A verdade incómoda do “couro vegan”: alternativa ética ou greenwashing?

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12/04/2026
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O conceito de “couro vegan” tem vindo a ganhar força na indústria da moda e do design, sendo muitas vezes apresentado como uma alternativa mais sustentável e ética ao couro tradicional, mas uma análise do The Conversation alerta que essa perceção pode ser simplista e até enganadora.

Para muitos consumidores, o termo “vegan” sugere automaticamente uma escolha ambientalmente responsável, com a ausência de origem animal a ser frequentemente associada a uma menor pegada ecológica. Contudo, os especialistas sublinham que “couro vegan” não corresponde a um material específico, mas sim a um conjunto alargado de soluções, que vão desde plásticos sintéticos a alternativas parcialmente vegetais, com impactos ambientais muito distintos. Essa diversidade torna difícil avaliar a sustentabilidade com base apenas na designação, levantando preocupações crescentes sobre práticas de greenwashing.

Grande parte do chamado “couro vegan” é, na prática, produzido a partir de materiais derivados de combustíveis fósseis, como poliuretano (PU) ou policloreto de vinilo (PVC). Embora estes materiais permitam replicar o aspeto do couro, trazem consigo problemas ambientais, como a libertação de microplásticos à medida que o material se degrada, contribuindo para a poluição ambiental. Ou seja, ao eliminar um problema (o uso de pele animal), pode estar a introduzir-se outro, associado ao uso de plástico.

Nos últimos anos, surgiram também soluções baseadas em matérias-primas naturais, como ananás, cogumelos ou maçã, mas a análise indica que estas opções raramente são 100% naturais. Na maioria dos casos, os componentes vegetais são combinados com resinas plásticas para garantir durabilidade e resistência, sendo que esta mistura dificulta a reciclagem e impede a compostagem, o que compromete o desempenho ambiental no final do ciclo de vida do produto.

Um dos pontos centrais do debate é a longevidade dos materiais, sendo que muitos produtos de “couro vegan” têm uma vida útil mais curta do que o couro tradicional, podendo degradar-se em poucos anos. Ao contrário do couro natural – que pode ser reparado e envelhece com o uso – as alternativas sintéticas tendem a descascar ou fissurar, tornando-se inutilizáveis. Esta menor durabilidade levanta a questão de que num modelo de economia circular, a sustentabilidade não depende apenas da origem do material, mas também da sua capacidade de permanecer em uso durante mais tempo.

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Importa sublinhar que o couro tradicional também apresenta impactos ambientais significativos, nomeadamente ao nível das emissões de metano e dos processos químicos de curtimento. Ainda assim, os especialistas defendem que “vegan” e “sustentável” não são sinónimos, pois enquanto o primeiro se refere à ausência de origem animal, o segundo exige uma análise completa do ciclo de vida do produto. Confundir os dois conceitos pode levar consumidores e marcas a decisões menos informadas.

Com o aumento da sensibilização para estas questões, entidades reguladoras começam a exigir maior rigor nas alegações ambientais, sendo que termos como “eco-friendly” ou “sustentável” terão de ser sustentados por dados concretos e verificáveis.

Esta tendência aponta também para uma maior exigência de transparência por parte das marcas, numa altura em que os consumidores procuram cada vez mais escolhas mais informadas e responsáveis.

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