iServices: Crescer com critério

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Marketeer
07/05/2026
09:30
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Fundada em 2011, a iServices tornou‑se uma operação com escala e presença em vários mercados europeus

A história da iServices começou a partir de uma oportunidade clara num mercado ainda pouco estruturado. A empresa evoluiu rapidamente para um modelo operacional com escala, suportado por uma rede alargada de lojas e equipas técnicas especializadas. Hoje, conta com mais de 650 colaboradores e uma presença superior a 140 lojas distribuídas por Portugal Continental, Açores, Madeira, Espanha, ilhas Canárias, França, Bélgica e Países Baixos.

Para Bruno Borges, CEO da empresa, o crescimento sustentado da iServices assenta numa combinação clara de factores. «Acredito que houve três factores decisivos: visão, execução e consistência. A iServices nasceu de forma muito intuitiva para responder a uma necessidade real do consumidor, com um serviço especializado, rápido e acessível, numa altura em que o mercado ainda tinha muito espaço para profissionalizar esta resposta.»

Desde cedo, o foco esteve em transformar essa oportunidade inicial numa operação consistente e escalável. «Houve capacidade de executar com disciplina, de abrir lojas nos locais certos, de investir em equipas, processos e tecnologia, e de manter um padrão de serviço exigente», explica. Ao longo do tempo, a proposta de valor foi sendo ampliada, mas sempre com um propósito claro. «Fomos alargando a proposta de valor, mantendo a lógica: resolver problemas concretos, dar confiança ao cliente e estar à altura daquilo que prometemos.»

Hoje, essa lógica traduz‑se numa operação que realiza mais de 30 mil intervenções por mês em equipamentos multimarca, com técnicos especializados presentes em todas as lojas e diagnósticos gratuitos antes de qualquer intervenção. A rapidez do serviço tornou‑se um dos elementos distintivos, com reparações que podem ser concluídas em cerca de 20 minutos, complementadas por um serviço de recolha e entrega ao domicílio em qualquer ponto do país.

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Diferenciação construída com exigência 

Num sector caracterizado por forte concorrência e evolução tecnológica permanente, a diferenciação não se constrói pela origem, mas pela execução. «Ser uma empresa portuguesa não é, por si só, um factor de diferenciação», afirma Bruno Borges. «O que faz a diferença é a capacidade de competir com qualidade, velocidade, proximidade e conhecimento técnico.»

A origem portuguesa inf luenciou, ainda assim, a empresa. «Trouxe‑nos uma cultura muito orientada para a solução e uma grande proximidade ao cliente», refere. A verdadeira diferenciação surge, contudo, em «combinar escala com serviço, conveniência com especialização e uma marca próxima com padrões de execução elevados».

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Esta ambição traduz‑se numa actividade contínua e exigente. «Hoje, fazemos dezenas de milhares de reparações por mês, e a nossa diferenciação está em garantir que cada uma delas é feita com o mesmo rigor», sublinha.

Um consumidor mais informado e consciente

A evolução do comportamento do consumidor tem sido determinante para o crescimento da actividade. A reparação deixou de ser vista como um último recurso e passou a integrar decisões de consumo mais conscientes. «Hoje, o consumidor é mais racional, mais informado e mais exigente. Já não olha para um equipamento apenas com a lógica de usar e substituir », observa o CEO. «Quer perceber se consegue prolongar a vida útil, quer conveniência, rapidez e uma solução fiável.»

Esta mudança reflecte-se nos números. Em 2025, a iServices registou um crescimento de 36% face ao ano anterior. Foram realizadas mais de 180 mil reparações (+31%) e mais de 30 mil intervenções técnicas (+75%). Em paralelo, cerca de 150 mil equipamentos foram recondicionados, um crescimento de 52%, com especial incidência em telemóveis, mas também em computadores, tablets, smartwatches, consolas de jogo e aspiradores.

A oferta acompanhou esta evolução. Para além da reparação, a empresa reforçou a venda de equipamentos recondicionados e de acessórios, alinhando a proposta com objectivos mais amplos. «Quem nos procura tem uma necessidade tecnológica, e não apenas uma necessidade de reparação», explica Bruno Borges.

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Circularidade como prática operacional quotidiana 

A economia circular tornou‑se um dos pilares da actividade da iServices, não como conceito teórico, mas como prática operacional quotidiana. «A circularidade para nós é execução, escala e qualidade. Reparamos e recondicionamos, porque é isso que o cliente procura e porque faz sentido económico e ambiental», afirma o CEO.

Em 2025, mais de um milhão de clientes recorreram aos serviços da empresa, resultando na intervenção em mais de 360 mil equipamentos electrónicos – cerca de 986 por dia. Este volume permitiu evitar o descarte de aproximadamente 72 toneladas de resíduos electrónicos e contribuir para a poupança de cerca de 4,32 mil milhões de litros de água. Estima‑se ainda que tenham sido evitadas cerca de 18 mil toneladas de emissões de CO₂ e poupadas 28 803 toneladas de recursos naturais.

«Em 2025, voltámos a provar que a circularidade não é abstracta. É trabalho real, com escala, procura e impacto mensurável», sublinha Bruno Borges.

A empresa tem vindo igualmente a reforçar a qualidade do reporte ambiental. No ano passado, a pegada carbónica total foi quantificada em 61 909 toneladas de CO₂ equivalente, sendo a quase totalidade associada à cadeia de valor. As emissões relacionadas com o consumo de electricidade representaram uma percentagem residual, beneficiando da adopção de energia verde e da operação com uma frota totalmente eléctrica. Nas emissões indirectas associadas à electricidade, registou‑se uma redução de 72% face ao ano anterior.

Crescimento internacional com identidade 

A expansão internacional tornou‑se um passo natural à medida que o modelo se consolidou. «Internacionalizar não é replicar em piloto automático. É levar uma marca com identidade forte, mas com capacidade de adaptação sem perder a coerência», explica Bruno Borges.

O início de 2026 foi marcado pela abertura de 12 novas lojas em cinco mercados europeus, incluindo Portugal, França, Espanha, Países Baixos e Bélgica. Estão previstas mais duas inaugurações em Espanha e França, reforçando a presença em zonas com elevado potencial de tráfego e relevância comercial.

«Este arranque de ano confirma a nossa ambição europeia e, sobretudo, a capacidade de a concretizar», afirma o CEO. «Demonstra solidez operacional, capacidade de execução e confiança no crescimento sustentado da marca.»

Consistência como activo estratégico 

Com uma rede alargada e centenas de colaboradores, garantir consistência operacional tornou‑se uma prioridade estratégica. «Exige formação, processos claros, acompanhamento próximo e uma cultura de exigência», explica Bruno Borges. A velocidade do serviço coloca desafios adicionais. «Para assegurar rapidez com qualidade, é preciso equipas bem preparadas e processos muito afinados.»

A confiança do mercado tem sido reconhecida através de distinções atribuídas por entidades independentes e pelos próprios consumidores, como a Escolha do Consumidor, o Prémio 5 Estrelas, os selos A Melhor Loja e A Melhor Loja Online, a Marca Recomendada e o selo Escolha Sustentável.

«O reconhecimento externo é validação e responsabilidade », afirma. «Mostra que estamos a entregar de forma consistente, mas também que não podemos baixar o nível.»

O futuro passa por consolidar a presença internacional e manter capacidade de adaptação num sector em frequente transformação. «A nossa ambição é continuar a crescer com solidez e relevância, afirmando‑nos como uma referência europeia nos serviços tecnológicos», conclui Bruno Borges.

Foi essa estratégia de crescer com critério, aliando disciplina operacional, proximidade ao cliente e visão de longo prazo, que transformou uma necessidade identificada em 2011 numa operação com escala, impacto e ambição europeia.

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Empresas 100% Portuguesas”, publicado na edição de Abril (n.º 357) da Marketeer.




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