Capa polémia da Vogue Portugal é notícia lá fora

A mais recente edição da Vogue Portugal está a dar que falar, aquém e além-fronteiras. Dedicado à saúde mental, o número de Julho/Agosto desta publicação de moda tem sido alvo de críticas devido a uma das imagens escolhidas para retratar o tema: a revista é acusada de tentar tornar este tipo de problemas glamorosos.

“Esta capa não foi pensada da melhor forma. A saúde mental não é uma trend, não é um moodboard, não pode ser uma capa estilizada”, escreve uma seguidora da Vogue Portugal no Instagram, depois de afirmar que o tema é importante e que é de louvar a disponibilidade da publicação para falar sobre o assunto. “Este tipo de fotos não deveria estar a representar a conversa sobre saúde mental! Acho de muito mau gosto!”, comentou também a modelo internacional Sara Sampaio.

 

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THE MADNESS ISSUE. COVER 1/4 It’s about love. It’s about life. It’s about us. It’s about you. It’s about now. It’s about health. It’s about mental health. #themadnessissue It’s about time. . Edição julho/agosto disponível em vogue.pt/shop Nas bancas disponível a partir de 10 de julho. ___
 July/August issue available at vogue.pt/shop Newsstands available from July 10th. . Photography @branislavsimoncik Styling @ninaford_ @nemamconaseba Hair @janmolnarofficial Make up @lukaskimlicka Models @simonakirchnerova Assistants Branislav Waclav / @PatrikHopjak / @fosia.rvs @exitmodelmanagement . #vogueportugal @lighthouse.publishing #editorinchief @sofia.slucas #creativedirection @jsantanagq

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A Vogue Portugal já veio, entretanto, dar resposta às críticas, fazendo questão de partilhar a sua posição em português mas também em inglês, já que são muitas os comentário negativos de utilizadores estrangeiros. No Instagram, a revista explica que a edição sob o mote “The Madness Issue” tem quatro capas e que cada uma delas visa abordar “diferentes dimensões do comportamento humano, numa altura em que a pandemia global colocou as pessoas em confinamento”.

Segundo a Vogue Portugal, uma das capas mostra um cenário de hospital onde a modelo está a ser cuidada pela sua mãe e avó, na vida real, fotografadas por Branislav Simoncik. “A nossa intenção é abrir o tópico da saúde mental e trazer para a mesa de discussão as instituições, a ciência e as pessoas que estão envolvidas com a saúde mental nos tempos que correm. O editorial que faz esta capa explora o contexto histórico da saúde mental e foi imaginado para reflextir histórias autênticas e da vida real, inspirado por uma pesquisa profunda de centenas de imagens de reportagem retiradas dos mais relevantes e famosos documentários que captaram este género de instituições”, justifica a publicação. Indo para lá da capa, a Vogue Portugal indica que há entrevistas e contributos de psiquiatras, sociólogos, psicólogos nas suas páginas.

 

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🇵🇹 A nossa edição de julho/agosto, “The Madness Issue”, tem como tema a loucura, com quatro capas diferentes pensadas para abordar diferentes dimensões do comportamento humano, numa altura em que a pandemia global colocou as pessoas em confinamento. Uma das capas mostra um cenário de hospital onde a modelo está a ser cuidada pela sua mãe e avó, na vida real, fotografadas pelo fotógrafo Branislav Simoncik. A nossa intenção é abrir o tópico da saúde mental e trazer para a mesa de discussão as instituições, a ciência e as pessoas que estão envolvidas com a saúde mental nos tempos que correm. O editorial que faz esta capa explora o contexto histórico da saúde mental e foi imaginado para refletir histórias autênticas e da vida real, inspirado por uma pesquisa profunda de centenas de imagens de reportagem retiradas dos mais relevantes e famosos documentários que captaram este género de instituições. No interior da edição, encontram-se entrevistas e contributos de psiquiatras, sociólogos, psicólogos e outros especialistas na área. A saúde mental é apenas um dos tópicos abordados nesta edição e nunca é confundido com o tema “loucura”, é antes abordado como um lado do comportamento humano. Reconhecemos a importância do tópico da saúde mental e a nossa intenção, através da narrativa visual, é colocar o holofote nos assuntos mais relevantes dos dias que correm.

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No entanto, esta explicação parece não ter sido suficiente. Seguiu-se nova onda de comentários negativos e houve até espaço para artigos na imprensa internacional. É o caso do The Guardian, que dá conta da polémica e das reacções negativas por parte da comunidade online, lembrando um caso semelhante relacionado com a Gucci. Durante um desfile da marca em Setembro do ano passado, a manequim Ayesha Tan-Jones manifestou o seu desagrado relativamente à presença de casacos que fazem lembrar coletes de forças na colecção. “Saúde mental não é moda”, escreveu a modelo nas palmas das mãos.

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