“Hey, Google!” – O futuro da voz no digital

Por Marco Gouveia, consultor e formador de Marketing Digital, head of Digital Marketing no Pestana Hotel Group e Google Regional trainer

Se ainda não prestou a devida atenção à pesquisa por voz enquanto tendência tecnológica, esta é a altura para se preparar: ela veio para ficar e será mais relevante do que muitas empresas creem. As marcas terão de tê-la em mente, agora e no futuro, na delineação das suas estratégias. É que a voz é mesmo, ao que tudo indica, o futuro. Saber se choverá amanhã, onde fica a farmácia mais próxima ou enviar uma mensagem a um amigo está, hoje, à distância de um sistema de reconhecimento de voz. Impõe-se, contudo, a dúvida sobre o modo como o marketing, a publicidade e os consumidores responderão a estas transformações.

As gigantes tecnológicas, de que a Amazon, a Google e a Apple e a Microsoft são exemplos evidentes, estão atentas à nossa crescente preferência pelo imediato, o mote da evolução de que o digital está a ser alvo. Nunca se falou tanto de poupança de tempo e, neste contexto de ascensão do mobile, reconhece-se, entre outros aspectos, que, quando se trata de comunicar, falar é, sem dúvida, mais rápido e prático do que escrever. Foi precisamente a pensar nisso que dispositivos como a Alexa, a Siri, o Google Assistant e a Cortana – regidos por um mecanismo de reconhecimento de voz – surgiram e são constantemente aprimorados. Mediadores do fácil e imediato, permitem-nos, hoje, saber, numa questão de segundos e sem necessidade de escrita, quanto mede a Estátua da Liberdade, onde comer o melhor sushi no Porto ou que idade tem a rainha de Inglaterra.

Em consonância com estas noções empíricas que possuímos da realidade recente, emergem estudos que, com as suas estimativas, reiteram o futuro promissor da voz no digital. De acordo com a ComScore, em 2020, 50% do total de pesquisas efectuadas dar-se-ão por voz. Já a PWC, em 2018, desenvolveu um estudo que constatou que os consumidores entre os 18 e os 64 anos já utilizam, no seu quotidiano, dispositivos tecnológicos cuja base de funcionamento é a voz. Tendo, portanto, em conta que os consumidores optam, cada vez mais, por esta como modo de interagir com o digital, é evidente que as marcas, principalmente no que concerne ao marketing digital, precisam de adaptar com urgência a sua presença online a esta nova realidade. Neste sentido, é fundamental reflectir sobre como melhorar as suas estratégias de SEO – Search Engine Optimization -, uma área do Marketing Digital destinada à optimização da posição das páginas web nos motores de pesquisa.

Uma primeira dica, no âmbito do marketing de conteúdo, prende-se com o comprimento das palavras-chave escolhidas. Long-tail keywords – ou palavras-chave longas, compostas por 3 ou mais palavras – revelam-se mais eficazes, aquando do posicionamento das páginas web para determinados termos de pesquisa. Tal deve-se ao facto de as pessoas, habitualmente, escolherem frases mais longas e detalhadas, quando pesquisam algo por voz – a procura é, geralmente, por algo mais concreto, ao invés de algo mais vago. Pensemos, para ilustrar esta ideia, numa situação em que queiramos saber que restaurantes perto de nós estão abertos. Se optássemos pela escrita, provavelmente escreveríamos “restaurantes local X” e veríamos os horários de cada um. Escolhendo pesquisar através da voz, perguntaríamos a um dispositivo (como o nosso telemóvel, ou Google Home) “Que restaurantes perto de mim estão abertos?”, o que transparece também a tendência dos consumidores para utilizarem interrogações nas suas pesquisas, donde advém um desejo por esclarecimentos mais precisos e imediatos.

Uma outra dica relevante baseia-se na noção de que a linguagem falada é muito mais simples do que a escrita. Segundo um estudo da Econsultancy, há, efectivamente, uma preferência por um discurso mais natural, nas pesquisas por voz. Desse modo, é fulcral que, aquando da produção de conteúdo online, a escrita esteja alinhada com a linguagem por que os consumidores optarão, se pesquisarem por meio da voz. As palavras e estrutura frásica escolhidas deverão ser, portanto, o mais claras possível, para que o consumidor veja rapidamente, na página web, a resposta mais adequada ao que pesquisou.

Por outro lado, como, aliás, referi anteriormente, o mobile first – regime, por definição, onde a pesquisa por voz se impõe mais flagrantemente – surge como determinante para um bom desempenho das marcas no digital. Tal liga-se, obviamente, à própria experiência do utilizador na página web, que deverá primar por um web design responsivo, um carregamento veloz e uma estrutura organizada. Segundo a Google, páginas que demorem mais do que 3 segundos a carregar são abandonadas, em média, por 53% dos utilizadores…

Numa época em que cada um de nós detém, literalmente, uma voz no digital, é verdadeiramente fundamental, para a sobrevivência e crescimento das empresas e organizações, que estas saibam escutar os seus consumidores. Tudo indica, de facto, que este considerável investimento nos assistentes pessoais e mecanismos de pesquisa por voz se justifica. Não obstante, se ainda não está totalmente convencido quanto à importância da pesquisa por voz no agora e no futuro que não tarda em chegar, já sabe: pode sempre perguntar ao seu Google Assistant.

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