Regenerar para sermos a nossa melhor versão

Por Joana Garoupa,
Directora de Marketing e Comunicação da Galp

«Well, it’s nothing very special. Try and be nice to people, avoid eating fat, read a good book every now and then, get some walking in, and try and live together in peace and harmony with people of all creeds and nations.»

Esta visão bem-humorada dos Monty Python, do filme “The Meaning of Life”, ajuda a pôr em perspectiva a essência do que nos deve mover na vida em sociedade: procurar o melhor para cada um de nós, claro, mas sem perder o foco no bem comum. No fim de contas, se não nos preocuparmos com o próximo não seremos a melhor versão de nós próprios.

Sendo esta uma verdade intrínseca à vida humana, é hoje inquestionável que ela tem de reflectir-se como princípio orientador da acção das empresas.

Defendo-o não apenas por vivermos numa sociedade cada vez mais informada, atenta e exigente em relação ao papel das grandes corporações, mas sobretudo porque essa mesma sociedade valoriza e reconhece – com uma intensidade sem precedentes – o mérito das empresas que servem causas sociais claras. E penaliza as que não o fazem.

Ao ter um propósito claro, as empresas ganham o respeito dos cidadãos, a fidelidade dos consumidores e uma relevância reforçada nas comunidades impactadas.

O tema é também inevitavelmente valorizado pelos profissionais do sector. Um estudo de Fevereiro de 2021 da World Federation of Advertisers – “What marketing talent wants” – coloca a existência de uma missão e um propósito claro por parte das empresas como o principal atributo para atrair talento. E casos de sucesso em marcas globais como a Nike, Body Shop ou Southwest Airlines confirmam que o propósito é uma variável crítica para o impacto que queremos ter na sociedade.

Para que isto ocorra, porém, o propósito das empresas tem, no entanto, de ser percepcionado como efectivo e não como mera manobra de marketing. Precisa de estar assente em proof points robustos, que reflictam a matriz de valores e princípios que corporiza o propósito que abraçamos. E este é um processo que se constrói de dentro para fora.

Deixem-me falar-vos muito brevemente do exemplo em que tenho estado envolvida. A Galp, empresa de referência nacional, marca com mais de 40 anos, referência top of mind em “gasolineira”, tem feito um trajecto assinalável nos últimos anos para acompanhar e liderar a transição energética. Somos uma referência internacional em vários indicadores de sustentabilidade, somos um dos maiores operadores solares da Península Ibérica, diversificámos modelos de negócio e intensificámos a aposta na inovação, temos um roadmap muito claro para reduzir em 40% a intensidade carbónica da nossa produção até 2030 e a ambição de atingir as Net Zero Emissions até 2050.

No entanto, este caminho e evolução não são percepcionados de forma inequívoca – nem dentro nem fora da empresa. Por isso nos desafiámos a repensar, renovar e reconstruir o propósito da Galp.

Queremos liderar pelo exemplo e provando, a cada dia que passa, que é possível transformar a indústria energética para um futuro que respeita o planeta. Um futuro no qual as nossas preocupações estão alinhadas com as preocupações dos milhões de pessoas que todos os dias contam com a nossa energia para construírem o seu futuro.

Para que o movimento resulte, ele tem de começar dentro de casa, com as nossas pessoas. Por isso estamos a reenergizar o nosso talento, estimular novas competências, a criar uma empresa onde cada pessoa se sinta parte importante de um projecto comum, que vale a pena abraçar e que beneficia a sociedade

Criada esta dinâmica interna, teremos construído a base que nos permite comunicar para fora, de forma aberta e transparente, com empatia e confiança, a jornada de transformação que estamos a empreender

Temos orgulho da energia que entregamos. Sabemos a importância do papel que desempenhamos para a economia do País e para o dia-a-dia dos portugueses. Estamos a regenerar o futuro. E queremos os portugueses ao nosso lado.

Juntos, vamos regenerar o futuro. Haverá melhor propósito do que este?

Artigo publicado na edição n.º 300 de Julho de 2021

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