Um estudo recente da Universidade de Durham, no Reino Unido, revelou que o uso das redes sociais pode desencadear respostas fisiológicas únicas no corpo humano. A investigação, assinada por Michael Wadsley e Niklas Ihssen, do Departamento de Psicologia da instituição, mostrou que navegar no Instagram por apenas 15 minutos reduz a frequência cardíaca e aumenta a resposta de suor dos utilizadores, indicando um estado de imersão profunda e excitação emocional.
Os investigadores analisaram 54 jovens adultos e compararam o efeito de scroll do feed do Instagram com a leitura de notícias no telemóvel. Curiosamente, ao interromper o uso da rede social e direcionar os participantes para um artigo informativo, os níveis de stress aumentaram ainda mais, acompanhados de sentimentos de ansiedade e desejo de voltar à plataforma.
“A frequência cardíaca, a resposta galvânica da pele (GSR) e as classificações afetivas/motivacionais foram registadas em três fases de 15 minutos consistindo numa tarefa de leitura de linha de base, exposição ao Instagram e fase de cessação do Instagram”, detalha o resumo do estudo. “A exposição ao Instagram resultou numa grande diminuição na frequência cardíaca e aumento no GSR em comparação à linha de base, indicando aumento da excitação apetitiva e um estado de profundo envolvimento atencional”, detalha-se ainda.
Os autores do estudo sugerem que, embora o termo “vício em redes sociais” seja controverso, os mecanismos de recompensa e a necessidade humana de conexão tornam estas plataformas altamente envolventes. No entanto, destacam que é possível reduzir o consumo sem efeitos negativos significativos no bem-estar, uma vez que as necessidades sociais podem ser satisfeitas por outros meios, como a interação presencial.
A conclusão retirada desta análise é de que “o uso e a cessação do Instagram foram associados a mudanças distintas na fisiologia de utilizadores regulares do Instagram”, sendo que estas mudanças “podem ser interpretadas como reflexo do aumento da excitação apetitiva e da imersão atencional durante a exposição ao Instagram e do aumento da excitação aversiva durante a cessação do Instagram”.














