E se Portugal replicasse o “método Ronaldo”?

25ª ConferênciaNotícias
Daniel Almeida
29/10/2025
19:45
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Pegue na ambição, tempere com pensamento estratégico, adicione-lhe doses generosas de confiança e finalize com consistência. Se houvesse uma receita para afirmar (ainda mais) a marca Portugal no mundo, seria esta, ou não fosse também a base do sucesso de um português que é uma das maiores marcas à escala planetária: Cristiano Ronaldo. Quem o defende é Miguel Eiras Antunes, partner e líder de Sector Público na Deloitte.

O responsável subiu ao palco da 25.ª Conferência da Marketeer, que decorreu no Centro de Congressos do Estoril, para explicar como Portugal, enquanto marca-país, pode passar de “bom” a “excepcional”, aplicando aquilo que designa de “método Ronaldo”. «Temos tudo para ser excepcionais. Só não o somos porque o reforço da nossa marca passa por um tema: mindset e método», afirmou.

Miguel Eiras Antunes, partner e líder de Sector Público na Deloitte

Para Miguel Eiras Antunes, a marca Portugal distingue-se por vários aspectos positivos: 900 anos de história e uma cultura rica em torno de elementos como o fado; uma língua falada por 265 milhões de pessoas em todo o mundo; uma das melhores gastronomias a nível global; um clima privilegiado, com 290 dias de sol, em média; bons índices de segurança (integrando o top 10 mundial) e qualidade de vida; é considerado o melhor destino turístico da Europa, pelos World Travel Awards; lidera em energias renováveis; tem universidades distinguidas nos mais prestigiados rankings internacionais.

«E depois temos as pessoas: somos criativos e inovadores, porque temos de o ser – num país pequeno, temos de inovar para exportar. Temos cinco milhões de portugueses espalhados pelo mundo. E temos algo que nos distingue de forma clara, que é a nossa flexibilidade, a arte do “desenrascanço”. Os portugueses fazem tão bem ou melhor do que outros, por vezes de forma mais rápida e barata. É uma vantagem competitiva que temos», frisou o partner e líder de Sector Público na Deloitte.

Com tanto de positivo, o que falta para a marca Portugal passar de “boa” a “excepcional”? Aplicar um método que já foi testado e comprovado nos principais palcos mundiais.

Os pilares do “método Ronaldo”

«Cristiano Ronaldo é a metáfora viva da superação portuguesa, por tudo aquilo que simboliza. O que o distingue não é o talento; é a obsessão. Não é o acaso; é o método, a arte de repetir a excelência todos os dias», referiu Miguel Eiras Antunes.

Para o orador da 25.ª Conferência da Marketeer, o método que permitiu ao capitão da Selecção Nacional atingir o topo mundial assenta em quatro pilares fundamentais: teve ambição para ultrapassar o ponto de partida, numa ilha do Atlântico; executou uma estratégia para decompor essa ambição em passos concretos; é muito confiante, o que lhe permite passar ao lado das críticas e do mediatismo; e apresenta a consistência necessária para repetir o que faz bem até se tornar ADN. «É uma marca global assente nestes quatro pilares. Agora imaginemos se Portugal aplicar sempre o “método Ronaldo”», sugeriu o responsável.

De acordo com o partner da Deloitte, algumas marcas portuguesas de excelência, que são referências mundiais nos seus respectivos sectores, já seguem, de alguma forma, esta metodologia, no sentido em que têm as mesmas quatro características: ambição, estratégia, confiança e consistência. É o caso de empresas como a Corticeira Amorim, EDP, Galp, Vista Alegre, Sonae, Jerónimo Martins, Delta ou Renova.

Contudo, este ainda não é um padrão que permita catapultar a marca Portugal para um novo patamar de afirmação e percepção no mundo. Continuamos a enfrentar algumas barreiras nesse sentido, como uma falta generalizada de confiança, uma forte dependência do sector do Turismo, a falta de investimento em Investigação & Desenvolvimento (I&D), a incapacidade de reter talento jovem no País e alguma inconsistência nos ciclos políticos. «Temos de criar estruturas que resistam aos ciclos políticos e que alinhem o País em volta de um propósito comum, de diversificar a nossa economia, de reforçar a inovação e importação de talento, de consolidar o nosso posicionamento enquanto hub académico, criativo e tecnológico, e de capitalizar o tema da qualidade de vida como foco para atracção de talento», sublinhou Miguel Eiras Antunes.

O segredo para ultrapassar essas e outras dificuldades pode muito bem passar por aplicar o “método Ronaldo” de forma mais consistente nas nossas empresas e organizações, nas faculdades ou instituições governamentais. No fundo, por institucionalizar a nossa inspiração. «Somos, neste momento, uma marca dinâmica, inovadora, sustentável e genuinamente humana. Temos uma cultura e qualidade de vida incríveis. Falta-nos acreditar a sério no nosso potencial e não termos medo de sermos os melhores numa determinada componente. Tal como Cristiano Ronaldo, temos de garantir que somos ambiciosos para ultrapassar o ponto de partida, estrategas para chegarmos a essa ambição, confiantes para acreditarmos no nosso valor e consistentes para repetirmos o que fazemos de bom até se tornar ADN», reiterou o partner da Deloitte.

E o que acontecerá se conseguirmos somar o “método Ronaldo” e a arte bem portuguesa do “desenrascanço”? «Seremos imbatíveis.»

Texto de Daniel Almeida

Foto de Paulo Alexandrino

*O jornalista escreve segundo o Antigo Acordo Ortográfico




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