Em Dezembro de 2025, a Musti adquiria a ZU, marca portuguesa de retalho de produtos e serviços para animais de estimação anteriormente integrada na MC (Sonae). Esta operação permitiu à Musti expandir a sua presença geográfica para Portugal, reforçando a sua posição como grupo europeu de relevo no sector de pet care, passando a operar em sete países.
Após a aquisição, a ZU, que conta com 65 lojas em Portugal (24 com clínicas veterinárias), continua a operar com a mesma marca, proposta de valor e ligação ao ecossistema da MC, incluindo o Cartão Continente. A integração permite-lhe beneficiar de sinergias, inovação e ganhos de escala trazidos pela Musti.
Para a Sonae, que detém aproximadamente 81% da Musti (desde Março de 2024), a transacção possibilitou concentrar o negócio de pet care numa única plataforma especializada, criando condições para acelerar o crescimento do negócio e potenciar eficiência operacional no portefólio. Tobias Azevedo, head of Iberia Musti Group, explica à Marketeer o potencial de passarem a estar inseridos num ecossistema de conhecimento, não só do cliente e do animal, mas também de toda a cadeia de valor.
O que representa para a estratégia da ZU a integração num grupo internacional especializado como a Musti?
A integração da ZU num grupo de referência europeu como a Musti representa um enorme reconhecimento do trabalho que foi feito ao longo dos últimos anos, cimenta a nossa posição como especialista no bem-estar animal e demonstra a confiança dos nossos clientes. É também uma alavanca para o nosso crescimento, a nível nacional e internacional, no sentido em que passamos a estar inseridos num ecossistema de conhecimento, não só do cliente e do animal, mas também de toda a cadeia de valor. Essencialmente, passamos a beneficiar de uma base de conhecimento que nos vai permitir evoluir mais depressa.
A Musti opera com modelos de negócio pet altamente refinados noutros mercados. Que aprendizagens ou práticas internacionais prevê incorporar este ano?

Existem muitas aprendizagens, a curto e longo prazo, que a Musti nos vai trazer. A mais curto prazo, destacaria a sofisticação na gestão de categorias, fazendo o equilíbrio entre as marcas com mais presença no mercado e o vasto portefólio de marcas exclusivas do universo Musti, sendo de salientar aqui a forma como na Musti desenham e implementam toda a experiência omnicanal. Neste sentido, o nosso objectivo não é, de todo, copiar estes modelos de forma cega, mas trazer o melhor e adaptar ao mercado português.
Falando de identidade de marca: como garantem que a ZU irá manter a sua personalidade ao mesmo tempo que absorve conhecimento global?
Este é um ponto essencial. A força da ZU está na relação de proximidade que construímos com os tutores, através da experiência das nossas equipas de loja, de grooming e das clínicas veterinárias. Esta identidade não só deve ser preservada como reforçada. A integração com a Musti vai permitir-nos ser ainda mais especializados no bem-estar animal.
Esta aquisição abre portas a um eventual plano de expansão mais acelerado? O que podemos esperar em termos de número de lojas, formatos…?
Aumenta e dá-nos mais ferramentas para pensar no futuro com ambição. Também nos abre a possibilidade de pensar para além das fronteiras de Portugal. A expansão continuará a ser feita com racionalidade, disciplina e sempre em função do que fizer sentido para os clientes.
Está ou esteve em cima da mesa o fim da marca ZU, ou a sua expansão para localizações que hoje são Musti?
Não está previsto nem o fim nem a expansão da marca ZU para mercados onde a Musti opera. Haverá, sim, marcas da Musti nas lojas da ZU e, eventualmente, marcas da ZU em lojas Musti.
De que forma este movimento poderá reflectir-se no crescimento das equipas, na especialização dos colaboradores ou na criação de novas funções?
Vejo esta integração como uma grande oportunidade também para as nossas pessoas. Fazer parte de um grupo internacional especializado aumenta a exposição a novas práticas, ferramentas e possibilidades de desenvolvimento profissional. Isso poderá traduzir-se em maior especialização em áreas-chave, reforço de competências técnicas e analíticas e na criação de funções mais especializadas. Acima de tudo, acredito que esta operação cria um contexto muito positivo para atrair, desenvolver e reter talento.
A Musti trabalha com um portefólio extenso de marcas e serviços. Haverá novidades para os clientes da ZU a este nível, com gamas exclusivas?
Esta é uma das áreas onde esta integração acrescenta mais valor. A inclusão de marcas Musti representa um importante reforço em termos de inovação e qualidade na nossa proposta de valor. Parte destas marcas já está disponível nas lojas ZU, como a Purenatural e Little & Bigger, e é expectável que venhamos a incluir mais produtos. No entanto, não queremos substituir as marcas que temos, porque acreditamos na importância de o cliente poder escolher dentro do leque mais abrangente possível.
No capítulo dos serviços, grooming, vet, nutrição, bem-estar, há espaço para expansão ou diferenciação?
Sem dúvida que os serviços são uma área estratégica para a ZU e onde vemos muito espaço para continuar a evoluir. O mercado pet está mais orientado para soluções integradas e uma relação mais contínua com o tutor e o animal. A integração pode ajudar-nos a acelerar essa reflexão e a explorar novas formas de diferenciar a oferta em áreas como grooming, bem-estar, aconselhamento nutricional e outros serviços especializados.
E pode abrir espaço para a ZU entrar em novas áreas de negócio como pet tech ou nutrição personalizada?
Não é o foco, neste momento, expandir para novas áreas. No entanto, estamos focados em reforçar a qualidade da experiência do cliente através de serviços e produtos que consideramos fazerem parte das áreas em que actuamos hoje, mas com um novo nível de conveniência e aqui, sim, entram os planos de saúde e os serviços de subscrição. Ao dia de hoje, já somos pioneiros nos planos de saúde com a nossa Health Box e, na mesma lógica, queremos trazer planos de subscrição que tragam algo mais aos nossos clientes do que receber um saco de alimentação pelo correio de 30 em 30 dias.
A Musti é reconhecida pelo uso intensivo de tecnologia e dados. Como é que esta nova infra-estrutura pode transformar a experiência de cliente da ZU, tanto em loja física como no digital?
Na dimensão dos dados, acredito que vamos poder experienciar o melhor de dois mundos. Por um lado, a ZU nasceu na MC, que é líder mundial em know-how de programas de fidelização através do Cartão Continente e, por outro, vamos poder aplicar o conhecimento que a Musti tem em trabalhar dados, aplicados ao mundo animal dentro da infra-estrutura do Cartão Continente.
Para os consumidores, o que muda já no curto prazo e o que só veremos a médio/longo prazo?
No curto prazo, o mais importante é a continuidade: a ZU mantém o seu foco, a sua proximidade e o seu compromisso com a qualidade da experiência. Não estamos a falar de uma ruptura, mas sim de uma evolução. Ao longo do tempo, e de forma gradual, os clientes poderão começar a sentir benefícios através de uma oferta mais forte, mais inovação, maior especialização, melhorias na experiência omnicanal e, eventualmente, novos serviços e marcas. Ou seja, no imediato haverá estabilidade. No médio e longo prazo, haverá potencial para uma proposta de valor ainda mais completa.
Este artigo faz parte da edição de maio (n.º 358) da Marketeer












