Ironia em tempo de COVID-19: media ganham público mas perdem recursos

À medida que o novo coronavírus se espalha pelo Mundo, a informação ganha um peso e uma importância crescente. As pessoas querem saber o que se passa, querem compreender o que está a ser feito para mitigar a pandemia e querem ajuda para tomar as decisões correctas e prevenir a infecção.

«As redacções têm trabalhado horas extras para manter as comunidades informadas. O público aumentou», lembra Warren Fernandez, editor chefe do The Straits Times e presidente do Fórum Mundial de Editores (WEF).

Num artigo partilhado pela Associação Portuguesa de Imprensa (API), o responsável lamenta, porém, que o crescimento do número de leitores não compense os outros desafios que o sector enfrenta. Desde as notícias falsas, que ajudam a semear ansiedade e confusão, às quebras na publicidade (entre 30 e 80%) e nos eventos – que se assumiam como uma nova fonte de receita para muitos meios.

Juntando todos os desafios que o sector da comunicação social enfrenta, o presidente do WEF sublinha que «entre as as vítimas da unidade de cuidados intensivos, que lutam para respirar, estão algumas das próprias empresas de media». Ao seu lado têm muitas outras companhias de sectores que também foram duramente atingidos, da aviação ao retalho.

No mesmo artigo, Warren Fernandez indica ainda que o resultado deste novo paradigma «é irónico e trágico: num momento em que o público se volta cada vez mais para títulos de media estabelecidos, como mostram pesquisas recentes, as redacções vêm os seus recursos destruídos, e alguns até estão a ser fechados».

O responsável dá também conta de outros problemas dos órgãos de comunicação social, nomeadamente o surgimento de “desertos de notícias” e “redacções fantasmas”, provocados pela falta de recursos financeiros. Sem jornalistas e sem dinheiro, alguns meios poderão ter dificuldades em produzir conteúdo local, original e independente, pondo em causa a informação de confiança e credível que as pessoas procuram.

«Isso levou a Organização Mundial da Saúde a alertar para uma ‘infodemia’ que está a aproximar-se, com a desinformação a ser espalhada e a minar a confiança do público num momento crucial», refere ainda Warren Fernandez. O presidente do WEF lembra que estes não são desafios de agora, mas que o COVID-19 veio dar outra dimensão.

Qual é, então, a solução? Warren Fernadez enumera algumas das propostas que os líderes de media têm apresentado, desde a declaração da comunicação social como um serviço essencial à concessão de assistência financeira e incentivos fiscais. Alerta, porém, que existe um potencial dano à credibilidade dos media se se tornarem excessivamente dependentes do financiamento estatal.

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