Feeders e a criação de espaços com impacto

Casos & EstratégiasCriatividade
Maria João Vieira Pinto
09/08/2026
10:03
Casos & EstratégiasCriatividadeEntrevista
Maria João Vieira Pinto
09/08/2026
10:03
Feeders e a criação de espaços com impacto

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Dizem que o que os move em cada projecto é o desenho de espaços que «geram ligação, que criam emoção e que fazem parte da história de quem passa por eles». Na Feeders, o estúdio português fundado em 2010 por Joaquim e Duarte Silva e especializado em arquitectura efémera e experiências de marca, cada ideia, cada traço, cada proposta, só podem ser pensados para serem memoráveis. Para que, mesmo efémeros, perdurem no tempo emocional de quem por lá passou e o viveu. Isso mesmo o confirmam à Marketeer Rita Galrão, head of Project Management, e Maria Tiago, partner and Creative director, quando partilham que, na Feeders, se trabalha «a arquitectura como um meio de comunicação».

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Uma conversa a poucas semanas de aberturas de portas dos primeiros festivais de Verão, onde a empresa terá vários stands de marcas assinados por si, num equilíbrio entre impacto visual, fluidez de circulação e intensidade emocional. «É sobre ser capaz de stand-out mas, sobretudo, como dar vida a uma marca na sua tridimensionalidade de experiência e forma», sublinham.

A Feeders é muito mais do que um gabinete que projecta espaços para eventos. É uma marca que pensa, desenha, cria e implementa arquitectura efémera. Qual é a grande diferença, em particular em espaços de festivais?

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Maria Tiago (MT): A grande diferença está na intenção. Não desenhamos apenas estruturas, desenhamos experiências espaciais que têm de competir com tudo o que acontece à volta: música, luz, pessoas, emoção.

Num festival, o espaço não é cenário. É um ponto de atracção. É aquilo que faz alguém parar, entrar, ficar e lembrar. A Feeders trabalha a arquitectura como um meio de comunicação. Cada estrutura tem de traduzir a identidade da marca, a sua estratégia e propósito para o território da música, mas também deve responder ao ritmo e à energia do festival. É um equilíbrio entre impacto visual, fluidez de circulação e intensidade emocional. É sobre ser capaz de stand-out mas, sobretudo, como dar vida a uma marca na sua tridimensionalidade de experiência e forma.

Tendo em conta que estamos a poucas semanas do arranque dos primeiros acordes nos grandes festivais, e que a Feeders trabalha com várias marcas presentes em diferentes recintos, como é que agilizam todo o trabalho prévio? Quando é que tudo começa a ser pensado?

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Rita Galrão (RG): Tudo começa muito antes do festival existir para o público e, às vezes, mesmo antes do cartaz ser revelado. Idealmente, começa cerca de quatro-seis meses antes. Estamos a falar da fase em que estamos a receber os primeiros briefings do cliente. É uma altura em que já estamos a desenhar e pensar conceitos e a antecipar necessidades operacionais que muitas vezes nem estão ainda totalmente definidas pelo cliente. O nosso trabalho não é só responder, é antecipar. Criamos soluções que já integram montagem, logística, resistência, desmontagem e reutilização.

Quando se desenha uma proposta e é apresentada ao cliente, ela já é pensada de raiz nas necessidades respectivas à implementação e produção da mesma. À medida que o festival se aproxima, entramos numa fase de precisão absoluta: produção, engenharia, compatibilizações técnicas, planeamento logístico e calendarização detalhada de montagem. É aqui que a experiência faz toda a diferença.

Stand da EY num festival de Verão (Feeders)

E caso alguma marca decida mais “em cima da hora”, têm capacidade para agilizar e responder?

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RG: Sim, e isso faz parte do nosso ADN. A arquitectura efémera vive muito desta capacidade de resposta rápida. Temos equipas e processos preparados para acelerar decisões sem comprometer o resultado. Obviamente, quanto mais cedo começamos, mais conseguimos elevar o projecto. Mas mesmo em timelines curtos, conseguimos garantir soluções robustas, bem executadas e alinhadas com a identidade da marca. A rapidez nunca pode comprometer a qualidade, e é aí que entra a nossa estrutura.

Sei que o trabalho envolve todas as equipas internas. É assim? E como é que se organizam?

MT: Sim, é totalmente transversal. Na Feeders, cada projecto é trabalhado como um sistema integrado entre arquitectura e gestão de projecto, lado a lado. A arquitectura assegura que todo o desenho criativo ganha vida exactamente como foi apresentado e a gestão de projecto acompanha rigorosamente todos os fornecedores de produção, para que o deployment dos espaços e estruturas seja feito da forma o mais smooth possível. Este trabalho, lado a lado, permite-nos reduzir erros, ganhar velocidade e garantir que aquilo que é desenhado já nasce com consciência real de construção. A organização é muito clara: há uma direcção criativa e arquitectónica, uma gestão de projecto muito próxima com o cliente e fornecedores, e uma equipa de técnica e de produção que, embora externa, é como se fosse ela também parte integrante da Feeders. É um trabalho altamente coordenado, quase coreografado.

O cliente é decisor? Ou é um trabalho orgânico e evolutivo entre todos?

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RG: O cliente é sempre parte central do processo, mas não seguimos um percurso linear. O que construímos é, acima de tudo, uma relação de co-criação.

A Feeders entra com visão, experiência e capacidade de materializar ideias. O cliente traz a ambição, a identidade e o contexto estratégico. É no cruzamento destes dois mundos que o projecto ganha verdadeira força. Os melhores resultados não nascem de respostas imediatas, mas de confiança: confiança para explorar, questionar e evoluir a ideia inicial até atingir o seu máximo potencial. Trabalhamos de forma próxima, aberta e exigente. Porque acreditamos que um briefing não é um ponto de chegada, é um ponto de partida. E é nesse processo que o transformamos: de uma intenção, para um espaço com impacto real.

Mas como é que conseguem assegurar que as maquetes 3D ganham vida exactamente como foram apresentadas? Não há sempre margem para erro?

MT: Há sempre margem, mas o nosso trabalho é reduzi-la ao mínimo. E isso faz-se com método, rigor e experiência acumulada. Cada projecto passa por várias fases de validação técnica, detalhamento construtivo e compatibilização com fornecedores e produção. Nada fica apenas no plano conceptual. Para nós, o 3D não é uma imagem de apresentação, é uma ferramenta de trabalho. É ali que testamos, ajustamos e antecipamos. É ali que o projecto começa verdadeiramente a ganhar forma real. Tudo o que é desenhado é pensado para ser construído. Cada detalhe, cada material, cada encaixe. Depois, no terreno, esse nível de exigência mantém-se. Temos equipas experientes que acompanham a execução ao detalhe, garantindo que aquilo que foi idealizado se traduz com precisão na realidade. Não se trata de eliminar completamente o erro, mas de o prever, controlar e, acima de tudo, garantir que o resultado final está à altura daquilo que foi imaginado e desenhado no 3D.

Este ano, vão ter estruturas vossas em quantos festivais de Verão? E como é que conseguem gerir uma eventual sobreposição de datas?

RG: Não teremos sobreposição directa de datas, mas teremos várias operações a decorrer em timelines paralelas. E isso, na prática, exige o mesmo nível, ou até maior, de exigência operacional. Estamos a falar de mais de 20 projectos em sete festivais, entre stands de marcas e estruturas. Cada um com a sua identidade, objectivos e especificidades técnicas. Isto obriga-nos a trabalhar com uma estrutura altamente preparada e escalável: equipas distribuídas por projecto, planeamento logístico e uma capacidade forte de coordenação transversal. Cada festival funciona como um projecto independente, com a sua própria dinâmica e exigências. Mas, internamente, todos fazem parte de um sistema maior, onde partilhamos recursos, conhecimento e processos. No fundo, é como operar várias peças em simultâneo, diferentes entre si, mas todas alinhadas por uma mesma lógica de rigor, consistência e entrega.

Estamos a falar de quantas pessoas no terreno?

MT: Entre equipas internas, parceiros e equipas de montagem, estamos a falar de uma operação significativa de mais de 30 pessoas. Mas, mais do que o número, importa a experiência, a capacidade de resposta e, sobretudo, a forma como todas estas equipas funcionam como uma só. Cada projecto exige uma coordenação absoluta, quase invisível para quem vive o festival, mas totalmente crítica para que tudo aconteça com precisão. Desde a fase de preparação até ao último momento de montagem no terreno, tudo é pensado ao detalhe, com equipas alinhadas em tempo real. É esta integração que nos permite garantir consistência entre aquilo que foi idealizado e aquilo que é entregue. Porque, no final, não estamos apenas a montar estruturas, estamos a orquestrar um sistema onde cada peça tem de funcionar no momento certo, no lugar certo.

Como se trabalha e vive os dias dos festivais? Em adrenalina constante? Ou já é uma fase de análise?

RG: É um equilíbrio dos dois. Há sempre adrenalina, porque estamos a operar em tempo real, com milhares de pessoas à volta. Mas também é um momento de observação importante. Percebemos como as pessoas usam os espaços, o que funciona melhor, onde podemos melhorar. É aí que recolhemos insights. Somos “festivaleiros” nesses dias e, sempre que podemos, gostamos de aproveitar, se possível, um pouco de cada um dos festivais para entender também como o público se comporta e interage com cada um dos espaços. A nossa máxima é bastante conhecida: work hard, play harder.

Há algum case que gostam de apresentar?

MT: Mais do que um projecto, gostamos de falar do impacto. Dos espaços que deixam de ser apenas estruturas e passam a pontos de encontro. Das marcas que deixam de comunicar e passam a ser vividas. Das experiências que não terminam quando o festival acaba. Porque, no final, não se trata só de construir para alguns dias, mas de criar momentos que resistem ao tempo, mesmo sendo efémeros. É isso que nos move em cada projecto: desenhar espaços que geram ligação, que criam emoção e que fazem parte da história de quem passa por eles.

 

Este artigo faz parte da edição de maio (n.º 358) da Marketeer






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