Nos Primavera Sound regressa em 2015

fotografia 1_rsCom uma assistência superior a 70.000 pessoas ao longo de três dias, o Nos Primavera Sound reforçou a sua consolidação como festival de música alternativa. O Nos Primavera Sound é o homólogo português do festival Primavera Sound que se celebra em Barcelona há treze anos. A cidade do Porto acolheu, pelo terceiro ano consecutivo, a edição lusa, que aconteceu entre 5 e 7 de Junho no Parque da Cidade. Garantida está já realização da quarta edição em 2015.
Pedro Moreira da Silva, responsável de marca e de comunicação da Nos, garantiu à Marketeer que a Nos, como principal patrocinador tudo fará para que o espírito do festival não se estrague.

Em 2015 haverá uma nova edição do Nos Primavera Sound. Qual o balanço da terceira edição, em 2013?
Muito positivo. O festival consolidou-se, tem mais público, correu tudo muito bem, grandes concertos, um ambiente incrível. Mais públicos, muito ecléticos, que é uma das marcas da programação por parte da Primavera Sound de Barcelona. O balanço é muito positivo.

O festival está assegurado por mais um ano, é assim?
A existência do festival depende essencialmente de três factores. Primeiro da vontade da Câmara Municipal do Porto e o seu presidente, Rui Moreira, disse que enquanto for presidente da Câmara iria sempre apoiar um festival como este. Depois, depende do promotor e dos patrocinadores. Eu só represento um deles e a nossa vontade é continuar. Mas é muito difícil dizer no caso deste festival ou de outro qualquer que vai haver mais cinco anos ou três anos. Não existisse essa lógica. Vai-se avaliando ano a ano. Todos os anos tem de se repetir esse alinhamento de vontades e de factores. Diria que os mais importantes estão assegurados e o festival está a ser anunciado.

Quais as principais diferenças entre a primeira (2012) e a terceira edição (2014)?
A escala do festival aumentou. Tem mais espessura. Mas mantem-se a suavidade. E isso é uma marca uma característica que este festival tem. É um festival onde a imagem é cuidada, onde as pessoas podem estar tranquilamente a usufruir do parque e a ver concertos de primeira linha daquilo que se faz de novo ou que se recupera na música actual. O maior desafio nestas coisas é, por um lado, ter a certeza que ele cresce – é um sinal de vida -, e por outro lado, que não se estraga. É muito fácil com mais patrocinadores, mais convidados, mais público, mais bandas… de repente estragar-se o espírito do festival. E depois isto deixa de ser um produto que se entenda. Este produto tem um ADN muito bem definido desde o inicio e aquilo que eu acho que é o grande triunfo deste ano – e já no ano passado isto aconteceu – ele cresceu o que tinha que crescer, mas manteve-se o espírito.
Estou habituado a gerir estes activos para uma marca e é habitual ouvir-se dizer “mas o ano passado é que foi” ou “há dois anos é que foi”. Eu nunca ouvi isso aqui. Muita gente vem desde a primeira edição e não lhes ocorre dizer isso.

Mas no primeiro ano a presença de marcas no terreno era muito menor…
Certo. Gera-se sempre um dilema de prisioneiros. Em geral os promotores precisam das marcas, depois as marcas trazem activações que tentam ter um bocadinho de espaço visual ou sonoro. Tentam chamar a atenção e depois porque os outros chamam, eu também quero chamar. De repente já não é um festival de música, mas uma feira de marcas. O facto de isto ter começado com três entidades – a câmara, na altura a Optimus e o João Paulo Feliciano – e nós como patrocinadores na altura sermos praticamente 95% da visibilidade de marcas, permitiu-nos arriscar. Ter menos presença, mas tentar fazer uma coisa bem feita. E não achamos que a marca esteja mal representada ou pouco visível. Está ajustada e equilibrada, tende a ser útil ao festival e não impor-se ao festival.
As empresas e marcas estão habituadas a uma determinada dinâmica quando vêm para um festival, mas foram entendendo que para estar aqui estariam melhor de outra forma. Vemos casos como a EDP e a Super Bock em que de facto têm a inteligência de perceber que isto é um sítio diferente e que a marca para se valorizar tem de se ajustar. É como ir a uma festa e ir vestido de acordo com o que a festa é. Vestem uma roupagem para o Primavera.

Das activações da Nos, quais as que o público melhor acolheu este ano?
Eu diria que apesar de inúteis foram os impermeáveis. No primeiro ano choveu muito e nós não tínhamos impermeáveis para toda a gente. Este ano fizemos um grande investimento para ter a certeza que podiam vir ao parque e não era a chuva que ia estragar. Começámos a distribuir antes de chover e acabou por não chover contra todas as previsões. Se chovesse tínhamos um impermeável para cada pessoa que aqui entrasse. As pessoas olham para isto com um goodwill enorme. É a marca a ser útil.
O saco e um clássico com três anos. O festival não é sobre mudar por mudar e ter novidades. A lógica é sempre ser útil às pessoas enquanto aqui estão. Se algo corre muito bem e as pessoas adoram nós não mudamos. De repente tornou-se um clássico e há as edições…

Qual a importância deste festival para a marca Nos?
Tem uma componente local, mas é um festival para nos posicionarmos de forma nacional. Ele fala com um conjunto de segmentos. É um activo de marca muito capaz de falar com um segmento mais urbano, de classe mais instruída, com mais poder de compra. Tem de facto essa componente. Não o vemos como local, como um festival no Alentejo não o é. São nacionais.
Aliás ele é mais do que isso porque este ano, outra vez, quase metade das pessoas são estrangeiras. Em número absoluto há mais estrangeiros do que na primeira edição, em percentual há menos. Os estrangeiros que vieram no primeiro ano vieram atrás de uma marca – primavera Sound – e de uma cidade. Em Portugal as pessoas ainda não conheciam. Um festival enquanto não existe, não existe. É uma ideia, um cartaz numa paragem de autocarro. No terceiro ano estamos em cruzeiro e mesmo assim mantem-se quase metade de estrangeiros.

Segundo o estudo Optimus Primavera Sound, desenvolvido pelo Instituto Superior de Administração e Gestão, em 2013, 51,9% dos visitantes pernoitaram no Porto, durante três dias e 18,4%, quatro noites. O visitante estrangeiro que ficou alojado na cidade efectuou uma despesa média diária de 229,7€ e o visitante nacional, residente fora da fora da Área Metropolitana do Porto, realizou uma despesa média diária de 140,98€. Na cidade, os estrangeiros procuram, na sua maioria, o património e a cultura em geral, e os residentes nacionais, a animação noturna. O estudo também indica que 98,3% dos visitantes encontravam-se globalmente satisfeitos ou muito satisfeitos com o evento, e a grande maioria manifestou a intenção de voltar, sendo que os visitantes mais satisfeitos com o evento têm uma maior propensão em gastar na cidade e no recinto do festival.

Texto de Maria João Lima

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