Retail Media já não é só conversão — agora também é branding

LinkedinFórum Retail Media 2026
Marketeer
10/03/2026
20:30
LinkedinFórum Retail Media 2026Notícias
Marketeer
10/03/2026
20:30
Retail Media já não é só conversão — agora também é branding

Partilhar

O Forum Retail Media – A nova Fronteira do Branding, organizado pela revista Marketeer, trouxe um novo olhar sobre este território ainda em construção, mas cada vez mais estratégico.

Escolha a Marketeer como fonte preferida no Google Escolher ›

Num contexto cada vez mais orientado por dados, o Retail Media está a ganhar um papel central na estratégia das marcas e na forma como comunicam. Mais do que uma ferramenta de conversão no ponto de venda, o Retail Media começa a afirmar-se como um território onde branding e performance se encontram, abrindo novas possibilidades de segmentação, mensurabilidade e activação ao longo de toda a jornada do consumidor.

«Já não falamos apenas de conversão no ponto de venda, falamos de um território onde as estratégias de marca e eficácia se encontram», resumiu a moderadora Inês Cruz da Silva, head of Sales da Endless. Este foi o ponto de partida para uma conversa que reuniu Joana Vinagre, e-Commerce & Export manager da BEL Portugal, David Tomé, head of e-Commerce da Nestlé, e Vera Martins, head of Marcas e Digital da PrimeDrinks – três perspectivas diferentes sobre um fenómeno que está ainda em fase de consolidação, mas que já começa a redesenhar o papel dos meios de comunicação no retalho.

Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade

Um território novo — e ainda em construção

Apesar do entusiasmo, o Retail Media continua a ser um território relativamente recente para muitas organizações. E, como tal, ainda sem fronteiras totalmente definidas dentro das próprias empresas. Como explicou Joana Vinagre, da BEL Portugal, «o Retail Media é relativamente recente como um todo. E tudo o que é recente, tudo o que traz mudança, tem que ter o seu tempo para ser trabalhado».

Dentro das empresas, isso traduz-se muitas vezes numa área híbrida, que cruza diferentes departamentos. «É uma ‘zona de ninguém’ mas que na realidade é de toda a gente porque tem touchpoints de Marketing, de Trade e de e-Commerce», partilhou.

Continue a ler após a publicidade

E se inicialmente o Retail Media foi encarado sobretudo como uma extensão de e-Commerce, essa visão já está a mudar. Hoje, o potencial deste “ecossistema publicitário” começa a ser encarado também do ponto de vista da construção de marca e da utilização de first-party data. «Nós, BEL, vemos o Retail Media com um grande potencial e não apenas como um braço de e-Commerce. Ainda não temos um head of Retail Media, mas para lá caminhamos», complementou Joana Vinagre.

O desafio da mensurabilidade

Um dos temas que atravessou toda a conversa foi o factor da mensurabilidade. Para David Tomé, head of e-Commerce da Nestlé, o grande desafio actual está em conseguir comparar e avaliar campanhas num ecossistema ainda pouco padronizado. «Temos de um lado retalhistas que estão a liderar esta evolução e a apresentar cada vez mais métricas e possibilidades de activação (…), mas isto faz com que não exista uma framework única de avaliação das campanhas», partilhou.

Continue a ler após a publicidade

Estão todos ainda a aprender e a perceber «como usar o Retail Media para Brand Building, quando o Retail Media tradicionalmente é algo mais associado ao fundo do funil e à conversão». No entanto, o acesso a dados de compra oferece, desde já, uma vantagem significativa face a outros meios. «Conseguimos perceber de que forma é que cada campanha ajudou a mexer a agulha das vendas», avançou.

Para campanhas focadas em conversão, métricas como GMV [Gross Merchandise Value], vendas directas ou incrementalidade são centrais. Já para iniciativas com objectivos de branding, entram em jogo indicadores mais próximos dos utilizados no digital. «Na parte de branding, awareness e visibilidade, vamos roubar um bocadinho as métricas que já conhecemos nos meios digitais, como as impressões, cliques, CTR [Click‑Through Rate], CPC [Cost Per Click], CPM [Cost Per Mille], reach e utilizadores únicos impactados», acrescentou.

Num caminho que ainda tem muito que percorrer, o responsável acredita que o futuro passará também por novas métricas, como Ad Recall e Brand Uplift, e, no final do dia, tem de haver uma padronização do mercado e uma transparência completa.

Retail Media no ecossistema de media

Continue a ler após a publicidade

Na PrimeDrinks, a abordagem ao Retail Media parte de uma lógica mais ampla: integrá-lo dentro de um ecossistema global de media. Assim, em vez de começar pela ferramenta, a empresa olha primeiro «para aquilo que é o objectivo de comunicação da marca e a seguir enquadra o Retail Media dentro daquele ecossistema». Para garantir consistência, a empresa criou um playbook interno de media, desenvolvido em conjunto com parceiros e agências de meios. Este guia, com as regras e guidelines mais relevantes, ajuda a dar confiança às equipas internas e a responder aos objectivos de comunicação de uma forma holística, mesmo num contexto ainda marcado pelo “test and learn”. «Temos os nossos benchmarks e podemos dizer que se o formato é este e vai entrar no plano de meios, então queremos um ROAS [Return On Ad Spend] acima de dois. Nesse sentido, temos bem definido o papel do Retail Media», complementa.

Dados que substituem o “eu acho”

E não faltam exemplos de campanhas de sucesso feitas a partir de first-party data. Joana Vinagre relembrou a acção “Concerto no Pasto”, promovida pela Terra Nostra e que levou a cantora Maro aos pastos dos Açores, para tocar para as vacas felizes. «Esta foi uma campanha de meios com todos os touchpoints, mas que marcou também o início do investimento de Retail Media em toda a estratégia de marca e os resultados foram melhores do que esperado», relembrou a e-Commerce & Export manager da BEL Portugal.

David Tomé, por sua vez, já estava convencido do poder do first-party data de experiências anteriores em que trabalhou em agência e, depois, na Nespresso. Mas, relativo às suas actuais funções, salientou uma campanha da marca Dolce Gusto durante a qual conseguiram obter o mesmo tipo de segmentação de audiências, assim como medir a incrementalidade dos resultados, percebendo onde existiu um efectivo aumento de vendas e compensou, e onde não existiu, oferecendo insights sobre como optimizar futuras campanhas.

«O preço do Retail Media torna-se, então, muito mais competitivo, tendo em conta a riqueza destas métricas, e o objectivo é irmos replicando isso com maior frequência e fazermos com que as equipas de planeamento comecem a planear com o shopper que queremos atingir», referiu. Este modelo audience-first torna-se possível graças ao acesso a dados de compra altamente segmentados que o Retail Media oferece, defendeu o mesmo responsável.

Vera Martins chamou ainda a atenção para outro impacto relevante do Retail Media: a forma como transforma as discussões dentro das equipas de Marketing no planeamento e acompanhamento de campanhas. Em vez de avaliações subjectivas, os dados permitem uma leitura mais objectiva dos resultados e uma melhor segmentação. «Já não é uma discussão entre o ‘acho que correu bem’ ou ‘acho que correu mal’. São factos e existem dados que o comprovam.»

No caso de uma campanha de inovação de produto mencionada pela head de Marcas e Digital da PrimeDrinks, a empresa conseguiu um incremento de vendas de 60% e um ROAS de dois, «portanto, não existem “achismos”; os dados são estes.» Mesmo quando os resultados não são os esperados, o valor está na aprendizagem: «Tivemos outras campanhas que não tiveram bons resultados, mas que nos permitiram enriquecer o nosso playbook, além de aportar valor ao plano de meios que fazemos», rematou.

As dores de crescimento do mercado

Apesar do entusiasmo, todos os participantes reconhecem que o Retail Media enfrenta ainda vários desafios. É algo recente e todos estão a tentar afinar o melhor caminho, aprendendo com os erros e elevando a fasquia para um ecossistema integrado que venha a trazer benefícios para todos.

Um dos principais desafios é a falta de uniformização entre retalhistas. «As informações que nós temos não estão estandardizadas ainda de forma a conseguirmos ter uma ideia completa de como é que a campanha correu na sua totalidade», afirma Joana Vinagre. Vera Martins acrescenta que o desnível entre players não permite que o mercado evolua, sentindo-se também alguma falta de competitividade.

Outro entrave é a percepção interna de que «o Retail Media está directamente associado às vendas em e-Commerce», uma ideia que tem de ser reformulada e cuja desmistificação exige o contributo de todos, assume David Tomé. Sobre a falta de uniformização do mercado, o mesmo acredita que o papel da IAB (organização internacional que representa a indústria da publicidade digital) vai ser crucial para trazer maior transparência ao mercado.

Se há uma conclusão comum entre os participantes, é que o Retail Media exige uma abordagem transversal dentro das empresas. Como sintetizou David Tomé, o Retail Media é omnicanal. Já Vera Martins considera que é multidisciplinar e deve haver uma partilha de conhecimento com todos os sectores da empresa, deixando de existir um foco apenas no digital. Por sua vez, Joana Vinagre sublinha que «o Retail Media é holístico», e se agora parece haver alguns entraves, a verdade é que também existe muito potencial e isso tem de ser “disseminado” por toda a organização.

A nova fronteira do branding

Apesar das limitações actuais, a convicção geral é clara: o Retail Media está apenas no início do seu potencial. A combinação entre dados de compra, segmentação avançada e proximidade ao ponto de decisão cria uma nova oportunidade para as marcas.

Como resumiu Inês Cruz da Silva no encerramento do painel, o sector está ainda num processo colectivo de aprendizagem: «O que prevalece é toda esta multidisciplinaridade do Retail Media e este caminho de aprendizagem que temos vindo a viver nestes últimos dois anos e que considero que vai continuar a gerar muitos resultados num futuro breve e não tão breve.» Um caminho que, ao que tudo indica, continuará a redefinir a relação entre marcas, dados e retalho nos próximos anos.






Notícias Relacionadas

Ver Mais