O Alentejo esconde um refúgio boémio

O branco das paredes continua no seu trabalho de contraste com as cores dos quadros do Alfredo, o verde das árvores e o azul da água. Aqui, o tempo não passa…

Texto de M.ª João Vieira Pinto

Há cerca de oito anos que não ia à Herdade da Matinha, no Cercal. Tinha lá estado em família, num fim-de-semana de férias. Na altura, deixei-me levar pelas cores dos quadros do Alfredo (dono e fundador), pelos recantos feitos de contrastes, pelo silêncio e o céu de estrelas. Fiquei num quarto pequeno e aquela que podia ter sido uma experiência a não esquecer, soube pela metade.

Voltei à Matinha este mês, num encontro feito de sentimentos vários. A Herdade cresceu. O número de quartos multiplicou-se e há mais projectos ainda de alargamento. Não, não se nota a confusão nem os hóspedes se atropelam. Ali, é como se cada um respeitasse o ritmo e o caminhar silencioso dos outros!

Porque o que nos recebe continua a ser um misto de refúgio boémio com casa. Onde quem chega se sente assim, em casa. A querer andar descalço, sem tempo ou com todo o tempo. O branco das paredes continua no seu trabalho de contraste com as cores dos quadros do Alfredo, o verde das árvores e o azul que chega de vários espaços com água, entre a piscina ou os lagos…

A oferta aos hóspedes também se estendeu. Mantêm-se os mágicos passeios a cavalo, mas acrescentou-se a oferta de massagens ou aulas de Yoga. Sim, é um reduto. Não fossem alguns tiques com quase sabor a hotel e a Matinha manteria a magia intacta.

Quando por lá passei, em família, podia-se almoçar ou jantar na sala quase de família com refeições preparadas pelo casal e onde todos os sabores chegavam à mesa. Agora, a cozinha tem uma verdadeira equipa – claro que ainda pode ir para lá, de manhã, fazer as suas panquecas ou os ovos mexidos, se lhe apetecer – liderada por um chef. Os sabores procuram a maior autenticidade possível e ser regados com aromáticas que chegam da horta, ao lado.

Claro que a comida merece ir à prova. Mas é outra… Assim como o serviço. Com equipa alargada, falta afinar alguns ponteiros de um relógio que não pára. E que não se quer que pare.

Hoje, Alfredo está menos por lá. É Martha Castrezana, a directora e a alma da Matinha. Faz as honras, recebe e mima como se a casa fosse sua. E é-o, de facto. Está atenta, sem intrusão. De sorriso aberto, sempre! Porque só assim se pode estar num recanto como este. Obrigada, Martha!

NOTA

Na Costa Alentejana, a Herdade da Matinha ocupa mais de 100ha de montado e um total de 22 quartos, todos diferentes. Pode montar a cavalo, ter aulas de yoga, ajudar na horta, fazer massagens, praticar surf, fazer caminhadas ou picnics em família.

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