Durante o inverno, é comum sentirmos mais fome e uma maior atração por alimentos ricos em açúcar e hidratos de carbono simples. Este comportamento não se deve apenas ao conforto emocional associado aos dias frios, mas a respostas fisiológicas naturais do organismo com impacto direto na saúde da pele.
Porque a fome aumenta — e porque desejamos mais açúcar no inverno?
A exposição a temperaturas mais baixas aumenta o gasto energético basal, uma vez que o organismo necessita de produzir mais calor para manter a temperatura corporal. Este aumento da exigência metabólica ativa sinais centrais de fome, mediados principalmente pela grelina, uma hormona produzida principalmente no estômago e que desempenha um papel fundamental na regulação da fome, do apetite e do metabolismo energético. Esta hormona aumenta no inverno, devido a uma combinação de mecanismos fisiológicos, hormonais e ambientais que indicam ao corpo a necessidade de maior ingestão energética.
No entanto, o frio e a redução da exposição solar provocam também uma diminuição da serotonina, neurotransmissor essencial na regulação do humor, da saciedade e do comportamento alimentar. Quando os níveis de serotonina diminuem, o cérebro tende a procurar estratégias rápidas para os restaurar — e uma das mais eficazes é o consumo de açúcar.
Os alimentos açucarados e ricos em hidratos de carbono simples aumentam temporariamente a disponibilidade de triptofano no sistema nervoso central, promovendo uma síntese transitória de serotonina. Este mecanismo explica porque, no inverno, a fome não é apenas quantitativa, mas também qualitativa, direcionada para doces, pão, massas e sobremesas.
Adicionalmente, o açúcar fornece energia rápida, algo que o organismo interpreta como útil num contexto de maior exigência térmica. No entanto, esta resposta é de curta duração e favorece picos glicémicos seguidos de quedas abruptas de açúcar no sangue, perpetuando o ciclo de fome e desejo por mais açúcar.
O aumento do consumo de açúcar durante o inverno tem implicações diretas na biologia da pele, sendo a glicação não enzimática um dos principais mecanismos envolvidos no envelhecimento cutâneo acelerado.
A glicação ocorre quando moléculas de glicose ou frutose se ligam irreversivelmente a proteínas estruturais da matriz extracelular, como o colagénio e a elastina. Este processo conduz à formação de produtos finais de glicação avançada (AGEs), que comprometem a arquitetura, integridade e a função da pele, principalmente a nível da derme, onde ocorre este processo.
Clinicamente, este processo manifesta–se por flacidez, rugas mais profundas, perda de luminosidade e uma textura cutânea irregular. No inverno, estes efeitos são amplificados pela desidratação, devido ao frio e à exposição a ambientes aquecidos, pela menor microcirculação cutânea e pelo aumento do consumo de açúcar.
Estratégias nutricionais
Uma alimentação equilibrada, rica em proteína, fibra e hidratos de carbono complexos, ajuda a estabilizar a glicemia e a reduzir o desejo por açúcar. Sopas nutritivas, legumes, leguminosas, peixe, ovos e cereais integrais são aliados naturais nesta estação.
A abordagem dermatológica
Embora a glicação seja cumulativa, os seus efeitos podem ser atenuados e parcialmente revertidos através de uma abordagem integrada.
Tratamentos médico–estéticos como bioremodeladores cutâneos, como Profhilo®, bioestimuladores de colagénio e tecnologias laser permitem melhorar a qualidade da pele, estimular a regeneração dérmica e contrariar os efeitos da glicação. Quando associados a uma rotina cosmética com ativos antioxidantes e antiglicação, os resultados são mais consistentes e duradouros.
Na Avenue Clinic, olhamos para a pele como um reflexo da saúde global, combinando ciência, prevenção e tratamentos de excelência para desacelerar os processos de envelhecimento e promover uma beleza natural e sustentável ao longo do tempo.














