciso aprender com as marcas que estão a aproveitar ao máximo a convergência de necessidades funcionais e pragmáticas e os desejos de consumidores de todo o mundo e depois seguir o seu exemplo. Sim, isto é tudo para vocês.

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