Bem-vindos ao Metaverse

Por Miguel Pires, Creative Partner da NERVO

Quando surgiu a oportunidade de escrever um artigo sobre o futuro dos eventos pós-covid, pensei… bem, vamos lá a mais uma sessão de futurologia! Mas a verdade é que com o caos do confinamento perdi a bola de cristal, por isso escolhi escrever-vos sobre o presente dos eventos. Um presente que decorre de tudo o que mudou durante o tempo que estivemos em casa, entediados, a descobrir coisas novas.

Crypto? NFTs? Um CryptoPunk que vendeu por 7.5M$? Se nunca ouviram falar de NFTs e se estão a perguntar o que é um CryptoPunk, talvez seja a altura certa para descobrir. Afinal de contas, “we’re still early” é uma das frases que se ouvem no meio.

NFTs – Non-Fungible Tokens são blocos de informação guardados digitalmente on chain, que podem ser associados a peças de arte, coleccionáveis, skins de personagens, parcelas de terreno digitais, entre outros. De uma forma simplista, são uma declaração digital de propriedade, que provam que alguém em certo momento detém algo. E o que é que isto tem a ver com eventos? Tudo!

Os NFTs estão a mudar a forma como se fazem eventos e estão a criar eventos à sua volta. Desde a icónica venda de Beeple por 69M$ em Fevereiro deste ano que o mundo acordou para este fenómeno. Diariamente, comunidades formam-se à volta de colecções, cujas peças são transaccionadas em marketplaces como OpenSea, e tomam de assalto plataformas como Twitter e Discord, num mundo que não dorme e que começa o dia a dizer “GM!”.

Figuras públicas estão a investir milhares de dólares em peças únicas e até mesmo a criar as suas próprias colecções. Jimmy Fallon comprou um Bored Ape (BAYC) por 220K$, uma colecção de 10K peças que dá acesso a um clube exclusivo de eventos, experiências, merchandising; Snoop Dogg está a construir uma mansão no Sandbox para organizar festas, uma espécie de Minecraft, em que cada parcela de terreno custa à data 14K$; Ashton Kutcher e Mila Kunis fizeram parte do cast de Stoner Cats, uma série cujos episódios só podem ser assistidos por quem detém os NFTs desta colecção; as notícias multiplicam-se a cada dia e trazem cada vez mais estreantes para este Universo… ou será que deveria dizer Metaverse?

No início de Novembro, milhares de pessoas juntaram-se em Nova Iorque para fazer parte da NFT.NYC, uma convenção anual dedicada ao tema. Os billboards de Times Square foram invadidos por todas as colecções que ali marcaram presença e os detentores dos seus tokens juntaram-se para se fotografar junto ao seu avatar, conhecer-se e demonstrar ao mundo que faziam parte de uma tribo. Há também aqui algo de revolucionário no que diz respeito aos eventos físicos. Os bilhetes, como os conhecemos, perderam relevância. A posse destes tokens passou a funcionar como uma chave que dá acesso a uma série de experiências exclusivas, criadas para estas tribos. Sessões de live drawing com os criadores de cada projecto, festas em iates e em armazéns com localizações enviadas apenas para os detentores dos tokens ou até mesmo o acesso a peças exclusivas só por terem marcado presença – os POAP (Proof of Attendance Protocol). Imaginem ir a um evento e poder reclamar uma peça exclusiva para quem lá esteve, obtendo uma valorização financeira instantânea? Não precisam de imaginar, é o que está a acontecer.

Voltando ao Metaverse – e não é por acaso que a holding do Facebook agora se chama Meta – há duas plataformas a liderar estes encontros digitais: Sandbox e Decentraland. Imaginários que misturam todas as referências de Minecraft e Fortnite e as transformam em algo monetizável, onde estas mesmas tribos se juntam diariamente.

Colecções como Fang Gang – que até tem um português na equipa – distribuíram skins das suas personagens a todos os seus coleccionadores, permitindo que quando os mesmos visitam este Metaverse, promovam a sua marca, com peças de roupa digitais únicas, identificando-os na tribo. Outras, como DeadFellaz, escolheram criar o seu próprio espaço para organizar festas, tendo recebido já performances de nomes como Steve Aoki. As marcas começam agora a perceber este potencial e as primeiras a chegar – de forma genuína – vão sair vencedoras. A Adidas acabou de comprar 144 parcelas no Sandbox (aproximadamente 2M$), para criar aquilo que chamou de adiVerse, e anunciou uma linha de merchandising em parceria com algumas destas colecções. “Probably nothing!”.

Agora desculpem sair de repente, mas 4000 caracteres são curtos e tenho de fazer mint de uma colecção que está prestes a ser lançada. Mas não sem antes vos dizer que da próxima vez que pensarem em fazer um “Evento Digital”, lembrem-se que este mundo não começa e acaba nos live streamings. WGMI!

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