Com a IA, o bom gosto é, finalmente, uma verdadeira vantagem competitiva

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07/07/2026
20:02
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Opinião de Ivo Gomes, CEO da MOB Agency

 

Durante décadas, o bom gosto foi um luxo no marketing. Era a cereja em cima do bolo de quem já dominava as ferramentas. Era o extra que separava o bom profissional do excecional.

Hoje, as ferramentas dominam-se sozinhas. O bolo está a desaparecer. Sobra só a cereja, que afinal era o que importava.

A IA democratizou a competência. Qualquer pessoa, em qualquer ponto do mundo, pode produzir copy aceitável, design aceitável, estratégia aceitável, em poucos minutos, por poucos euros.

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O nível médio do trabalho subiu. E ao subir, deixou de ser vantagem.

Não é preferência pessoal. Não é ter olho bonito. É julgamento sob incerteza. Não se prova, não se justifica em reunião, e não cabe num dashboard. É bom gosto. E é, neste momento, o ativo mais valioso que um profissional de marketing pode ter. A resposta antipática é que não se aprende em curso nenhum.

Treina-se com tempo, exposição e atenção. Vê-se muito, consome-se durante muitos anos, com a cabeça ligada. Copia-se com honestidade. Falha-se com método. Viaja-se. Vive-se. Está-se perto de pessoas com bom gosto durante o tempo suficiente para perceber porque é que decidem o que decidem. Não há atalho. Não há bootcamp. Não há prompt mágico que substitua dez mil horas a olhar para campanhas, marcas, embalagens, sites, anúncios, capas de álbuns, filmes, séries, restaurantes.

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Gosto muito de uma frase de Kobe Bryant, que disse que para se tornar melhor em basquetebol, tornou-se estudante do mundo.

A maior parte das pessoas vê. Quase ninguém repara. E é por isso que o bom gosto se está a tornar tão raro. Não porque seja difícil de adquirir, mas porque exige um tipo de paciência que está em extinção. Numa cultura que valorizou output, o trabalho silencioso de absorção parece tempo perdido. Não tem entregável. Não cabe num relatório semanal. Não se mete num portfólio. Mas é o que separa quem vai ter relevância nos próximos dez anos de quem vai ser substituído pela próxima atualização do modelo.

Isto são boas notícias para quem já o tem.

Durante muito tempo, esta indústria viveu de uma cumplicidade silenciosa. O cliente ou diretor da empresa do cliente queria meter o gosto pessoal dele. O profissional aceitava, apesar de se queixar nos bastidores, porque era mais fácil executar do que defender.

Não falta muito para chegarem os dias em que o cliente paga para alguém escolher melhor.

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Bom gosto deixou de ser luxo. Passou a ser sobrevivência.




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