Sustentabilidade, um compromisso de todos para todos

Por Miguel Salema Garção, director de Comunicação e Sustentabilidade dos CTT

Estamos a viver uma pandemia que a todos assola, a vários níveis. Contudo, e apesar dos aspectos negativos, realço um tema, este com teor mais positivo (ainda que temporário), para o qual a pandemia contribuiu: o da redução das emissões de carbono devido ao abrandamento da economia, o que nos leva a repensar na importância do tema da sustentabilidade e na adopção de comportamentos mais sustentáveis com resultados positivos para todos.

No primeiro semestre de 2020 registou-se uma redução de 8,8% nas emissões globais de CO2 face ao mesmo período de 2019, segundo um artigo publicado a 14 de Outubro, na Nature Communications. No entanto, e de acordo com outro artigo publicado pela Carbon Brief, os efeitos desta redução global de emissões devido à pandemia não deverão resultar em efeitos climáticos positivos detectáveis a longo prazo, pois, para tal, seriam precisos mais estímulos financeiros. Por exemplo, nos CTT, o período de isolamento decretado pelo Governo teve um impacto directo nas deslocações casa-trabalho-casa dos colaboradores, estimando- se uma redução associada de 582 toneladas de CO2, o equivalente a cerca de 1% da pegada carbónica global da empresa.

Todos nós, enquanto indivíduos, mas também as marcas e as empresas, enfrentamos riscos e desafios colocados pelas alterações climáticas e perda da biodiversidade, levando-nos a reforçar a necessidade de repensarmos a forma como as empresas podem ser catalisadores das mudanças que se impõem. Não é por acaso que o Top 5 de riscos globais identificados pelo World Economic Forum (WEF) é composto, neste ano de 2020, maioritariamente por riscos ambientais e sociais, em detrimento dos habituais riscos económicos, tecnológicos e geopolíticos.

Ainda temos um longo caminho a percorrer, mas tem sido notório o esforço de cada vez mais empresas em assumirem programas de sustentabilidade e responsabilidade social alinhados com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), das Nações Unidas, como os CTT, que gerem a pegada carbónica com a ambição de limitar o aquecimento global a 1,5 °C.

Nos CTT, desde 2008 que reduzimos as emissões carbónicas directas em 68%, superando consideravelmente a meta de redução de 20% até 2020. Obtivemos o 2.º lugar a nível mundial no ranking do programa de sustentabilidade do IPC, entre um total de 19 operadores postais mundiais. Esta deve ser uma atitude posta em prática todos os dias, inovando nos processos, nos produtos, na tecnologia e nas iniciativas e apoios que geram valor para a comunidade. As marcas devem direccionar-se neste sentido, não só pela preocupação com o ambiente, mas porque a própria sociedade e o consumidor estão cada vez mais preocupados com a sua preservação, factor que tem vindo a moldar novos perfis de consumo.

Enquanto indivíduo, procuro nos pequenos gestos do dia-a-dia fazer a diferença. Acredito que se todos começarmos por mudar hábitos, conseguiremos, juntos, alcançar melhores resultados, que, por sua vez, irão trazer melhorias significativas para a Humanidade. Devemos trabalhar para um bem comum. Apesar do desafiante contexto actual, precisamos de fazer mais. A sustentabilidade deve ser um compromisso de todos para todos.

Artigo publicado na Revista Marketeer n.º 293 de Dezembro de 2020

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