Visão 20/20

Por Paulo Campos Costa
Director coordenador global de Marca, Marketing e Comunicação da EDP

Se 2020 marca ou não o início de uma nova década é um tema que divide as opiniões. No entanto, é consensual que a próxima década irá ser uma das mais marcantes e decisivas de sempre na História da Humanidade. Para o bem ou para o mal, as mudanças irão ser exponenciais, num ritmo que irá ser difícil de acompanhar. O Mundo irá enfrentar desafios em diferentes campos de batalha: política, economia, clima ou tecnologia – nada escapará à força das transformações.

Os anos 2010 serviram como teste e deixaram, pelo menos, uma coisa clara: a tecnologia está em toda a parte. Com a velocidade a que tudo passou a acontecer, sentimos que estamos constantemente a ser testados até ao limite e ultrapassados na curva, numa corrida contra o tempo que não tem meta – há sempre algo mais na lista dos “to do”, à nossa espera. A questão é que, apesar de sentirmos que estamos a viver à velocidade da luz, um dia continua a ter 24 horas, uma hora é composta por 60 minutos e cada minuto ainda tem 60 segundos. Mas, no fundo, se pensarmos bem, esta foi uma escolha que fizemos. Somos como os mais novos a descer uma colina num skate. Gostamos da adrenalina, queremos mais velocidade, estamos viciados na novidade, ansiamos por mais estímulos. Na época do quanto-mais-rápido melhor, acabamos por ser vítimas de FOMO (fear of missing out). Sim, todos nos queixamos e nos esticamos até ao limite, mas a verdade é que ninguém quer ficar de fora.

Enquanto isso, a tecnologia cresce exponencialmente. O poder de processamento dos computadores duplica a cada 18 meses, e os indivíduos e as organizações são obrigados a acompanhar esta mudança vertiginosa.

Os sistemas de informação e comunicação estão a acelerar a tomada de decisão humana. Se o Google tornou a frase “eu não sei” obsoleta, no final desta década, humanos e tecnologia já deverão estar completamente ligados, dando origem a novos tipos de tomada de decisão com feedback em tempo real. De acordo com as previsões, em 2050 as máquinas computacionais terão superado o poder de processamento de todos os cérebros humanos vivos na Terra.

Na ficção, séries como “Years and Years”, “Black Mirror” ou “Westworld” vaticinam possíveis formas de futuro, quase sempre distópicas, antecipando o que poderá ser uma realidade em breve. A incerteza é a única certeza. E deixou de haver um cânone para navegar nestas águas. Estamos constantemente a pisar em território novo, que exige novas formas de fazer e linguagem diferente.

Esqueça tudo o que são modelos testados. O modo copycat, o mindset de benchmarking, a homogeneização. Todos nós vamos ter ao dispor as mesmas ferramentas de Inteligência Artificial, Big Data & Analytics e Realidade Aumentada. A diferença estará no elemento humano. Vai ser uma década de inovação constante, em que teremos de estar dispostos a correr riscos, em que a criatividade vai desempenhar um papel que será ainda mais central.

No que diz respeito à visão, 20/20 significa ter acuidade visual, ou seja, possuir a capacidade de olhar para as coisas com a maior nitidez e clareza.

Que seja uma década em que, apesar de todas as incertezas e medos, vividos a alta velocidade, consigamos ter a visão precisa para ultrapassar todos os desafios.

Artigo publicado na Revista Marketeer n.º 283 de Fevereiro de 2020

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