A discussão sobre o futuro do trabalho voltou a ganhar força com a evolução da inteligência artificial, e o CEO da Zoom, Eric Yuan, é uma das vozes mais otimistas quanto a uma mudança profunda na forma como trabalhamos.
Em declarações citadas pelo The Wall Street Journal, Yuan afirma que a automatização de tarefas através de IA poderá tornar obsoleta a tradicional semana de cinco dias. Na sua visão, a redução para apenas três dias de trabalho semanais poderá tornar-se realidade dentro de poucos anos.
“Odeio trabalhar cinco dias por semana”, terá dito o responsável, defendendo que o avanço da tecnologia pode libertar tempo significativo para os trabalhadores.
A perspetiva de Eric Yuan acompanha outras vozes influentes do setor tecnológico, como Bill Gates, que também já sugeriu a possibilidade de semanas laborais mais curtas graças à automação.
A lógica é direta: se a inteligência artificial assumir tarefas repetitivas e operacionais, os profissionais poderão focar-se em atividades de maior valor acrescentado, reduzindo o tempo necessário para concluir o trabalho.
No entanto, a realidade observada no terreno levanta dúvidas sobre esse cenário.
De acordo com o relatório State of the Workplace 2026, da Productivity Lab (ActivTrak), o uso crescente de ferramentas de IA não tem levado necessariamente a menos trabalho — mas sim a uma reorganização dos horários.
O estudo revela um aumento superior a 40% no trabalho realizado ao fim de semana. Aos sábados, o tempo médio passou de cerca de três horas para mais de quatro horas e meia por pessoa, enquanto aos domingos já se aproximam as quatro horas.
Este fenómeno está associado à flexibilidade das ferramentas digitais, que permitem realizar tarefas em qualquer momento, fora dos horários tradicionais.
Embora a ideia de uma semana laboral de três dias seja cada vez mais debatida, especialistas alertam para um possível efeito contrário: a dissolução dos limites entre tempo de trabalho e descanso.
Em vez de reduzir a carga horária total, a tecnologia pode acabar por espalhar o trabalho por mais dias, incluindo períodos que antes eram considerados tempo livre.














