Uma associação de pessoas

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Em Portugal, quando ainda não se falava em segurança social pública, Francisco Álvares Botelho, professor do Colégio dos Nobres e funcionário da Fazenda Pública, desenvolveu e apresentou o Plano do Montepio Literário. Com 270 subscritores, o documento propunha a criação de um fundo de pensões de sobrevivência e concretizava a ideia da solidariedade institucionalizada, que sustenta o conceito de mutualismo e permite a associação para criar projectos de entreajuda. Discutido, aprovado e reconhecido oficialmente através de alvará régio assinado pela rainha D. Maria II, o projecto arrancou a 4 de Outubro de 1840, em Assembleia Eleitoral que reuniu 18 sócios os quais, ao elegerem os primeiros Corpos Sociais, inauguraram a constituição do Montepio dos Empregados Públicos, dando início a uma instituição que chegou ao século XXI.

Os objectivos do Montepio Geral – Associação Mutualista foram definidos nos primeiros estatutos: “São fins da Sociedade prestar socorro aos sócios, aos parentes dos mesmos, ou a estranhos ‘credores da sua gratidão’” e “Basear no seu capital a fundação de uma caixa económica, fazer empréstimos sobre penhores, a juro razoável, e descontos de ordenados dos sócios”. A escolha do dia não foi aleatória, já que é o que a Igreja Católica consagra a S. Francisco de Assis, figura do Mestre da Fraternidade. Desde a primeira hora, foi escolhido o símbolo que serviria de imagem ao Montepio: o pelicano. A iconografia cristã, baseada no sacrifício, também está ligada às ideias de altruísmo, fraternidade e solidariedade, valores defendidos por esta Associação.

«De 1840 aos nossos dias, a Associação Mutualista Montepio constituiu um grande grupo de empresas (a actividade estende-se da esfera associativa à bancária, passando pela gestão de centros residenciais para seniores e estudantes, actividade seguradora ou de gestão de fundos), garantindo uma actuação sempre alinhada pelos valores da economia social», explica Rita Pinho Branco, directora de Comunicação da Associação Mutualista Montepio. Ao longo deste percurso, muitos têm sido os contextos sociopolíticos adversos que o Grupo Montepio, e o País, enfrentaram (Ultimatum Britânico, I Guerra Mundial, Crise de 1929, II Guerra Mundial, Guerra Colonial, Crise de 2008-09…) e durante os quais a Instituição sempre procurou contribuir para o desenvolvimento da economia portuguesa e dos portugueses, apoiando o desenvolvimento de ideias e projectos, mas também estando ao lado dos cidadãos mais vulneráveis. «Entre os momentos-chave são de destacar, nos últimos anos, a constituição, em 1986, da Lusitania – Companhia de Seguros, a primeira empresa seguradora a ser criada depois de 1974 e a primeira após a abertura da banca e dos seguros à iniciativa privada; da Fundação Montepio, pessoa colectiva de direito privado com estatuto de utilidade pública, fundada em 1995 e que desempenha um papel fundamental no estabelecimento de parcerias e na concessão de apoios ao sector social da economia; da Residências Montepio, fundada em 2005 e dedicada à gestão de centros residenciais para seniores e à prestação de serviços de apoio domiciliário, ou a constituição da Montepio U Live, em 2018,dedicada à gestão de residências para estudantes», recorda Rita Pinho Branco.

Já no que se refere a projectos, os mais recentes consistem na apresentação, em 2015, da marca Associação Mutualista Montepio – sendo esta a primeira vez que a Associação assume marca própria; a criação, em 2016, da Rede de Gestores Mutualistas, uma equipa especializada e exclusivamente dedicada ao atendimento e apoio à comunidade associativa; o lançamento, em 2017, de website próprio e da app AMM, que revolucionaram o contacto com a comunidade associativa, assim como do Plano Montepio Saúde, assente numa vasta rede de entidades parceiras e que permite o acesso dos associados a respostas de saúde em condições mais vantajosas.

Para 2019, os objectivos da AMM passam por estar ainda mais presente na vida dos associados, concretizando um crescimento inteligente, baseado na inovação; um crescimento sustentável, assente na gestão adequada de recursos; e um crescimento integrador, que garanta emprego, coesão económica e social. «É essa a nossa missão desde 1840 e é essa visão e ambição que nos asseguram, dia após dia, a liderança do movimento associativo português. A proximidade e a geração de valor são os nossos grandes objectivos para 2019 e temos muitas novidades para apresentar até final do ano», projecta a directora.

Foco em dois pilares

As soluções mutualistas respondem a duas grandes necessidades – poupança e protecção -, são complementares à Segurança Social pública e respondem às necessidades sentidas por pessoas e famílias a cada momento das suas vidas. O mutualismo e a adesão a uma associação mutualista correspondem a uma forma diferente de pensar a vida, a cidadania e a própria sociedade, e as modalidades disponibilizadas resultam da vontade e decisão dos próprios associados – nesta organização são os associados que definem as soluções de que necessitam. A adequação ao quadro de necessidade é, como tal, evidente. Uma das principais novidades configura um marco histórico na instituição e no Grupo Montepio, já que passou a ser possível realizar a admissão na Associação sem necessidade de constituição de nova conta bancária.

A relação associativa passou assim a ser independente da relação bancária, facilitando-se o processo de adesão – todos quantos desejem integrar a Associação podem fazê-lo seja qual for a instituição bancária junto da qual são cobradas as quotizações. Rita Pinho Branco destaca o facto de a Associação Mutualista e as empresas que constituem o Grupo Montepio serem portuguesas e trabalharem de olhos postos nos portugueses, nas suas famílias, nas empresas, instituições. «Falamos de uma associação que reúne mais de 600 mil portugueses, que define Portugal como centro de decisão e actuação e que todos os dias prova que a economia pode ser colocada ao serviço da sociedade. A natureza de associação mutualista e de organização portuguesa é valorizada pela comunidade de associados. A dimensão que alcançámos é única na Península Ibérica», explica.

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