Jameson Urban Routes mede o pulso à música urbana

Findo o primeiro fim-de-semana do Jameson Urban Routes, é tempo de balanço e preparação para os restantes dias daquele que é considerado o primeiro festival indoor de música urbana em Portugal. Quase a celebrar uma década, o evento levou ao palco do Musicbox, em Lisboa, nomes como Galgo, Pega Monstro, Holy Nothing, El Guinhco, Inga Copeland e Paus mas para o segundo fim-de-semana estão ainda reservadas as actuações de La Femme, Xinobi e Ricardo Remédio, entre outros.

Gonçalo Riscado, co-fundador da Cultural Trend Lisbon, a promotora responsável pelo Musicbox e pelo festival, explica à Marketeer que o Jameson Urban Routes se tem mantido fiel ao projecto inicial. A duração de cinco dias distribuídos por duas semanas continua bem como a utilização do Musicbox, «uma sala pequena que privilegia a proximidade e a cumplicidade entre o público e os artistas». Quanto ao cartaz, o objectivo ainda é abordar «as tendências da música contemporânea urbana». No fundo, medir o pulso a este estilo de música.

Com os passes gerais esgotados, assim como os bilhetes para dia 30, o festival beneficia da dimensão da sala para atingir uma taxa de ocupação de quase 100%. Mas a enchente que se sentiu no Musicbox está relacionada com muito mais do que o espaço limitado. A onda de cabeças em movimento ao ritmo da música e os pés que teimavam em não ficar no mesmo lugar denunciam que a aposta em artistas emergentes, tanto do panorama nacional como internacional, é uma aposta ganha.

É também este carácter diferenciador, num país em que os festivais de música parecem multiplicar-se em cada esquina, que levou a Jameson a associar-se ao evento há nove anos e a, inclusivamente, dar-lhe nome. Bruno Calvão, director de Marketing da Pernod Ricard Portugal, distribuidora da marca de bebidas, conta à Marketeer que a área da música tem estado sempre nos planos da Jameson, sendo exemplo disso a parceria com outros festivais como o Jameson Lazy Sessions e o Lisb-On. Contudo, o Jameson Urban Routes parece arrecadar um espaço especial e isso percebe-se na forma como o responsável descreve o evento: «Cada noite do festival é pensada como um capítulo de uma história, onde o palco se torna um ponto de encontro entre bandas e artistas num momento de total partilha artística, e onde o público é convidado a fazer parte da experiência.» Gonçalo Riscado vai mais longe e diz que «este projecto não procurou um patrocinador, nasceu com ele».

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Resta saber de que forma o público é envolvido não só com a música mas também com a Jameson. A marca está presente no Musicbox essencialmente através de visibilidade reforçada. Quanto se entra na sala percebe-se claramente que a Jameson é a rainha do bar. As montras e prateleiras não têm outras garrafas além de Jameson e o público pode aproveitar a oferta de degustação do produto.

Bruno Calvão esclarece que a marca optou por uma presença discreta por o público-alvo do festival não gostar «de se sentir invadido por activações de marca». A cada situação, é necessário adequar as iniciativas. Quanto ao investimento necessário, o director de Marketing da Pernod Ricard não avança valores, revelando apenas que «é significativo». Acrescenta, no entanto, que o retorno é superior, especialmente em termos de media coverage e «daquilo que traz à marca ao nível da sua imagem e reputação».

Com nove anos de existência, o Jameson Urban Routes assume-se como o barómetro das tendências da música urbana. Na sua programação constam nomes alternativos aos cartazes mainstreem, algo que já é habitual no Musicbox mas que, aqui, ganha mais relevância. Essencialmente, o Jameson Urban Routes funciona como uma espécie de resumo daquilo que é o Musicbox e a sua programação ao longo do ano. Visitar o espaço lisboeta durante estes dois fins-de-semana é conhecer a sua essência. «O Jameson Urban Routes tem por base o conceito do espaço que o acolhe, o Musicbox Lisboa. É um formato que resume a ideia de programação desse espaço num modelo de festival», conclui Gonçalo Riscado.

Da programação habitual faz ainda parte um dia de entrada livre que vem acompanhando o festival desde o seu início. O director da Cultural Trend Lisboa explica que o objectivo é «celebrar o acontecimento com a oferta de um conteúdo a todos os que acompanham este projecto, aproveitando também para valorizar a importância e a qualidade da produção artística nacional no âmbito do Festival». O dia de entrada livre já lá vai mas o Jameson Urban Routes continua esta sexta-feira.

Texto de Filipa Almeida

Fotos de Alípio Padilha

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